Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em outubro de 2026
A diferença entre CDB, CDI e Selic está no papel de cada um. A Selic é a taxa básica de juros definida pelo Copom. O CDI é a taxa dos empréstimos entre bancos e anda colado na Selic. O CDB é o investimento que usa o CDI como régua.
Resposta rápida:
- Selic é a taxa básica de juros, com meta de 13,75% ao ano definida pelo Copom.
- CDI é a taxa entre bancos, hoje em 13,65% ao ano, praticamente igual à Selic over.
- CDB é um título emitido por banco que rende um percentual do CDI, taxa fixa ou IPCA mais juros.
- Um CDB que paga 100% do CDI acompanha a Selic quase na mesma medida.
O que é a taxa Selic?
A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela serve de piso para quase todos os outros juros do país, do financiamento ao rendimento da renda fixa. Quem responde o que é taxa Selic, na prática, responde de onde nasce o preço do dinheiro no Brasil.
A Selic é definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária), grupo de diretores do Banco Central do Brasil que se reúne em datas fixadas num calendário publicado pelo Banco Central. O Copom sobe a taxa para frear a inflação e baixa para estimular a economia. Se você está começando a entender esse mundo, o guia de investimentos para iniciantes mostra onde a Selic entra no resto das aplicações.
Selic meta e Selic over: qual a diferença?
Existem duas “Selic”, e a confusão começa aqui. A Selic meta é o número que o Copom anuncia, o alvo. A Selic over é a taxa média que os bancos efetivamente praticam todo dia ao trocar títulos públicos federais entre si, registrada no sistema Selic do Banco Central.
Segundo o Banco Central, a meta da Selic é de 13,75% ao ano (dado de 16/10/2026), conforme a série 432 do Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS). Já a Selic over está em 13,65% ao ano, segundo a série 1178 do SGS, com dado de 16/10/2026.
Na prática, o Banco Central opera no mercado para manter a Selic over perto da meta. Por isso as duas andam juntas, com a over um pouco abaixo. É a Selic over, e não a meta, que corrige o Tesouro Selic, título público com liquidez diária, ou seja, que pode ser resgatado em qualquer dia útil.
O que é CDI e por que ele anda junto da Selic?
O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é a taxa dos empréstimos de curtíssimo prazo que os bancos fazem entre si. Quem pergunta o que é CDI precisa saber só isto: é o custo do dinheiro de um dia entre bancos, e ele segue a Selic de perto.
Todo banco precisa fechar o dia com o caixa positivo. Quem sobra empresta para quem falta, por um dia, e esse empréstimo tem uma taxa. A média dessas operações vira a Taxa DI, apurada e divulgada pela B3, a bolsa brasileira.
Segundo a B3, a Taxa DI é a média ponderada das operações interfinanceiras prefixadas, de um dia, entre instituições de grupos diferentes. Ela é expressa em percentual ao ano, na base de 252 dias úteis. O mercado chama essa taxa de CDI, embora a B3 note que os dois termos não são exatamente sinônimos.
Por que CDI e Selic ficam tão próximos?
O CDI fica colado na Selic porque um banco tem duas formas de aplicar a sobra de caixa de um dia. Ele pode emprestar a outro banco ou comprar título público. Se uma rendesse muito mais que a outra, todo mundo migraria, e a diferença sumiria.
Segundo o Banco Central, o CDI está em 13,65% ao ano, de acordo com a série 4389 do SGS, com dado de 15/10/2026. É o mesmo valor da Selic over. Em relação à meta, a distância costuma ser de cerca de 0,10 ponto: 13,65% contra 13,75%.
Atenção: o CDI não é um investimento. Ninguém “aplica no CDI”. Ele é uma régua, um índice que serve para medir quanto rendem CDB, LCI, LCA e fundos de renda fixa.
O que significa um CDB pagar 100% do CDI?
Um CDB que paga 100% do CDI rende exatamente o que o CDI render no período. Se o CDI fechar o ano em 13,65%, o CDB rende 13,65% bruto. Se pagar 90% do CDI, rende 90% desse valor.
O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título que o banco emite para captar dinheiro. Você empresta ao banco, e ele devolve com juros. O “percentual do CDI” é a forma mais comum de definir esses juros nos CDBs pós-fixados.
Exemplo prático: 100% e 90% do CDI
A conta abaixo mostra só o mecanismo. Ela é ilustrativa, em valores brutos, antes do Imposto de Renda, e supõe o CDI constante de 13,65% ao ano durante 12 meses, o que não acontece na vida real.
- Aplicação de R$ 1.000 a 100% do CDI: rende cerca de R$ 136,50 em 12 meses.
- Mesma aplicação a 90% do CDI: rende cerca de R$ 122 em 12 meses (o percentual incide sobre a taxa de cada dia útil).
- Diferença entre os dois: cerca de R$ 14 no ano, sobre cada R$ 1.000.
- Saldo bruto final a 100% do CDI: cerca de R$ 1.136,50.
Esse exemplo usa um único valor de propósito. Para ver quanto o CDB rende em prazos e valores diferentes, o artigo sobre quanto rende mil reais no CDB traz a tabela completa.
Imposto de Renda e FGC no CDB
O CDB paga Imposto de Renda sobre o rendimento, em tabela regressiva. Pela Lei nº 11.033/2004, art. 1º, a alíquota vai de 22,5% (até 180 dias) a 15% (acima de 720 dias).
O CDB também conta com a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Segundo o FGC, ela cobre até R$ 250 mil por CPF, por instituição ou conglomerado, se o banco quebrar. O Tesouro Selic não tem FGC porque o risco é do governo federal.
CDB pré ou pós-fixado: qual a diferença?
O CDB pré-fixado tem a taxa definida no dia da aplicação, por exemplo 13% ao ano. O CDB pós-fixado acompanha o CDI até o vencimento. Existe ainda o CDB IPCA+, que paga a inflação mais uma taxa fixa. Quem escolhe entre CDB pré ou pós-fixado está apostando, sem perceber, no rumo dos juros.
Nenhuma das três formas é melhor sempre. Cada uma ganha num cenário diferente de juros e inflação, e isso só se sabe depois. A tabela resume como cada uma funciona.
| Tipo de CDB | Como rende | Quando tende a ganhar | Risco principal |
|---|---|---|---|
| Pós-fixado | Percentual do CDI (ex.: 100% do CDI) | Selic subindo ou estável em nível alto | Render menos se a Selic cair |
| Pré-fixado | Taxa fixa em % a.a. (ex.: 13% a.a.) | Selic caindo depois da aplicação | Perder para o CDI se a Selic subir |
| IPCA+ | IPCA mais taxa fixa em % a.a. | Inflação acima do esperado | Prazo longo e perda se resgatar antes |
O CDB pós-fixado é o mais previsível no dia a dia: acompanha a Selic, para cima e para baixo. O pré-fixado troca essa flexibilidade por certeza. Você sabe hoje quanto terá no vencimento, mas pode ficar para trás se os juros subirem no caminho.
E o CDB IPCA+?
O CDB IPCA+ protege o poder de compra. Ele paga a variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, a inflação oficial medida pelo IBGE) mais uma taxa fixa. Segundo o IBGE, o IPCA acumulado em 12 meses foi de 4,58% (setembro de 2026).
Quando a inflação surpreende para cima, o IPCA+ costuma se sair melhor que o pré-fixado. Em troca, esses CDBs costumam ter prazos longos e pouca liquidez. Pode fazer sentido para dinheiro que não vai ser usado tão cedo, e compare sempre o prazo antes de aplicar.
Cuidado com a liquidez: muitos CDBs pré e IPCA+ não permitem resgate antes do vencimento. Antes de aplicar, confira se o título tem liquidez diária ou só no vencimento.
Diferença entre CDB, CDI e Selic em uma tabela
A diferença entre CDB, CDI e Selic fica clara lado a lado: a Selic é a taxa básica, o CDI é a taxa entre bancos que segue a Selic, e o CDB é o investimento que usa o CDI como referência. A tabela reúne o que é cada um, quem define e o valor de hoje.
| Termo | O que é | Quem define | Valor hoje (fonte) |
|---|---|---|---|
| Selic meta | Taxa básica de juros da economia | Copom, do Banco Central | 13,75% a.a. (BCB, SGS 432, out/2026) |
| Selic over | Taxa média diária com títulos públicos | Mercado, apurada pelo Banco Central | 13,65% a.a. (BCB, SGS 1178, 16/10/2026) |
| CDI | Taxa de empréstimo de um dia entre bancos | Mercado, apurada pela B3 | 13,65% a.a. (BCB, SGS 4389, 15/10/2026) |
| CDB | Investimento emitido por banco | Banco emissor, na oferta do título | Varia: % do CDI, taxa fixa ou IPCA+ |
Se a dúvida é entre CDB e a caderneta, o artigo CDB ou poupança compara os dois com as regras de rendimento de cada um.
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Este conteúdo é educacional e não é oferta, recomendação de investimento nem consultoria financeira. Taxas, rendimentos e condições variam por instituição, prazo e análise de crédito, e os valores citados mudam com as decisões do Copom. O Juca atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras, nos termos da Resolução CMN nº 3.954/2011, e não é instituição financeira.
Fontes:
- Banco Central do Brasil: Histórico das taxas de juros (Copom)
- Banco Central do Brasil: SGS 432, meta da Selic
- Banco Central do Brasil: SGS 1178, Selic over
- Banco Central do Brasil: SGS 4389, CDI anualizado
- B3: Depósito Interfinanceiro e Taxa DI
- IBGE: IPCA acumulado em 12 meses (tabela 1737)
- FGC: Garantia ordinária
- Planalto: Lei nº 11.033/2004
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção pela UFRJ e Correspondente Bancário certificado pela Febraban (FBB100), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Veja os artigos do autor.