Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em setembro de 2026
Empréstimo com garantia de moto é o crédito em que você usa uma moto quitada e no seu nome como garantia. A moto fica alienada à instituição, você continua usando e, quando paga tudo, a restrição sai do documento. O valor liberado é uma parte do valor da tabela FIPE, e cada instituição define o percentual e a idade máxima aceita.
Resposta rápida:
- A moto precisa estar quitada, no seu nome e com o CRLV sem restrição.
- Em geral o valor liberado é menor que na garantia de carro, e menos instituições aceitam moto.
- A idade máxima da moto muda de uma instituição para outra.
- Se as parcelas não forem pagas, a moto pode ser retomada pela instituição.
- Para quem é CLT, a antecipação de FGTS e o consignado CLT não colocam um bem em risco.
Neste guia
- Como funciona o empréstimo com garantia de moto
- O que muda quando a garantia é moto, e não carro
- Preciso de seguro para fazer empréstimo com garantia de moto?
- O que acontece se eu não pagar o empréstimo com garantia de moto?
- Qual banco aceita moto como garantia?
- Vale a pena? Compare antes de dar a moto em garantia
Como funciona o empréstimo com garantia de moto
O empréstimo com garantia de moto funciona assim: a instituição avalia a moto, empresta uma parte do valor dela e registra a moto como garantia no documento. Você segue rodando com ela normalmente enquanto paga as parcelas.
É uma modalidade de empréstimo pessoal com garantia. Como a instituição tem um bem para recuperar se a dívida não for paga, os juros costumam ser menores que no crédito pessoal sem garantia. Quem procura essa modalidade geralmente quer exatamente isso: juros menores sem vender a moto.
O mecanismo jurídico é a alienação fiduciária. A alienação fiduciária é a regra em que a propriedade da moto fica com o credor até a quitação, enquanto você fica com a posse e o uso.
Ela está nos artigos 1.361 a 1.368-B do Código Civil (Lei nº 10.406/2002). A explicação completa, com o passo a passo do registro, está no guia de empréstimo com garantia de veículo.
Na prática, o pedido costuma seguir estes passos:
- Envie os dados da moto e o CRLV sem restrição para a instituição.
- Faça a vistoria, que confere o estado, a quilometragem e a numeração da moto.
- Receba a proposta com valor, prazo, parcela e CET antes de assinar.
- Assine o contrato, que registra a alienação fiduciária no documento.
- Receba o dinheiro na conta, em geral por Pix ou TED.
Refinanciamento de moto é a mesma coisa?
Refinanciamento de moto é o nome que muitas instituições dão ao mesmo produto: você usa uma moto que já é sua para pegar dinheiro, com a mesma alienação fiduciária no documento. O termo refinanciamento de veículo vem daí, porque a moto volta a ter um contrato com garantia, mesmo já sendo do proprietário.
Já o financiamento é outra coisa: ele serve para comprar a moto, que ainda não é sua, e a garantia nasce junto com a compra, não depois dela. Quem já tem a moto quitada e quer dinheiro novo está no caso do refinanciamento; quem ainda não tem a moto está no caso do financiamento. Esse segundo caso tem guia próprio, sobre financiamento de moto.
O que muda quando a garantia é moto, e não carro
Quando a garantia é moto, e não carro, mudam quatro coisas: o valor liberado costuma ser menor, a idade máxima aceita pesa mais, menos instituições trabalham com moto e o seguro vira uma dúvida maior. A regra jurídica é a mesma do empréstimo com garantia de veículo.
Valor menor. A base da avaliação costuma ser a tabela FIPE, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, que publica preços médios de veículos. Uma moto vale menos que a maioria dos carros, então o valor emprestado também sai menor. A instituição libera só uma parte da FIPE, e essa parte não é fixada por norma nenhuma.
Idade máxima da moto. A idade máxima da moto é o limite de anos de fabricação que a instituição aceita. Não existe regra oficial, e o que se vê no mercado diverge muito: há quem aceite motos bem antigas e quem recuse modelos com poucos anos. Pergunte o limite antes de agendar a vistoria, para não perder tempo.
Aceitação menor. Menos instituições trabalham com moto como garantia do que com carro. Moto desvaloriza, tem mais risco de roubo e custa menos para revender, o que reduz o interesse de parte do mercado.
Seguro. O seguro pesa mais na decisão com moto, e por isso tem seção própria logo abaixo.
| Critério | Moto | Carro |
|---|---|---|
| Valor liberado | Em geral menor, porque a moto vale menos na FIPE | Em geral maior |
| Idade máxima aceita | Varia por instituição, costuma pesar mais | Varia por instituição |
| Aceitação no mercado | Menos instituições trabalham com moto | Mais instituições aceitam |
| Seguro | Dúvida maior, pelo risco de roubo | Confira no contrato |
| Desvalorização | Costuma ser mais rápida | Varia por modelo |
Atenção: a moto precisa estar quitada e com o CRLV sem restrição. Se ainda houver financiamento ou outra alienação no documento, ela não serve como garantia até a baixa.
Preciso de seguro para fazer empréstimo com garantia de moto?
Para fazer empréstimo com garantia de moto, não existe norma oficial que torne o seguro obrigatório. Ele é uma cláusula do contrato, e cada instituição decide se pede ou não. Por isso a resposta certa é: leia o contrato antes de assinar.
O ponto que quase ninguém explica é este: se a moto for roubada ou tiver perda total, a dívida continua. Você segue devendo as parcelas, mesmo sem a moto. Sem seguro, o prejuízo fica todo com você.
Se a instituição condicionar o empréstimo à contratação de um seguro dela, isso pode ser venda casada. O Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), art. 39, I, proíbe condicionar um produto à compra de outro. Você pode ter direito a escolher a seguradora.
O que conferir no contrato sobre o seguro da moto no empréstimo:
- Existência de exigência de seguro, e em que termos ela aparece.
- Liberdade para escolher a seguradora, sem imposição da instituição.
- Inclusão do custo do seguro no CET da operação.
- Beneficiário da indenização em caso de roubo ou perda total.
- Coberturas incluídas: roubo, furto, colisão e perda total.
O que acontece se eu não pagar o empréstimo com garantia de moto?
Se você não pagar o empréstimo com garantia de moto, a instituição pode pedir na Justiça a busca e apreensão da moto. É o risco central da modalidade: o juro menor existe justamente porque o bem pode ser retomado.
O processo está no Decreto-Lei nº 911/1969. Em caso de atraso, o credor pode pedir a liminar de busca e apreensão. Depois de cumprida a liminar, o devedor tem 5 dias para pagar a dívida integral. Se não pagar, a propriedade da moto se consolida em favor do credor.
Depois disso, a instituição pode vender a moto para cobrir a dívida. Se a venda não cobrir tudo, o saldo que faltar pode continuar sendo cobrado. O atraso também pode levar o seu CPF aos cadastros de inadimplentes.
Se perceber que não vai conseguir pagar, procure a instituição antes do atraso e peça uma renegociação por escrito. A conversa costuma ser mais fácil antes do processo começar.
O risco real: a moto costuma ser ferramenta de trabalho. Perder a moto pode significar perder a renda que pagaria as outras contas. Pese isso antes de assinar.
Empréstimo com garantia de moto para negativado
Quem tem o nome negativado também pode buscar empréstimo com garantia de moto: a garantia pesa a favor na análise de crédito, porque a instituição tem um bem para recuperar. Isso não significa aprovação garantida, já que cada instituição faz a própria análise e pode recusar o pedido. Para outras saídas de quem está com o nome sujo, veja o guia de empréstimo para negativado.
Qual banco aceita moto como garantia?
Qual banco aceita moto como garantia não se responde com uma lista de nomes, porque as condições mudam o tempo todo. A resposta útil é saber o que conferir em qualquer instituição antes de entregar os documentos da moto.
Comece pela autorização. A instituição que concede o crédito deve ser uma instituição autorizada pelo Banco Central. Você confere isso de graça na página Encontre uma instituição, do Banco Central do Brasil (BCB). Se quem oferece for correspondente bancário, pergunte o nome da instituição financeira por trás e confira também.
O checklist antes de assinar:
- Confira a autorização da instituição no site do Banco Central.
- Peça o CET, Custo Efetivo Total, em % a.m. e % a.a.
- Compare o valor da parcela e o total a pagar entre propostas.
- Leia a cláusula de alienação fiduciária e o que acontece em atraso.
- Verifique seguro, tarifas de avaliação e registro do contrato.
- Recuse qualquer pedido de pagamento antecipado para liberar o crédito.
O CET, Custo Efetivo Total, soma juros, IOF, tarifas e seguros num número só. É ele que permite comparar propostas diferentes. A divulgação do CET é regulada pelo Conselho Monetário Nacional, na Resolução CMN nº 4.881/2020.
Sinal de golpe: instituição séria não cobra taxa, depósito ou “seguro” antes de liberar o dinheiro. Pedido de pagamento antecipado é motivo para parar a negociação.
Vale a pena? Compare antes de dar a moto em garantia
O empréstimo com garantia de moto pode fazer sentido se o juro for bem menor que o do crédito pessoal e se a parcela couber folgada no orçamento. Se houver risco de atraso, o custo real inclui a chance de perder a moto.
Para ter uma ideia da diferença, veja as taxas médias do mercado. Segundo o Banco Central, a taxa média do crédito pessoal não consignado foi de 6,42% a.m. em julho de 2026 (série SGS 25464). Segundo o Banco Central, a taxa média da aquisição de veículos para pessoa física foi de 1,98% a.m. no mesmo mês (série SGS 25471, 2026). A segunda é referência de crédito com veículo como garantia, não a taxa do produto com moto.
| Item | Sem garantia (6,42% a.m.) | Com garantia de veículo (1,98% a.m.) |
|---|---|---|
| Valor liberado | R$ 5.000,00 | R$ 5.000,00 |
| Número de parcelas | 24 | 24 |
| Valor da parcela | R$ 413,99 | R$ 263,76 |
| Total a pagar | R$ 9.935,73 | R$ 6.330,17 |
| Taxa de juros (a.m./a.a.) | 6,42% a.m. (111,0% a.a.) | 1,98% a.m. (26,5% a.a.) |
Valores exclusivamente ilustrativos, calculados pela Tabela Price com as taxas médias do Banco Central. Não representam oferta de nenhuma instituição nem do Juca. A linha “Taxa de juros” acima ainda não é o CET: na operação real entra o IOF de 0,38% mais 0,0082% ao dia (Decreto nº 6.306/2007, art. 7º), além de tarifas e seguro, que elevam o CET acima da taxa de juros mostrada na tabela.
Se você trabalha com carteira assinada, há caminhos que não colocam a moto em risco. A antecipação de FGTS usa o saldo do saque-aniversário como garantia. O consignado CLT, o Crédito do Trabalhador, desconta a parcela direto do salário. Nos dois casos a garantia não é um bem que você usa para trabalhar.
Existem ainda outras garantias. O empréstimo com garantia de celular atende valores menores, e o crédito com garantia judicial usa um valor a receber de processo. Para valores altos, há o empréstimo com garantia de imóvel.
Perguntas frequentes
A moto fica no nome de quem durante o empréstimo?
A moto continua registrada no seu nome, mas o documento passa a mostrar a alienação fiduciária em favor da instituição. Você é o possuidor e usa a moto; o credor detém a propriedade fiduciária até a quitação. Depois do último pagamento, a instituição informa a quitação e a restrição é retirada do registro.
Empréstimo com garantia de moto ou de carro, qual compensa mais?
Compensa mais a opção com menor CET e parcela que caiba no orçamento, independentemente do veículo. O carro costuma permitir valor maior, e a moto atende quem precisa de menos. Peça o CET das duas propostas em % a.m. e % a.a. e compare também o total a pagar, não só a parcela.
Posso usar a moto normalmente durante o contrato?
Sim, em regra você continua com a posse e usa a moto normalmente enquanto paga. O que muda é que não pode vendê-la nem transferi-la sem quitar a dívida ou ter a autorização do credor. Confira no contrato as obrigações de conservação e de manter os documentos em dia.
Trabalha com carteira assinada? Antes de dar a moto em garantia, veja quanto pode antecipar do saque-aniversário do FGTS. O Juca libera na hora depois da aprovação, e o CET aparece na tela antes da assinatura.
Prefere parcela descontada no salário? Simule o Crédito do Trabalhador, o consignado CLT, com toda a contratação pelo site.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria financeira. Condições, taxas e aprovação variam por instituição e dependem de análise de crédito. O Juca não oferece empréstimo com garantia de moto. O Juca (JUCA INTERMEDIAÇÕES E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 48.225.686/0001-45) atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras, nos termos da Resolução CMN nº 3.954/2011, e não é instituição financeira.
Fontes
- Banco Central do Brasil: Série SGS 25464, taxa média do crédito pessoal não consignado
- Banco Central do Brasil: Série SGS 25471, taxa média de aquisição de veículos PF
- Banco Central do Brasil: Encontre uma instituição
- Banco Central do Brasil: Resolução CMN nº 4.881/2020
- Planalto: Código Civil, Lei nº 10.406/2002
- Câmara dos Deputados: Decreto-Lei nº 911/1969
- Planalto: Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078/1990
- Planalto: Decreto nº 6.306/2007, IOF
- FIPE: Tabela FIPE de veículos
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção pela UFRJ e Correspondente Bancário certificado Febraban (FBB100), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Ver todos os artigos