Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em outubro de 2026
Fiz um Pix errado, e agora? Primeiro, peça ao seu banco que contate a instituição de quem recebeu o dinheiro. Quando o erro é seu, na chave, no valor ou no destinatário, o Pix não volta sozinho. O Mecanismo Especial de Devolução (MED), do Banco Central do Brasil, vale só para fraude ou falha operacional. A devolução depende de quem recebeu.
Resposta rápida:
- Pix confirmado não se cancela, e a devolução depende de quem recebeu.
- Seu banco pode contatar a instituição do recebedor e pedir a devolução.
- O MED não cobre erro do próprio pagador, só fraude ou falha operacional.
- Se a pessoa não devolver, registre boletim de ocorrência e procure o Juizado Especial Cível.
- Ficar com dinheiro recebido por erro pode ser crime, pelo Código Penal, art. 169.
Neste guia
Pix errado: o que fazer nos primeiros minutos
Num Pix errado, o que fazer primeiro é juntar as provas e abrir um pedido no seu banco. Quanto antes o pedido existir, mais fácil fica para a instituição pagadora (o seu banco) falar com a instituição recebedora (o banco de quem recebeu).
O Pix virou o meio de pagamento do dia a dia, e por isso o erro de digitação é comum. Segundo o Banco Central do Brasil, o Pix somou quase 80 bilhões de transações em 2025 (Relatório de Gestão do Pix). Ainda segundo o Banco Central, esse volume representou alta de 25,7% sobre 2024, o que também explica por que o número de erros de digitação cresce junto.
Se quiser entender a mecânica por trás da transferência, como chaves e confirmação, o guia de como funciona o Pix explica o básico. Aqui, o foco é o que fazer agora, passo a passo:
- Abra o comprovante do Pix no app do seu banco.
- Copie o identificador da transação, o código que começa com “E” (ID ou E2E).
- Anote o nome, a instituição recebedora e a chave que aparecem no comprovante.
- Acesse a área de Ajuda ou Pix do app e procure a opção de contestar ou pedir devolução.
- Se o app não tiver a opção, ligue no SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) do banco.
- Anote o número de protocolo e guarde print de tudo.
Não tente achar a pessoa por conta própria nas redes sociais nem mande mensagem com tom de ameaça. O canal certo é o banco, que fala com o outro banco sem expor os seus dados nem os do recebedor.
Um exemplo ajuda. Ana queria mandar R$ 300 para a irmã, digitou um número de celular com um dígito trocado e o Pix caiu na conta de um desconhecido. Ela abriu o comprovante, copiou o ID, viu o nome e o banco do recebedor e registrou o pedido no app. O banco dela repassou a solicitação ao banco do recebedor. A partir daí, a devolução dependia do recebedor aceitar.
Mandei Pix para pessoa errada: é erro meu ou fraude?
Quem mandou Pix para pessoa errada por engano próprio está num caso de erro do usuário, não de fraude. A diferença muda tudo: o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central do Brasil foi feito só para fundada suspeita de fraude ou falha operacional de uma instituição.
O guia oficial do MED é explícito: não é falha operacional o caso em que o Pix foi devidamente iniciado pelo pagador e o valor foi corretamente creditado ao recebedor (Banco Central do Brasil: Guia do MED). Ou seja, se você digitou a chave errada, o sistema funcionou como deveria.
| Situação | É caso de MED? | Caminho | Onde ler mais |
|---|---|---|---|
| Chave Pix digitada errada | Não | Pedido ao banco e devolução voluntária | Esta página |
| Valor digitado errado | Não | Pedido ao banco e devolução voluntária | Esta página |
| Pessoa errada escolhida | Não | Pedido ao banco e devolução voluntária | Esta página |
| Golpe ou fraude | Sim | MED pelo seu banco | Guia de estorno de Pix |
| Falha do banco | Sim | MED pelo seu banco | Guia de estorno de Pix |
Fiz Pix para conta errada ou digitei a chave errada
Quem fez Pix para conta errada, digitou a chave errada ou trocou o valor está no grupo do erro do pagador. Não existe estorno automático nesse caso: o sistema processou exatamente o que foi pedido, e por isso o Mecanismo Especial de Devolução não se aplica. O que existe é a devolução voluntária, prevista no próprio guia do Banco Central: o recebedor pode devolver o valor a critério dele, usando a função do comprovante, e o seu banco pode intermediar esse pedido junto à instituição recebedora. Esse é o caminho detalhado nas próximas seções, e é também o motivo pelo qual conferir o nome na tela de confirmação antes de enviar vale mais do que tentar reverter depois.
Caí em golpe: o caminho é outro
Se alguém enganou você para fazer o Pix, com perfil falso, falso parente ou falsa central telefônica do banco, o caso muda de natureza: deixa de ser erro do pagador e passa a ser fraude. Nessa situação, o Mecanismo Especial de Devolução pode ser acionado pelo seu banco, que tem o dever de analisar o pedido e, se confirmada a fraude, bloquear os valores ainda disponíveis na conta do golpista antes que ele consiga sacar ou transferir. Os prazos, os documentos exigidos e o passo a passo completo da contestação estão no guia de como estornar um Pix. O ponto prático aqui é a urgência: avise o banco no mesmo dia. Pelo Guia do MED, a contestação pode ser aberta até 80 dias depois do Pix, o banco do recebedor tem até 7 dias corridos para analisar e o bloqueio cautelar dos valores dura até 72 horas, mas o dinheiro só volta se ainda houver saldo na conta do golpista (Banco Central do Brasil: Guia do MED).
Como recuperar Pix enviado errado
Para recuperar Pix enviado errado, o caminho é conseguir que o recebedor devolva o valor, com a ajuda do seu banco. Há três formas de chegar lá, e elas costumam acontecer nessa ordem.
O Banco Central do Brasil diz que o próprio recebedor pode devolver, a seu critério, qualquer Pix creditado na conta dele, e que isso é uma ação discricionária, ou seja, depende da vontade dele (Guia do MED). Não há obrigação automática.
- Contato pelo banco: sua instituição pagadora avisa a instituição recebedora, que pode comunicar o cliente dela.
- Devolução voluntária: o recebedor usa a função “devolver” no próprio comprovante, sem fazer um Pix novo.
- Pedido formal: você registra a reclamação com protocolo, o que vira prova se for preciso ir adiante.
A função de devolução fica do lado de quem recebeu. Pelo Guia do MED, o recebedor pode devolver o valor, total ou em partes, em até 90 dias contados da data do Pix original. É uma ação voluntária: o guia não obriga o recebedor a devolver.
Atenção a golpe em cima do erro: se alguém disser que recebeu seu Pix e pedir que você mande outro valor para “liberar” a devolução, desconfie. A devolução legítima é feita pela função do próprio Pix, pelo recebedor, sem você pagar nada.
Se você também recebeu um Pix que não era seu, o caminho é o mesmo ao contrário: use a função de devolver no comprovante. Não transfira para uma chave indicada por quem diz ser o dono do dinheiro, porque esse é um golpe conhecido.
No exemplo da Ana, o banco dela registrou o pedido e o banco do recebedor avisou o cliente. Ele abriu o comprovante, tocou em “devolver” e os R$ 300 voltaram para a conta dela. Quando o recebedor coopera, é assim que termina. Quando não coopera, vale a próxima seção.
Pix errado: não devolveram, o que fazer?
No Pix errado em que não devolveram, o que fazer é subir de nível: ouvidoria do banco, reclamação nos canais oficiais, boletim de ocorrência e, por fim, a ação no Juizado Especial Cível. Cada etapa deixa um registro que fortalece a seguinte.
Ouvidoria e reclamação
Se o atendimento do banco não resolveu, procure a ouvidoria da instituição com o protocolo do SAC em mãos. Pelo Banco Central, o SAC tem cinco dias úteis para resolver a demanda e a ouvidoria tem dez dias úteis, prorrogáveis excepcionalmente por igual período, e o próprio Banco Central orienta o consumidor a acionar esse canal antes de recorrer a ele diretamente. Também dá para registrar reclamação no Banco Central do Brasil ou no consumidor.gov.br, mas é importante saber o limite desse canal: o BC não impõe reembolso nem resolve o caso individual entre você e o recebedor. Registrada a reclamação, a instituição tem dez dias úteis para responder. O BC cobra essa resposta e usa o conteúdo da reclamação para supervisão do mercado, não para decidir quem fica com o dinheiro (Banco Central do Brasil: uso das reclamações).
Boletim de ocorrência
O boletim de ocorrência registra oficialmente que você mandou o dinheiro por erro e pediu de volta sem sucesso, o que cria um histórico de boa-fé caso o caso vá parar na Justiça. Leve o comprovante com o ID da transação, o protocolo aberto no banco e qualquer resposta recebida, por escrito ou por print de tela. Muitos estados aceitam o registro pela delegacia online, sem precisar ir pessoalmente a um distrito policial, o que torna esse passo rápido mesmo para quem trabalha o dia todo.
Juizado Especial Cível
O Juizado Especial Cível julga causas de até 40 salários mínimos, e nas de até 20 salários mínimos a pessoa pode entrar com a ação sem precisar de advogado, pela Lei nº 9.099/1995, arts. 3º e 9º. Na prática, para um Pix errado, você leva o comprovante da transação, o protocolo do pedido ao banco e o boletim de ocorrência, e pede que o juiz determine a devolução. O banco pode ser obrigado por ordem judicial a informar os dados do recebedor, o que ajuda quando a instituição recebedora não colabora espontaneamente com a investigação interna.
| Caminho | Quem aciona | Prazo | Fonte |
|---|---|---|---|
| Devolução voluntária | Recebedor, a pedido do banco | Até 90 dias do Pix original, a critério do recebedor | Guia do MED (BCB) |
| Ouvidoria do banco | Você | 10 dias úteis, prorrogáveis por igual período | Banco Central do Brasil |
| Reclamação no BC | Você | Instituição responde em 10 dias úteis | BCB |
| Boletim de ocorrência | Você | Sem prazo fixado aqui | Polícia Civil do estado |
| Juizado Especial Cível | Você | Causas até 40 salários mínimos | Lei nº 9.099/1995 |
| MED | Seu banco | Não vale para erro do pagador | Guia de estorno de Pix |
Quem recebe Pix errado e não devolve comete crime?
Quem recebe Pix errado e fica com o dinheiro pode cometer o crime de apropriação de coisa havida por erro, previsto no art. 169 do Código Penal. A pena é detenção de um mês a um ano, ou multa (Código Penal, Decreto-Lei nº 2.848/1940).
O texto da lei pune quem se apropria de coisa alheia que chegou às suas mãos por erro, caso fortuito ou força da natureza. Um Pix creditado por engano se encaixa nessa ideia, e por isso pix errado é crime quando o recebedor sabe do erro e se recusa a devolver.
Na conversa do dia a dia, muita gente chama isso de “apropriação indébita”, mas o nome técnico é outro. A apropriação indébita é o art. 168, que pune quem tinha a posse legítima de algo e se apropria dele, com pena maior, de um a quatro anos de reclusão. São crimes diferentes: na apropriação indébita a posse já era legítima desde o início; na apropriação de coisa havida por erro, a posse só existe porque algo deu errado no caminho.
Na prática, o registro do boletim de ocorrência é o que abre a investigação. A esfera criminal não substitui a cobrança do valor: para ter o dinheiro de volta, o caminho continua sendo o banco, a devolução voluntária ou o Juizado Especial Cível.
Como evitar mandar Pix errado
Evitar mandar Pix errado é questão de conferir a tela de confirmação antes de tocar em enviar. Ela mostra o nome e a instituição do recebedor, e é ali que a maioria dos erros pode ser pega.
- Confira o nome completo e o banco do recebedor antes de confirmar.
- Copie e cole a chave Pix em vez de digitar número por número.
- Prefira o QR Code quando a pessoa ou a loja oferecer.
- Faça um Pix de teste de valor baixo para destinatário novo.
- Salve os contatos frequentes como favoritos no app.
- Revise o valor, inclusive vírgula e zeros, antes de enviar.
Se o erro deixou você sem saldo para uma conta urgente, existem saídas de crédito, mas elas têm custo. O Pix Parcelado, por exemplo, usa o limite do cartão de crédito e cobra juros, com o CET (Custo Efetivo Total, o custo de tudo somado) mostrado antes da assinatura. Vale comparar antes de decidir.
Perguntas frequentes
Pix errado tem volta?
Pix errado tem volta quando o recebedor aceita devolver o valor. Pela regra do Banco Central do Brasil, a devolução por erro do pagador é voluntária, feita pela função do próprio comprovante Pix. Se ele se recusar, restam a ouvidoria, a reclamação ao BC, o boletim de ocorrência e o Juizado Especial Cível.
Banco é obrigado a devolver Pix enviado errado?
O banco não é obrigado a devolver um Pix que você mesmo enviou errado, porque a transação foi iniciada por você e creditada corretamente na conta de destino. O papel dele é encaminhar o pedido à instituição recebedora e responder às reclamações dentro do prazo regulatório. O dinheiro, enquanto isso, está na conta do recebedor.
Como registrar BO de Pix errado?
Para registrar BO de Pix errado, procure a delegacia ou a delegacia online do seu estado. Informe data, valor, ID da transação, nome e banco do recebedor e o protocolo do pedido ao seu banco. Anexe o comprovante e os prints das tentativas de contato pelo banco.
Ficou sem saldo por causa do erro? O Pix Parcelado do Juca envia um Pix usando o limite do cartão de crédito, com pagamento em até 12x na fatura. Há juros, e o CET aparece na tela antes de você assinar. Simule o Pix Parcelado e compare antes de decidir.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria jurídica ou financeira. Condições de crédito variam por instituição e dependem de análise. O Juca (JUCA INTERMEDIACOES E SERVICOS LTDA, CNPJ 48.225.686/0001-45) atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras, nos termos da Resolução CMN nº 3.954/2011. No Pix Parcelado, a instituição que concede o crédito é a BMP Money Plus Sociedade de Crédito Direto S.A. (CNPJ 34.337.707/0001-00).
Fontes
- Banco Central do Brasil: Guia do Mecanismo Especial de Devolução (MED)
- Banco Central do Brasil: Relatório de Gestão do Pix
- Banco Central do Brasil: Uso das reclamações registradas no BC
- Planalto: Código Penal, Decreto-Lei nº 2.848/1940, arts. 168 e 169
- Planalto: Lei nº 9.099/1995, Juizados Especiais
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ) e Correspondente Bancário certificado pela Febraban (FBB100), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Ver todos os artigos.