Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em outubro de 2026
SCR Banco Central Registrato resume-se assim: o SCR é o histórico de crédito que bancos e financeiras enviam ao Banco Central, e o Registrato é o serviço gratuito para consultá-lo com a conta gov.br. O SCR não é lista de negativados: ele registra também as dívidas pagas em dia.
Resposta rápida:
- O SCR mostra empréstimos, financiamentos e cartão informados pelas instituições, em dia ou atrasados.
- A consulta é gratuita no Registrato, com a conta gov.br e verificação em duas etapas.
- O SCR não é nome sujo, mas os bancos o consultam, com sua autorização, antes de emprestar.
- Dado errado se corrige na instituição que informou e, depois, na ouvidoria dela.
Neste guia
O que é o SCR do Banco Central?
O SCR do Banco Central é o Sistema de Informações de Crédito (SCR), uma base mantida pelo Banco Central do Brasil (BC) com as operações de crédito que as instituições financeiras são obrigadas a informar. Ele serve para o BC acompanhar o crédito no país e para as instituições trocarem informações entre si.
Quem responde à pergunta “o que é SCR” com precisão olha a norma. A Resolução CMN nº 5.037/2022 (CMN = Conselho Monetário Nacional) obriga bancos, cooperativas de crédito, financeiras e sociedades de crédito direto a enviar os dados.
Pela mesma resolução, entram no SCR estas operações:
- Empréstimos e financiamentos, inclusive consignado e crédito pessoal.
- Adiantamentos e arrendamento mercantil (leasing).
- Garantias prestadas, como aval e fiança.
- Compromissos de crédito, como limite contratado e não usado.
- Créditos baixados como prejuízo pela instituição.
- Operações com instrumentos de pagamento pós-pagos, como o cartão de crédito.
Segundo o Banco Central, o cliente aparece identificado no SCR quando a soma das operações dele chega a R$ 200 ou mais (Circular BCB nº 3.870/2017, art. 1º, I). Abaixo disso, o dado vai agregado, sem identificar a pessoa. O piso vale para o total das suas operações, não para cada contrato.
A mesma resolução permite ao Banco Central repassar dados do SCR aos gestores de bancos de dados do Cadastro Positivo que tenham convênio com ele, exceto os de quem pediu para sair do cadastro. Para entender como isso se encaixa no crédito de quem já tem restrição, veja o guia de empréstimo para negativado.
O SCR é o mesmo que nome sujo?
Não. O SCR não é uma lista de negativados, porque registra todas as operações, as pagas em dia e as atrasadas. “Nome sujo” é a negativação nos birôs privados, como Serasa, SPC e Boa Vista, feita depois de um atraso.
Isso não quer dizer que o SCR seja indiferente. As instituições o consultam, com a sua autorização, antes de emprestar, e um atraso ou um prejuízo registrado costuma pesar nessa análise.
O Registrato também não mostra pontuação. Score é calculado pelos birôs, e as faixas estão explicadas em qual score é bom.
O SCR e o Registrato são a mesma coisa?
O SCR e o Registrato não são a mesma coisa: o SCR é a base de dados, e o Registrato é a porta pela qual o cidadão consulta o que existe em seu nome. O Registrato é um serviço do Banco Central que reúne vários relatórios num só lugar, todos sobre você.
Segundo a página do gov.br sobre os relatórios do Registrato, o serviço oferece, entre outros:
- Relatório de Empréstimos e Financiamentos, que é o relatório do SCR.
- Relatório de Contas e Relacionamentos em Bancos, o CCS.
- Relatório de Chaves Pix cadastradas no seu CPF.
- Relatório de Câmbio e Transferências Internacionais.
- Outros relatórios, como cheques sem fundos.
O uso mais útil do Registrato, além de ver dívidas, é a proteção contra fraude. No CCS aparecem as contas abertas no seu CPF. No relatório de Chaves Pix aparecem as chaves ligadas ao seu nome. No SCR aparece empréstimo que você nunca pediu.
Atenção: se o Registrato mostrar conta, chave Pix ou empréstimo que você não reconhece, trate como possível fraude. Salve o PDF do relatório e siga o roteiro de correção da seção sobre SCR errado.
Muita gente procura o serviço como “meu BC Registrato” porque ele fica na área Meu BC do site do Banco Central. O acesso, porém, é sempre pelo login gov.br.
Como consultar o Registrato de graça
Para consultar o Registrato de graça, basta entrar com a conta gov.br e pedir o relatório desejado. Segundo a página oficial do serviço no gov.br, o relatório do SCR é gratuito, exige conta nível Prata ou Ouro e verificação em duas etapas habilitada.
Veja como consultar o Registrato pelo celular ou pelo computador:
- Acesse a área Meu BC, no site do Banco Central, pelo link da página do serviço no gov.br.
- Entre com a conta gov.br e confirme a verificação em duas etapas.
- Escolha o Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR).
- Gere o relatório, que sai na hora, no próprio sistema.
- Baixe o PDF e guarde uma cópia, principalmente se pretende contestar algo.
Se a sua conta gov.br não tiver o nível exigido, o sistema não libera o relatório. Nesse caso, suba o nível da conta no próprio gov.br antes de tentar de novo. Os nomes dos botões podem mudar com o tempo; o caminho é sempre Meu BC, login gov.br e o relatório SCR.
Empresa também pode consultar. Segundo a mesma página do gov.br, a pessoa jurídica acessa com certificado digital vinculado à conta gov.br, também com nível Prata ou Ouro e verificação em duas etapas. Para o MEI, conhecer o próprio relatório ajuda antes de buscar um empréstimo para MEI.
Como ler o relatório: em dia, vencido e prejuízo
O Relatório de Empréstimos e Financiamentos separa cada dívida por instituição, por tipo de operação e por situação: a vencer, vencida ou prejuízo. A norma manda informar a operação esteja ela em dia ou não, por isso contrato pago corretamente também aparece.
| Status | O que significa | Pesa na análise? | O que fazer |
|---|---|---|---|
| A vencer | Parcelas futuras de um contrato em dia | Costuma pesar só como comprometimento de renda | Conferir se o contrato é seu |
| Vencido | Parcelas em atraso | Costuma pesar negativamente | Negociar com a instituição credora |
| Prejuízo | Dívida que a instituição deu como perdida na contabilidade | Costuma pesar bastante | Quitar ou negociar; a cobrança continua |
| Limite e coobrigação | Limite contratado e garantias que você deu, como aval | Pode pesar, conforme a política de cada instituição | Avaliar limites que não usa |
Os nomes podem variar um pouco no seu relatório, então confira a nomenclatura exata no PDF. O importante é a lógica: a vencer é o futuro, vencido é o atraso e prejuízo é o atraso que a instituição já lançou como perda.
O que é prejuízo no SCR
Prejuízo no SCR é a dívida que a instituição baixou da contabilidade por considerar difícil receber. Isso não perdoa a dívida: a cobrança pode continuar. A Resolução CMN 5.037 inclui os créditos baixados como prejuízo entre as operações informadas.
Para tirar o registro de vencido ou prejuízo, o caminho é quitar ou renegociar e aguardar a instituição atualizar o dado. Quanto tempo o registro continua visível no histórico não é algo que este guia afirme, porque varia conforme a regra vigente e a instituição.
Exemplo ilustrativo de uma linha do relatório
O exemplo a seguir é ilustrativo e não usa dado de cliente real. Imagine esta linha: “Banco X, empréstimo pessoal, a vencer R$ 1.800,00, vencido R$ 0,00, prejuízo R$ 0,00”. Ela diz que você tem um contrato em dia, com R$ 1.800 ainda a pagar.
Se a mesma linha mostrar “vencido R$ 600,00”, há parcelas em atraso. Se o valor migrar para a coluna de prejuízo, o banco já lançou a dívida como perda. Em todos os casos, a instituição que aparece na linha é quem responde pelo dado.
SCR errado: o que fazer?
Com o SCR errado, o primeiro passo é procurar a instituição que enviou a informação, não o Banco Central. Pela Resolução CMN 5.037, os dados do SCR são de responsabilidade da instituição remetente, inclusive correções, exclusões e o registro da sua discordância.
A mesma resolução obriga a instituição a divulgar como pedir a correção. Para corrigir SCR com erro, siga esta ordem:
- Confira o relatório no Registrato e salve o PDF com a data.
- Peça a correção à instituição que informou o dado e anote o protocolo.
- Peça o registro da sua discordância, se a instituição não corrigir.
- Leve o caso à ouvidoria da instituição, com o protocolo anterior.
- Se não resolver, registre uma reclamação no Banco Central.
Guardar protocolos e o PDF do relatório faz diferença em cada etapa, porque cada instituição define o próprio prazo de resposta.
Caso de fraude: se o SCR mostra empréstimo que você nunca contratou, registre boletim de ocorrência, avise a instituição por escrito pedindo a exclusão e confira também o CCS e as Chaves Pix no Registrato, porque o golpista costuma abrir conta antes.
Dá para tirar o nome do SCR?
Não existe como tirar o nome do SCR, porque ele registra operações reais, inclusive as pagas em dia. O que muda é a situação: ao quitar ou renegociar, a instituição atualiza o dado e o atraso deixa de aparecer como vencido. Informação errada se corrige com a instituição que a enviou.
Qual a diferença entre SCR e Serasa/SPC?
A diferença entre SCR e Serasa/SPC é quem mantém e o que se registra: o SCR é do Banco Central e guarda o histórico completo de crédito, enquanto Serasa, SPC e Boa Vista são empresas privadas que registram negativações e calculam score.
| Item | SCR | Serasa, SPC e Boa Vista |
|---|---|---|
| Quem mantém | Banco Central do Brasil | Empresas privadas |
| Quem informa | Instituições financeiras, por obrigação | Credores em geral, inclusive lojas |
| Registra pagamento em dia? | Sim | Só pelo Cadastro Positivo |
| É negativação? | Não | Sim, no registro de dívida |
| Calcula score? | Não | Sim |
| Onde consultar grátis | Registrato | Site de cada birô |
A comparação completa entre os três birôs fica para o guia sobre a diferença entre SPC, Serasa e Boa Vista. Se o que você procura é crédito avaliado por outros critérios, veja como funciona o empréstimo sem consulta ao SPC e Serasa.
O que o banco enxerga, e como o Juca analisa
Quando você pede crédito, cada instituição decide o que consultar. No Empréstimo Pessoal do Juca, a análise usa o Open Finance, com dados bancários que você autoriza, e não uma consulta ao SPC ou à Serasa. Há análise de crédito, e ela pode recusar o pedido ou aprovar um valor menor.
O empréstimo pessoal online do Juca vai de R$ 500 a R$ 2.500, em até 6 parcelas mensais pagas por Pix. A taxa, o CET (Custo Efetivo Total, que soma juros, IOF e encargos) e o total a pagar aparecem na tela antes da assinatura. O Pix cai em até 10 minutos depois de aprovado e assinado.
Quer ver quanto você conseguiria? Simule o empréstimo pessoal do Juca, confira o CET e o total antes de assinar.
No Juca, o dinheiro cai no Pix:
- Antecipação do FGTS no Pix: adiante parcelas do saque-aniversário, liberadas na hora depois da aprovação.
- Consignado CLT no Pix: crédito com desconto em folha para quem tem carteira assinada.
- Empréstimo para negativado no Pix: opções para quem está com o nome restrito.
- Antecipação de Salário no Pix: até R$ 150 liberados na hora depois da aprovação.
- Pix Parcelado: Pix na hora com o limite do cartão, em até 12x na fatura.
- Empréstimo pessoal no Pix: de R$ 500 a R$ 2.500, também para autônomo e aposentado.
- Empréstimo para MEI no Pix: capital de giro que cai na conta da empresa, com fatura semanal.
- Empréstimo na conta de luz no Pix: de R$ 400 a R$ 4.000, em até 24x na conta de luz.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria financeira. Condições, taxas e aprovação variam conforme a instituição e a análise de crédito. O Juca (JUCA INTERMEDIACOES E SERVICOS LTDA, CNPJ 48.225.686/0001-45) atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras; o Empréstimo Pessoal é concedido pela BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A., CNPJ 34.337.707/0001-00.
Fontes
- Conselho Monetário Nacional: Resolução CMN nº 5.037/2022 (SCR)
- Banco Central do Brasil: Circular BCB nº 3.870/2017
- gov.br: Obter relatório do Sistema de Informações de Crédito (SCR)
- gov.br: Autenticidade de relatórios emitidos pelo Registrato
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ) e Correspondente Bancário certificado Febraban (FBB100), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Ver todos os artigos do Tom