Planejamento Financeiro: Como sair do aperto em 90 dias

Planejamento Financeiro: Como sair do aperto em 90 dias

Quando o dinheiro está curto, a cabeça costuma funcionar assim: “preciso sobreviver a esse mês”. Mas, se todo mês vira sufoco, olhar só para 30 dias não resolve. A ideia deste texto é mostrar como um planejamento financeiro de 90 dias pode ser mais leve e realista: você não precisa mudar tudo de uma vez, só precisa de um plano curto, mas com direção.

Em vez de promessas impossíveis, vamos falar de passos simples pra:

  • entender o tamanho do aperto;
  • organizar as contas mais urgentes;
  • começar a reduzir dívidas mais caras;
  • preparar os próximos meses para ficarem menos pesados.

Nada de planilha complicada. É um roteiro de três meses, na vida real de trabalhador CLT.

Por que pensar em 90 dias e não só no mês?

Porque muita coisa que te aperta hoje não nasceu ontem:

  • parcelas antigas,
  • cartão rodando,
  • contas que foram acumulando.

Com 30 dias, você só apaga incêndio.

Com 90 dias, você consegue:

  • organizar o básico agora;
  • negociar ou ajustar o que está pesado;
  • começar a ver resultado nas próximas faturas.

Pensa assim: não é um plano pra “ficar rico”, é um plano pra parar de piorar e começar a melhorar.

Passo 1 (Semana 1): raio-x do aperto

Primeiros dias são só de clareza.

  1. Liste tudo que entra
    • salário líquido;
    • qualquer renda extra fixa.
  2. Liste o que sai
    Separe em:
    • essenciais (moradia, luz, água, comida, transporte);
    • dívidas (cartão, empréstimos, crediários);
    • extras (assinaturas, delivery, pequenos gastos).
  3. Marque o que está atrasado
    • boletos vencidos;
    • fatura de cartão pendente;
    • empréstimos em atraso.

Não é pra se culpar. É pra ter um mapa. Sem isso, qualquer plano de 90 dias vira chute.

Passo 2 (Dias 1 a 30): segurar o básico e estancar a sangria

O foco do primeiro mês é parar de piorar.

1. Garantir o essencial

Com o salário do mês:

  • priorize aluguel, contas básicas e alimentação;
  • organize transporte e gastos mínimos pra conseguir trabalhar.

Se o dinheiro não cobre nem isso, o plano de 90 dias passa por:

  • renegociar contas básicas (prazo, parcelamento);
  • ver onde dá pra reduzir imediatamente (plano de celular, consumo de energia, mercado).

2. Reduzir o peso das dívidas mais caras

Olhe para:

  • cartão de crédito;
  • cheque especial;
  • empréstimos com juros altos.

Tente:

  • negociar juros com o banco ou operadora;
  • transformar um rotativo infinito em parcelas com valor e prazo definidos;
  • evitar usar ainda mais o limite nesses 30 dias.

Aqui, a prioridade não é “pagar tudo”, é parar de alimentar o problema.

Passo 3 (Dias 31 a 60): reorganizar dívidas e automatizar pequenos avanços

No segundo mês, a ideia é deixar as coisas mais previsíveis.

1. Trocar dívidas ruins por uma dívida organizada

Se você tem:

  • cartão estourado;
  • cheque especial usado todo mês;
  • várias parcelas soltas,

pode fazer sentido avaliar uma troca de dívidas caras por uma dívida mais barata, com parcela fixa.

É aqui que entra a análise de opções como o Crédito do Trabalhador (consignado em folha). Ele costuma ter juros menores e desconto direto no salário, ajudando a concentrar o aperto em uma parcela mais leve e previsível – desde que a conta feche no seu orçamento.

No Blog do Juca tem um conteúdo que aprofunda quando isso faz sentido e quando não:

2. Criar um “mini automático” de organização

Coisas pequenas que ajudam muito:

  • escolher um dia fixo da semana pra olhar as contas (ex.: toda segunda à noite);
  • definir um valor pequeno, mas fixo, pra guardar ou separar para emergências (mesmo que sejam R$ 20 por semana);
  • revisar, de novo, assinaturas e gastos supérfluos que ainda possam sair.

O segundo mês é o momento de transformar decisões pontuais em hábito.

Passo 4 (Dias 61 a 90): consolidar o plano e pensar nos próximos meses

Chegando no terceiro mês, você já deve ter:

  • uma visão melhor das contas;
  • dívidas mais organizadas ou renegociadas;
  • uma rotina mínima de olhar o dinheiro com frequência.

Agora, o foco é consolidar:

  1. Rever o que funcionou
    • conseguiu pagar essenciais em dia?
    • reduziu o uso do cartão?
    • parou de usar cheque especial?
  2. Ajustar o que ainda está pesado
    • alguma parcela ficou grande demais?
    • tem algo que dá pra renegociar de novo?
    • dá pra cortar mais algum gasto que não faz diferença real?
  3. Planejar os próximos 90 dias
    A ideia não é voltar pro piloto automático. É transformar esse plano inicial em ciclo:
    • manter o acompanhamento semanal;
    • revisar metas a cada 3 meses;
    • ir, aos poucos, saindo do modo “apagar incêndio” para um modo mais planejado.

Se você quiser se aprofundar em conceitos básicos de orçamento, tipos de crédito e juros com linguagem acessível, o Banco Central mantém uma área de educação financeira bem completa: https://www.bcb.gov.br/cidadaniafinanceira

O que um plano de 90 dias não faz (e o que ele faz)

Ele não:

  • dobra o seu salário;
  • apaga todas as dívidas de uma vez;
  • impede qualquer imprevisto.

Mas ele faz:

  • te tirar da sensação de “não sei por onde começar”;
  • organizar o básico pra você respirar;
  • abrir espaço pra usar o crédito, se necessário, de forma mais consciente;
  • mostrar, na prática, que pequenos ajustes repetidos valem mais que uma grande promessa que não sai do papel.

Se, depois de montar seu plano de 90 dias, você perceber que faz sentido usar o crédito como apoio – pra trocar dívidas caras por uma parcela menor, por exemplo – dá pra simular com calma, sem impulso:

Simule agora no Juca e veja, em poucos minutos, se o crédito cabe no seu bolso sem aperto.

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