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Parcelas com renda variável: como calcular sem aperto

Veja como calcular parcelas com renda variável pelo mês mais fraco, e não pela média, e monte uma reserva. Simule o Pix no crédito e confira o CET.
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Cabeleireira revisa contas e orçamento no salão após o atendimento.

Para pagar parcelas com renda variável sem aperto, calcule a parcela pelo mês mais fraco dos últimos 6 a 12 meses, e não pela média. No exemplo fictício deste guia, a média é de R$ 3.750, mas o pior mês foi de R$ 2.600, e é esse valor que define quanto cabe. Mantenha também uma reserva de emergência maior.

Resposta rápida:

  • Liste o que entrou em cada um dos últimos 6 a 12 meses.
  • Use o mês mais fraco como base do cálculo, nunca a média.
  • Deixe a parcela abaixo de uma fatia conservadora do mês mais fraco.
  • Separe o dinheiro pessoal do dinheiro do trabalho com uma retirada mensal fixa.
  • Compare propostas pelo CET e pelo valor total, não só pela parcela.

Devo calcular pela média ou pelo mês mais fraco?

Quem tem parcelas com renda variável deve calcular pelo mês mais fraco. A média esconde o mês ruim, e a parcela não muda: ela vence no mesmo valor quando o mês foi ótimo e quando foi fraco.

Pense na sazonalidade, que é a variação da renda conforme a época do ano. Janeiro costuma juntar IPVA, IPTU e material escolar. Muitos ramos também têm fim de temporada, quando o movimento cai por semanas seguidas.

Se a parcela foi dimensionada pela média, ela cabe nos meses bons e estoura nos fracos. É nesse mês que aparecem o cheque especial, o rotativo do cartão e o atraso que vira dívida cara.

Você já deve ter ouvido falar em comprometer até 30% da renda com dívidas. Esse número é uma referência de mercado, não uma lei. O artigo sobre o limite saudável de dívidas explica esse comprometimento de renda em detalhe.

Para quem tem renda instável, a orientação mais prudente é aplicar uma fatia menor, e sobre o mês mais fraco. É uma recomendação de educação financeira, não regra: o ponto é que a parcela continue cabendo no pior cenário que você já viveu.

Como planejar as parcelas do empréstimo com renda variável?

Planejar as parcelas do empréstimo com renda variável leva quatro passos: levantar a renda real, achar o mês mais fraco, descontar o que já é fixo e só então definir o teto da parcela nova. É o cálculo que organiza a renda variável no orçamento.

Siga esta ordem para saber quanto de parcela cabe na sua renda variável:

  1. Puxe do extrato as entradas de cada um dos últimos 6 a 12 meses.
  2. Ache o mês mais fraco, aquele com a menor entrada do período.
  3. Desconte dele as despesas essenciais e as parcelas que você já paga.
  4. Limite a parcela nova à sobra e a um teto conservador do mês fraco.

Se você não lembra de todas as dívidas, consulte seus dados no Registrato, do Banco Central. Ele mostra informações do sistema financeiro, então dívida com loja ou com conhecido precisa entrar na conta à mão.

Exemplo: quanto de parcela cabe

O exemplo abaixo é fictício e serve só para mostrar o método. Imagine um autônomo que anotou o que entrou em cada um dos últimos seis meses.

Parcelas com renda variável: renda de 6 meses (exemplo fictício)
Mês Entrada
Mês 1 R$ 3.200
Mês 2 R$ 4.800
Mês 3 (mês mais fraco) R$ 2.600
Mês 4 R$ 5.100
Mês 5 R$ 3.900
Mês 6 R$ 2.900
Renda média R$ 3.750

A soma dos seis meses dá R$ 22.500, e a renda média fica em R$ 3.750. O mês mais fraco, porém, foi de R$ 2.600. A tabela a seguir aplica o mesmo teto às duas bases.

Parcelas com renda variável: média x mês mais fraco (exemplo fictício)
Base Renda usada Teto ilustrativo Parcela máxima
Mês mais fraco R$ 2.600 20% R$ 520
Média R$ 3.750 20% R$ 750

Os 20% são um corte conservador escolhido para o exemplo, não uma regra. A diferença de R$ 230 por mês é o tamanho do aperto de quem calcula pela média e cai num mês fraco.

Agora a parcela em si. A maioria dos empréstimos usa o Sistema Price, em que todas as parcelas têm o mesmo valor. A fórmula é: PMT = PV × i ÷ (1 − (1 + i)^−n), em que PV é o valor emprestado, i é a taxa mensal e n é o número de parcelas.

Com R$ 2.000 em 6 parcelas e uma taxa fictícia de 4% a.m., que não é oferta de ninguém, a parcela fica em R$ 381,52 e o total a pagar em R$ 2.289,12, contando só os juros. A parcela cabe no teto de R$ 520 do mês fraco.

Atenção: na contratação real, entram IOF, tarifas e seguros, quando houver. Por isso o número que vale é o CET, sigla de Custo Efetivo Total. Segundo o Banco Central, o CET reúne todos esses encargos do contrato (Resolução CMN nº 4.881/2020). Você pode refazer a conta na Calculadora do Cidadão, do Banco Central.

Autônomo: como organizar parcelas sem misturar as contas

Para o autônomo, como organizar parcelas começa por separar o que é da pessoa e o que é do trabalho. Sem essa separação, o mês bom do negócio parece sobra pessoal, e o mês fraco some sem explicação.

Boa parte de quem trabalha por conta própria recebe tudo na mesma conta e paga tudo dela.

A ferramenta mais simples é a retirada mensal fixa: um valor que você se paga todo mês, como se fosse o seu salário. Ela deve ser definida a partir do mês mais fraco, para nunca faltar.

  • Defina a retirada fixa olhando o mês mais fraco, não a média.
  • Pague as parcelas pessoais só com essa retirada.
  • Deixe o excedente dos meses bons no caixa do trabalho.
  • Use esse caixa para cobrir a retirada quando o mês vier fraco.

O passo a passo de abrir contas separadas está no guia sobre como separar dinheiro pessoal da empresa. Quando o dinheiro é para o negócio, como capital de giro, o caminho é crédito no CNPJ, como o empréstimo para MEI, e não uma dívida no seu CPF.

Quanto devo ter de reserva de emergência com renda variável?

Quem paga parcelas com renda variável precisa de uma reserva de emergência maior do que quem tem salário fixo. Uma orientação comum de educação financeira, que não é regra de nenhum órgão, fala em algo entre 6 e 12 meses de custo essencial.

O motivo é simples. Quem tem salário fixo usa a reserva para imprevistos, como uma doença ou um conserto. Quem tem renda variável usa a reserva também para atravessar meses fracos seguidos, o que é previsível e acontece todo ano.

Custo essencial é o que você paga de qualquer jeito: moradia, contas de consumo, comida, transporte e as parcelas que já existem. Lazer e compras adiáveis ficam fora dessa conta.

A reserva se monta com o excedente dos meses bons. Se o mês rendeu acima da sua retirada fixa, uma parte do que sobrou vai para a reserva antes de qualquer outro gasto.

Enquanto a reserva não estiver formada, vale ser ainda mais conservador na parcela nova. Uma dívida contratada sem colchão transforma o primeiro mês fraco em atraso.

O que fazer se a renda cair e eu não conseguir pagar a parcela?

Se a renda cair e a parcela não couber, o melhor momento para agir é antes do vencimento. Atraso gera juros, multa e pode levar à negativação, que é a inclusão do seu CPF em cadastros de inadimplentes.

Siga estes passos, nesta ordem, quando perceber que a parcela não vai caber:

  1. Fale com a instituição antes do vencimento e explique a queda de renda.
  2. Peça renegociação ou alongamento do prazo e compare as propostas pelo CET.
  3. Evite tomar crédito novo para pagar a parcela sem refazer a conta inteira.

Alongar o prazo reduz a parcela, mas costuma aumentar o total pago. Por isso a comparação é sempre pelo CET e pelo valor total da nova proposta.

Renegociar não apaga a dívida nem garante nenhum resultado sobre o seu nome ou o seu score. O que a renegociação faz é trocar um compromisso que não cabe por outro que você consiga cumprir.

Se mesmo assim for preciso um crédito para a pessoa física, compare antes. Um empréstimo pessoal online com parcela fixa só faz sentido se a parcela couber no mês mais fraco da sua tabela.

Perguntas frequentes

Qual o percentual da renda que pode ser comprometido com parcelas?

O número de 30% é uma referência de mercado, não uma lei. Para quem tem renda instável, a conta mais segura aplica uma fatia menor e sobre o mês mais fraco, não sobre a média. Assim a parcela continua cabendo no pior mês que você já teve, como mostra o exemplo deste guia.

Autônomo consegue empréstimo sem comprovar renda?

Existem análises de crédito pelo Open Finance, o sistema em que você autoriza a instituição a ler a movimentação da sua conta em vez de pedir holerite. Isso ajuda quem é autônomo, mas não garante aprovação: a análise pode recusar o pedido ou liberar um valor menor que o solicitado.

Pix no crédito: confira a parcela antes de contratar. No Juca, o Pix no crédito parcela em até 12x na fatura do cartão, com taxa a partir de 3,67% a.m., conforme análise e prazo.

A taxa, a parcela e o CET, em % a.m. e % a.a., aparecem na tela antes de você assinar, então dá para conferir se a parcela cabe no seu mês mais fraco. Depois da aprovação, o dinheiro é liberado na hora. A análise pode recusar ou liberar menos.

Simule o Pix no crédito

No Juca, o dinheiro cai no Pix

Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria financeira. As condições variam por instituição e dependem de análise de crédito. O Juca atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras. Pix no crédito: crédito concedido por BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A., CNPJ 34.337.707/0001-00. Sujeito a análise. Taxas e CET informados antes da contratação.

Tom Cerginer é Correspondente Bancário certificado pela Febraban (FBB100) e escreve no blog do Juca sobre crédito, dívidas e organização financeira para quem trabalha e vive no Pix.

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