Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em outubro de 2026
Para saber como reduzir custos no pequeno negócio, comece separando os custos fixos e variáveis do último mês. Depois ataque primeiro o que não muda a qualidade: taxas de pagamento, tarifas bancárias, energia, embalagem, desperdício e assinaturas esquecidas. Segundo a Agência Sebrae (2023), a conta de luz pode chegar a 10% do faturamento do pequeno negócio.
Resposta rápida:
- Liste os custos do último mês e separe os fixos dos variáveis antes de cortar qualquer coisa.
- Comece pelas taxas de pagamento e pela tarifa bancária, que não afetam o cliente.
- Confira a bandeira tarifária da ANEEL e mude o uso de energia para os horários certos.
- Cancele as assinaturas que ninguém usa e faça cotação com 3 fornecedores.
- Não corte o que o cliente percebe: insumo, atendimento e prazo.
Neste guia
Custos fixos e variáveis: o mapa antes do corte
Os custos fixos e variáveis são o ponto de partida de qualquer corte. Custo fixo é o que você paga todo mês, venda ou não venda, como aluguel e internet. Custo variável sobe e desce junto com as vendas, como insumo, embalagem e taxa de cartão.
Sem esse mapa, o corte vira chute. O dono corta o que incomoda mais, e não o que pesa mais. O mapa sai de dois lugares: o extrato bancário do mês e o controle de entradas e saídas. Se você ainda não tem esse controle, monte primeiro o fluxo de caixa do MEI, porque é dele que vêm os números deste guia.
Pegue o último mês fechado e anote cada saída. Não arredonde e não confie na memória. A taxa de R$ 4,90 que sai toda semana parece pouca coisa, mas soma quase R$ 20 no mês.
O que entra em fixo e o que entra em variável
A tabela abaixo separa os custos fixos e variáveis mais comuns de um MEI ou de uma microempresa, e mostra onde achar cada valor.
| Custo | Tipo | Onde achar o valor | Dá para cortar sem o cliente perceber? |
|---|---|---|---|
| Aluguel | Fixo | Contrato de locação | Sim, por renegociação |
| DAS-MEI | Fixo mensal | Portal do Empreendedor | Não, é obrigação legal |
| Energia | Fixo com parte variável | Conta de luz | Sim, pelo uso |
| Internet e telefone | Fixo | Fatura da operadora | Sim, revendo o plano |
| Tarifa bancária | Fixo | Extrato da conta | Sim, revendo o pacote |
| Taxa de maquininha | Variável | Relatório de vendas | Sim, revendo o plano |
| Embalagem | Variável | Notas de compra | Sim, com tamanho certo |
| Insumos | Variável | Notas de compra | Com cuidado: é qualidade |
| Frete | Variável | Notas e boletos | Sim, juntando pedidos |
| Assinaturas | Fixo | Fatura do cartão | Sim, cancelando as sem uso |
O DAS é o boleto mensal de impostos e contribuição ao INSS do MEI, de valor fixo dentro do limite anual de faturamento, conforme o Portal do Empreendedor. Ele entra no mapa, mas não entra no corte.
Como reduzir custos no pequeno negócio: 9 cortes que não mexem na qualidade
Para reduzir custos no pequeno negócio sem perder cliente, comece pelos itens que ficam atrás do balcão. Os 9 cortes abaixo estão em ordem de facilidade. Os itens 2, 7 e 9 respondem também a quem procura como reduzir custos fixos, que são os que pesam todo mês.
1. Taxas de maquininha
A taxa de maquininha tem três partes. O MDR é a taxa de desconto que a empresa de cartão cobra sobre cada venda. O prazo é quando o dinheiro cai. A antecipação é o desconto extra para receber antes.
O MDR é combinado em contrato entre você e a empresa de cartão, então não existe uma taxa única para todo mundo. Peça o seu relatório de vendas, veja quanto pagou no mês e pergunte se há plano melhor para o seu volume. Se você antecipa tudo sem precisar, está pagando por pressa.
2. Tarifas bancárias
A tarifa bancária costuma vir num pacote de serviços que o negócio nem usa. A Resolução CMN nº 3.919/2010 exige que a tarifa esteja prevista em contrato ou autorizada pelo cliente. A gratuidade dos serviços essenciais dessa norma vale para pessoa física. Na conta da empresa, compare o pacote com o que você realmente usa no mês.
3. Energia
A energia é um custo fixo com parte variável, e pesa mais do que parece. Segundo a Agência Sebrae, o gasto com luz pode chegar a 10% do faturamento do pequeno negócio, em levantamento com 669 empresas de 14 estados divulgado em 2023.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) define todo mês a bandeira tarifária. Na verde não há acréscimo. Na amarela e na vermelha, em dois patamares, a conta sobe porque gerar energia ficou mais caro. Em mês de bandeira vermelha, desligue equipamento parado, regule a temperatura da geladeira e troque lâmpadas antigas.
4. Embalagem
A embalagem do tamanho errado é dinheiro jogado fora em cada venda. Use o menor tamanho que protege o produto e compre no volume de um mês, não de uma semana.
5. Desperdício e estoque
O desperdício é o corte que mais rende em comércio de comida. Anote o que vai para o lixo por uma semana. Organize o estoque para usar primeiro o que vence primeiro, e compre pelo giro real, não pela promoção.
6. Compras em grupo
A compra em grupo junta comerciantes vizinhos para comprar volume maior. Quem vende 50 embalagens por semana não tem preço de quem compra mil, mas cinco vizinhos juntos podem ter. É uma das melhores dicas para reduzir custos no comércio de bairro.
7. Renegociar aluguel
O aluguel comercial não tem índice de reajuste padrão em lei. A Lei nº 8.245/1991, art. 18, permite que as partes fixem novo valor de comum acordo. Leia o que o seu contrato prevê e leve ao locador o seu histórico de pagamento em dia.
8. Fornecedores
O fornecedor é renegociado do mesmo jeito: com números na mão. Faça cotação com pelo menos 3 fornecedores para os itens que você mais compra e leve a melhor proposta ao fornecedor atual. O roteiro da conversa está no guia sobre como negociar com fornecedores.
9. Assinaturas esquecidas
A assinatura esquecida é o custo fixo mais fácil de cortar. Abra a fatura do cartão da empresa e procure software, aplicativo, streaming e linha de telefone. Pergunte, para cada um: alguém usou isto no último mês? Se não, cancele.
Qual a diferença entre custo e despesa?
A diferença entre custo e despesa está no destino do dinheiro. Custo é o que entra diretamente no produto ou serviço vendido, como insumo e embalagem. Despesa é o que mantém o negócio de pé, como aluguel, tarifa bancária e assinaturas.
Na prática do dia a dia, muita gente usa as duas palavras como sinônimos, e tudo bem. A separação serve para uma coisa: saber onde mexer. Quem quer saber como reduzir despesas da empresa olha para as despesas operacionais, que são os gastos de funcionamento. Elas raramente aparecem para o cliente, então são o primeiro alvo.
Já o custo do produto pede mais cuidado. Trocar o queijo do lanche por um mais barato é cortar custo, mas o cliente percebe na primeira mordida. Por isso a ordem é: despesas operacionais primeiro, desperdício em seguida, e só por último o insumo.
Exemplo ao centavo: um mês antes e depois
O exemplo abaixo mostra como reduzir custos no pequeno negócio na prática, com uma lanchonete MEI fictícia que vende R$ 12.000,00 por mês no cartão. São valores ilustrativos: não são dado real nem média de mercado, e as taxas de cartão são hipotéticas.
| Item | Antes (R$) | Depois (R$) | Economia (R$) |
|---|---|---|---|
| Aluguel (renegociado com o locador) | 1.800,00 | 1.710,00 | 90,00 |
| Energia (horário de uso e equipamento) | 620,00 | 558,00 | 62,00 |
| Taxa de cartão (3,49% para 2,99% sobre R$ 12.000,00) | 418,80 | 358,80 | 60,00 |
| Tarifa bancária (pacote menor) | 59,90 | 19,90 | 40,00 |
| Embalagem (compra em grupo) | 540,00 | 486,00 | 54,00 |
| Desperdício (controle de validade) | 380,00 | 190,00 | 190,00 |
| Assinaturas (cancelou 2 de 3) | 119,70 | 29,90 | 89,80 |
| Insumos (mantido: é qualidade) | 4.200,00 | 4.200,00 | 0,00 |
| Total | 8.138,40 | 7.552,60 | 585,80 |
A economia foi de R$ 585,80 no mês, cerca de R$ 7.029,60 em um ano se o padrão se mantiver. O maior ganho veio do desperdício, não da taxa de cartão, que é onde quase todo mundo começa. E o insumo ficou intacto. Reduzir custos MEI funciona assim: muitos cortes pequenos somados, sem tocar no que o cliente come.
Atenção: as assinaturas eram de R$ 49,90, R$ 39,90 e R$ 29,90. Manter só a de R$ 29,90 economiza R$ 89,80. Refaça a conta com os seus valores, linha a linha.
Como reduzir custos sem perder qualidade?
Para reduzir custos sem perder qualidade, a regra é não cortar o que o cliente percebe. Na hora de cortar gastos no negócio, proteja estes pontos:
- Insumo principal: trocar por um pior derruba a venda seguinte.
- Atendimento: menos gente no balcão vira fila e cliente perdido.
- Prazo de entrega: atraso custa mais que o frete economizado.
- Higiene e segurança: corte aqui vira multa ou interdição.
- Manutenção do equipamento: adiar costuma sair mais caro depois.
Se você corta tudo isso e ainda assim o mês não fecha, o problema pode não ser custo. Quando você vende bem e o dinheiro some, leia o guia sobre vendo mas não tenho lucro.
E todo corte mexe na sua margem de lucro. Cortou custo? Vale calcular o preço de venda de novo, para saber se o preço atual ainda faz sentido.
Armadilha: cortar o insumo dá economia rápida no primeiro mês e perda de cliente no segundo. No exemplo acima, a lanchonete economizou R$ 585,80 sem tocar nele.
Quanto uma empresa deve economizar em custos?
Não existe percentual oficial de quanto uma empresa deve economizar em custos. Os números que circulam na internet não têm fonte. O que funciona é revisar todo mês e acompanhar o custo por venda: o total de custos dividido pelo número de vendas do mês.
Se o custo por venda cai mês a mês, os cortes estão funcionando. Se sobe, algo escapou. A revisão mensal leva menos de uma hora:
- Exporte o extrato bancário e a fatura do cartão do mês.
- Classifique cada saída na tabela de custos fixos e variáveis.
- Compare o custo por venda com o do mês anterior.
- Escolha um corte novo para testar no mês seguinte.
Às vezes o corte não basta para fechar o mês, porque o dinheiro entra depois que a conta vence. Aí o problema é capital de giro, o dinheiro que mantém a operação rodando entre a compra e o recebimento. Nesse caso, o capital de giro para o MEI do Juca cai por Pix na conta da empresa, com fatura semanal, depois de análise do CNPJ e do CPF do titular. Crédito tem juros e encargos: compare o CET (Custo Efetivo Total) antes de contratar e só faz sentido se o corte de custos já foi feito.
Perguntas frequentes
O que é possível fazer para reduzir os custos de uma empresa?
Para reduzir os custos de uma empresa, siga três etapas. Primeiro, faça o mapa de tudo o que saiu no último mês, separando fixo de variável. Depois, corte o que o cliente não percebe, como tarifas, desperdício e assinaturas. Por fim, revise todo mês acompanhando o custo por venda, para o gasto não voltar.
No Juca, o dinheiro cai no Pix
- Antecipação do FGTS no Pix: para quem tem saldo no saque-aniversário.
- Consignado CLT no Pix: parcela descontada na folha de pagamento.
- Empréstimo para negativado no Pix: com análise de crédito.
- Antecipação de Salário no Pix: até R$ 150 na hora depois da aprovação.
- Pix Parcelado: Pix com o limite do cartão, em até 12x na fatura.
- Empréstimo pessoal no Pix: de R$ 500 a R$ 2.500, também para autônomo e aposentado.
- Empréstimo para MEI no Pix: capital de giro que cai na conta da empresa, com fatura semanal.
- Empréstimo na conta de luz no Pix: de R$ 400 a R$ 4.000, em até 24x na conta de luz.
Em todas as modalidades, o Juca libera na hora depois da aprovação. A análise pode recusar ou liberar valor menor.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria financeira ou contábil. Condições variam por instituição e dependem de análise de crédito. O Juca atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras; o crédito para empresa é concedido por BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A., CNPJ 34.337.707/0001-00.
Fontes
- Agência Sebrae: Gasto com conta de luz chega a 10% do faturamento do pequeno negócio
- ANEEL: Bandeiras tarifárias
- Banco Central do Brasil: Resolução CMN nº 3.919/2010
- Portal do Empreendedor: Pagamento de contribuição mensal (DAS)
- Planalto: Lei nº 8.245/1991 (Lei do Inquilinato)
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ), é Correspondente Bancário certificado Febraban (FBB100) e tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Veja os artigos do autor.