Juros compostos são juros que rendem juros: o ganho de um mês entra na base do mês seguinte. É o que faz uma reserva pequena virar dinheiro de verdade com o tempo — e é exatamente o mesmo motor que transforma uma fatura de cartão atrasada numa dívida impagável. A calculadora abaixo mostra os dois lados.
🔒 A conta roda no seu navegador — nada é enviado nem salvo
Calcule os juros compostos
É uma projeção, não uma promessa. A conta usa a taxa que você digitar, fixa do começo ao fim. Na vida real rendimento varia, imposto incide sobre o ganho e a inflação come parte do resultado. Nenhum dado sai do seu aparelho: a conta é feita aqui no navegador.
O que são juros compostos
No juro simples, o juro incide sempre sobre o valor original. Você aplica R$ 1.000 a 1% ao mês e ganha R$ 10 todo mês, para sempre.
No juro composto, o juro de cada período entra na base do período seguinte. No primeiro mês você ganha R$ 10; no segundo, 1% sobre R$ 1.010, ou seja R$ 10,10; no terceiro, 1% sobre R$ 1.020,10. A diferença parece ridícula no começo — e é. O que muda tudo é o tempo.
R$ 1.000 a 1% ao mês, sem colocar mais nada: em 1 ano viram R$ 1.126,83 (o juro simples daria R$ 1.120). Em 10 anos viram R$ 3.300,39, contra R$ 2.200 no juro simples. Em 30 anos, R$ 35.949,64 contra R$ 4.600.
Nos primeiros meses a diferença é de trocados. Em três décadas, o composto entrega quase oito vezes mais. É por isso que começar cedo pesa mais do que começar com muito.
A fórmula, em português
A conta do montante é esta:
M = C × (1 + i)n
- M é o montante: quanto você tem no fim.
- C é o capital: quanto você tinha no começo.
- i é a taxa do período, em decimal — 1% ao mês é 0,01.
- n é o número de períodos, na mesma unidade da taxa. Se a taxa é mensal, n é em meses.
Quando você também guarda um valor todo mês, entra a segunda parte da conta, a da série de aportes: cada depósito rende pelo tempo que ficou aplicado, e o último não rende nada, porque entrou no fim. A calculadora acima soma as duas partes — e é por isso que o resultado dela não bate com o de calculadoras que só fazem a primeira.
Taxa e prazo precisam estar na mesma unidade. Taxa ao mês pede prazo em meses; taxa ao ano pede prazo em anos. Misturar as duas é o erro mais comum de quem faz a conta na mão — e a fonte de resultados absurdos, fora da realidade por um fator de 12.
Simples × composto, lado a lado
R$ 1.000 aplicados a 1% ao mês, sem aportes:
| Tempo | Juros simples | Juros compostos | Diferença |
|---|---|---|---|
| 1 ano | R$ 1.120,00 | R$ 1.126,83 | R$ 6,83 |
| 5 anos | R$ 1.600,00 | R$ 1.816,70 | R$ 216,70 |
| 10 anos | R$ 2.200,00 | R$ 3.300,39 | R$ 1.100,39 |
| 20 anos | R$ 3.400,00 | R$ 10.892,55 | R$ 7.492,55 |
| 30 anos | R$ 4.600,00 | R$ 35.949,64 | R$ 31.349,64 |
Repare no formato da diferença: ela é quase nada por anos e depois dispara. Não é a taxa que faz o estrago (ou o milagre) — é o expoente. Por isso o único insumo que ninguém consegue comprar depois é tempo.
O erro de dividir a taxa por 12
Se um investimento rende 1% ao mês, quanto rende ao ano? A resposta que quase todo mundo dá é 12%. A resposta certa é 12,68%, porque o juro de cada mês passa a render junto nos meses seguintes.
A conversão correta é (1 + i)12 − 1, não i × 12. A calculadora acima mostra as duas na tela de propósito, para você ver o tamanho do desvio com os seus próprios números.
Onde isso importa de verdade: no crédito. Uma taxa de 8% ao mês não é 96% ao ano, é 151,8% ao ano. Uma de 15% ao mês, típica de rotativo de cartão, não é 180% ao ano — é 435,0%. Quem faz a conta dividindo por 12 subestima o custo da dívida pela metade.
Ao comparar propostas de empréstimo, compare sempre no mesmo período e, principalmente, olhe o CET — o Custo Efetivo Total, que inclui IOF, tarifas e seguros além do juro. É ele que diz quanto a operação custa de verdade.
Do outro lado: a dívida que ninguém pagou
A mesma fórmula, com o sinal trocado. Uma fatura de R$ 1.000 no rotativo do cartão a 15% ao mês, se você não pagar nada:
| Tempo parado | Você deve | Quanto virou |
|---|---|---|
| 3 meses | R$ 1.520,87 | 1,5 vez |
| 6 meses | R$ 2.313,06 | 2,3 vezes |
| 1 ano | R$ 5.350,25 | 5,4 vezes |
| 2 anos | R$ 28.625,18 | 28,6 vezes |
Não é exagero de texto de blog: é a conta. O rotativo do cartão é o crédito mais caro do mercado brasileiro — as taxas médias por modalidade estão publicadas pelo Banco Central e vale conferir a do seu cartão na fatura — e o juro composto sobre uma taxa dessas cresce mais rápido do que qualquer salário consegue acompanhar.
É por isso que, numa dívida cara, trocar o juro resolve mais do que apertar o orçamento. Quitar o rotativo com um crédito de taxa menor não é "trocar dívida por dívida": é parar de multiplicar. E, do lado de quem investe, vale a inversão — nenhum investimento comum rende o que o rotativo cobra, então quitar uma dívida cara é o melhor rendimento garantido que existe.
O que esta calculadora não sabe
- Imposto de renda. A projeção mostra o rendimento bruto. Em renda fixa, o IR incide sobre o ganho pela tabela regressiva (de 22,5% a 15%, conforme o prazo) e come parte do resultado.
- Inflação. R$ 35 mil daqui a 30 anos não compram o que R$ 35 mil compram hoje. Para raciocinar em poder de compra, use uma taxa real (o rendimento acima da inflação), não a nominal.
- Taxa que varia. A conta usa a taxa fixa que você digitou. Na vida real o CDI muda, a poupança muda, a bolsa oscila e ninguém rende o mesmo percentual todo mês por 20 anos.
- Taxas de administração e custódia, que reduzem o rendimento líquido de fundos e de alguns títulos.
- Análise de crédito. No modo dívida, a parcela calculada é a matemática da tabela Price. Nenhuma instituição é obrigada a te oferecer aquele prazo ou aquela taxa.
Perguntas frequentes
Esta calculadora guarda meus dados?
Não. O cálculo roda inteiro no seu navegador, em JavaScript. Nada é enviado para nossos servidores, não pedimos e-mail e não pedimos CPF.
Qual a diferença entre juros simples e compostos?
No simples, o juro incide sempre sobre o valor inicial e o crescimento é uma linha reta. No composto, o juro de cada período entra na base do período seguinte e o crescimento é uma curva. Em prazos curtos a diferença é pequena; em prazos longos ela é a maior parte do resultado.
A poupança rende juros compostos?
Rende, mas só nos aniversários mensais do depósito: se você saca antes de completar o mês, perde o rendimento daquele período. É a razão de a poupança render menos do que parece para quem movimenta a conta com frequência.
Como transformar taxa ao ano em taxa ao mês?
Elevando a (1 + taxa anual) a 1/12 e subtraindo 1. Uma taxa de 12,68% ao ano equivale a 1% ao mês. Dividir 12,68 por 12 daria 1,057%, que está errado — e o erro cresce quanto maior for a taxa. A calculadora acima aceita a taxa nos dois períodos e faz a conversão certa.
Juros compostos em empréstimo são legais no Brasil?
Sim. A capitalização de juros em período inferior a um ano é admitida nos contratos de instituições financeiras, e a jurisprudência dos tribunais superiores é firme nesse sentido desde a Medida Provisória 2.170-36/2001. O que a lei exige é que o custo seja informado com clareza: taxa mensal, taxa anual e CET. Juro alto de instituição autorizada é caro, mas é legal — o que não é legal é a agiotagem.
Quanto preciso guardar por mês para chegar a R$ 100 mil?
Depende da taxa e do prazo, e é exatamente para isso que a calculadora serve: preencha o aporte e o tempo que você consegue sustentar e veja aonde chega. Um caminho comum: R$ 500 por mês a 0,8% ao mês chegam a R$ 100 mil em 10 anos — dos quais R$ 60 mil são seus aportes e R$ 40 mil são juros.
Estou endividado. Vale mais a pena investir ou quitar?
Se o juro da dívida é maior que o rendimento do investimento — e no rotativo do cartão, no cheque especial e no crédito pessoal sem garantia ele quase sempre é — quitar rende mais. Cada real usado para abater uma dívida a 15% ao mês "rende" 15% ao mês garantidos, coisa que investimento nenhum promete.
Se o problema hoje é o juro que você paga
Quando a conta do modo dívida assusta, a saída costuma ser trocar o juro caro por um mais barato, não aumentar a prestação. Crédito com garantia custa uma fração do rotativo, e para um aperto pequeno de fim de mês existe alternativa melhor que o cheque especial. Em todos há análise de crédito, e ela pode recusar o pedido.
Para entender o custo de um empréstimo antes de assinar, leia empréstimo pessoal: como funciona, custo e CET e juros na prática: como entender o custo das parcelas. As outras contas estão em calculadoras do Juca.
Como esta página calcula
- Montante: M = C × (1 + i) elevado a n, com a série de aportes somada pela fórmula da série uniforme postecipada (aporte no fim de cada período).
- Parcela fixa do modo dívida: tabela Price, P = PV × i / (1 − (1 + i) elevado a −n).
- Conversão de taxa anual para mensal pela equivalência composta, (1 + i) elevado a 1/12, menos 1.
- Capitalização de juros em contratos bancários: Medida Provisória nº 2.170-36/2001, art. 5º.
- Dever de informar o Custo Efetivo Total ao consumidor: Resolução CMN nº 4.881/2020.
- Taxas médias de juros por modalidade de crédito: Banco Central do Brasil, relatório de taxas de juros.
- Todos os exemplos numéricos desta página foram conferidos contra o motor da calculadora.