Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em outubro de 2026
Para saber como calcular preço de venda, some o custo de cada unidade (produto, embalagem, perda e a fatia das despesas fixas, incluindo o DAS do MEI) e divida por 1 menos a soma dos percentuais cobrados sobre a venda (taxa da maquininha e margem desejada). No nosso exemplo, um custo de R$ 24,41 vira preço de R$ 32,12.
Resposta rápida:
- Preço é o custo total por unidade dividido por 1 menos o percentual da maquininha e da margem.
- O DAS do MEI é um valor fixo mensal e entra rateado no custo fixo, não como percentual.
- Markup é o multiplicador aplicado sobre o custo para chegar ao preço.
- Margem é o percentual do preço que sobra depois de pagar todos os custos.
- Margem de 20% não é markup de 20%: no exemplo da caneca, o markup é 1,3159.
Neste guia
Qual a fórmula para calcular preço de venda?
A fórmula para calcular preço de venda divide o custo total de uma unidade por 1 menos os percentuais que incidem sobre a própria venda. Em linguagem de planilha: preço = custo total por unidade ÷ (1 − % da maquininha − % de margem).
Fórmula do preço de venda: Preço = (custo variável + custo fixo rateado) ÷ (1 − taxa da maquininha − margem desejada).
Para usar a fórmula, separe três grupos de valores. Cada um entra num lugar diferente da conta, e misturar os grupos é o erro mais comum de quem começa a fazer precificação.
- Custo variável: gasto que só existe quando você vende uma unidade, como produto, embalagem e perda.
- Custo fixo: gasto mensal que existe mesmo sem venda, como energia, internet e o DAS do MEI.
- Custo fixo rateado: o custo fixo do mês dividido pelo número de unidades que você vende no mês.
- Percentuais sobre a venda: o que é cobrado como fatia do preço, como a taxa da maquininha e a margem.
A divisão existe porque a taxa da maquininha e a margem são calculadas sobre o preço final, e não sobre o custo. Se você somar 20% em cima do custo, a margem real sai menor que 20%, porque a base do preço é maior que a base do custo. Dividir por 1 menos os percentuais garante que, depois que a maquininha morde a parte dela, sobra exatamente a fatia que você planejou.
O número que aparece no divisor, como 0,76 no nosso exemplo, é chamado de markup divisor. Quem procura uma calculadora de preço de venda pronta encontra essa mesma conta por trás da tela. Fazer à mão uma vez ajuda a entender o que cada campo significa e a perceber quando um valor está fora de lugar.
Como precificar produto passo a passo: exemplo ao centavo
Para entender como precificar produto na prática, vamos seguir uma caneca personalizada vendida por um MEI que produz 200 unidades por mês. Todos os valores abaixo são ilustrativos, escolhidos para mostrar a conta, e a sua precificação deve usar os seus próprios números.
Os passos de como calcular preço de venda da caneca, na ordem em que a conta é montada:
- Some o custo da matéria e do produto: R$ 18,00 por caneca.
- Acrescente a embalagem: R$ 2,00 por caneca.
- Calcule a perda de 5% sobre produto e embalagem: 5% de R$ 20,00 dá R$ 1,00.
- Feche o custo variável: R$ 18,00 + R$ 2,00 + R$ 1,00 = R$ 21,00.
- Some as despesas fixas do mês: R$ 600,00 de energia, internet e materiais gerais, mais R$ 82,05 de DAS.
- Divida o fixo de R$ 682,05 por 200 canecas: R$ 3,41 por unidade.
- Feche o custo total: R$ 21,00 + R$ 3,41 = R$ 24,41.
- Divida pelo divisor: 1 − 4% de maquininha − 20% de margem = 0,76. O preço fica R$ 24,41 ÷ 0,76 = R$ 32,12.
A perda merece atenção. Caneca que quebra na produção, sai com a estampa torta ou volta do cliente é custo real, e quem não a coloca no preço paga a perda com a própria margem. Os 5% aqui são ilustrativos: meça a sua perda por algumas semanas antes de fixar o número.
O rateio de R$ 3,41 só vale para 200 canecas por mês. Se você vender 100, cada caneca carrega R$ 6,82 de custo fixo, e o preço de R$ 32,12 deixa de fechar a margem. Por isso a precificação depende do volume que você vende de fato, e não do volume que espera vender.
| Item | Tipo | Valor por unidade |
|---|---|---|
| Matéria e produto | Variável | R$ 18,00 |
| Embalagem | Variável | R$ 2,00 |
| Perda de 5% | Variável | R$ 1,00 |
| Despesas fixas e DAS rateados | Fixo rateado | R$ 3,41 |
| Custo total | Soma dos custos | R$ 24,41 |
| Maquininha de 4% sobre o preço | % da venda | R$ 1,28 |
| Margem de 20% | % da venda | R$ 6,43 |
| Preço de venda | Resultado | R$ 32,12 |
A taxa da maquininha de 4% também é ilustrativa. Ela varia por empresa de pagamento, plano, bandeira e forma de pagamento (débito, crédito à vista ou parcelado). Consulte o contrato da sua maquininha e use a taxa da modalidade que mais aparece nas suas vendas.
Prova real: o preço fecha a margem?
A prova real confirma se o preço de R$ 32,12 entrega a margem de 20% planejada. Do preço, tire a maquininha (4% de R$ 32,12 = R$ 1,28) e o custo total (R$ 24,41): sobram R$ 6,43. Dividindo R$ 6,43 por R$ 32,12, a margem fica em 20,02%.
Os 0,02 ponto a mais vêm do arredondamento. A conta exata dá R$ 32,118, e o preço foi arredondado para cima, até o centavo. Arredondar para cima protege a margem; arredondar para baixo a corrói, mesmo que por centavos. Somando todas as linhas da tabela (18,00 + 2,00 + 1,00 + 3,41 + 1,28 + 6,43), o resultado é exatamente R$ 32,12.
Atenção: margem não é lucro no bolso. A margem de R$ 6,43 por caneca ainda precisa pagar o seu pró-labore, que é a retirada do dono pelo trabalho, se ele não estiver nas despesas fixas.
Quando a margem existe e mesmo assim nada sobra, o guia vendo mas não tenho lucro mostra onde procurar.
O que é markup e como calcular o seu
Markup é o número pelo qual você multiplica o custo para chegar ao preço de venda. Ele existe em duas formas: o markup divisor, que é o 0,76 da fórmula, e o markup multiplicador, que é 1 dividido pelo divisor.
No exemplo da caneca, o markup multiplicador é 1 ÷ 0,76 = 1,3158. Multiplicando o custo total por esse número, você chega ao preço: R$ 24,41 × 1,3158 = R$ 32,12. Quando o preço já está definido, dá para conferir o markup ao contrário: R$ 32,12 ÷ R$ 24,41 = 1,3159.
A diferença na quarta casa decimal, 1,3158 contra 1,3159, é efeito do arredondamento do preço para o centavo. Não tem impacto no caixa, mas mostra por que vale fazer a prova real em vez de confiar só no multiplicador.
O markup tem uma vantagem prática: com ele calculado, você aplica o mesmo multiplicador a vários produtos que têm a mesma taxa de maquininha e a mesma margem desejada. Basta trocar o custo. O cuidado é que cada produto precisa ter o custo total completo, com perda e fixo rateado.
O famoso “custo vezes 2” é um markup de 2,0 escolhido sem conta. Ele pode dar prejuízo quando o custo usado é só o da compra do produto, sem embalagem, perda, maquininha e despesas fixas. Num produto de R$ 18,00, por exemplo, custo vezes 2 dá R$ 36,00, mas se as outras despesas somam mais que a diferença, o vendedor trabalha de graça sem perceber. O markup certo sai da sua estrutura de custos, não de um número de costume.
Qual a diferença entre markup e margem de lucro?
A diferença entre markup e margem de lucro está na base de cálculo: o markup é aplicado sobre o custo, e a margem de lucro é medida sobre o preço. Por isso uma margem de 20% corresponde a um markup de 1,3159 na caneca, e não a 1,20.
A tabela mostra como o markup e o preço mudam conforme a margem de lucro desejada, mantendo o custo total de R$ 24,41 e a maquininha ilustrativa de 4%:
| Margem desejada | Divisor (1 − maquininha − margem) | Markup sobre o custo | Preço da caneca |
|---|---|---|---|
| 10% | 0,86 | 1,1630 | R$ 28,39 |
| 20% | 0,76 | 1,3159 | R$ 32,12 |
| 30% | 0,66 | 1,5154 | R$ 36,99 |
As contas da tabela, sempre arredondando o preço para cima até o centavo: R$ 24,41 ÷ 0,86 = R$ 28,3837, que vira R$ 28,39; R$ 24,41 ÷ 0,76 = R$ 32,118, que vira R$ 32,12; R$ 24,41 ÷ 0,66 = R$ 36,9848, que vira R$ 36,99. O markup sobre o custo é o preço arredondado dividido por R$ 24,41. Repare que, de 10% para 30% de margem, o markup não sobe na mesma proporção: ele acelera, porque o divisor encolhe.
Não existe margem ideal que sirva para todo negócio. A margem possível depende do seu custo, do preço que o concorrente cobra pelo mesmo produto e do volume que você vende. Uma margem menor com volume alto pode render mais que uma margem alta com pouca venda, e a conta final é sempre com os seus números.
Como entra o DAS do MEI no preço de venda
O DAS do MEI entra no preço de venda como custo fixo rateado, porque é um valor mensal fixo e não um percentual da venda. Em 2026, o DAS de quem vende mercadoria é R$ 81,05 de INSS mais R$ 1,00 de ICMS, R$ 82,05 no total.
Segundo o comunicado do Simples Nacional da Receita Federal, as parcelas de 2026 são R$ 81,05 de INSS, R$ 1,00 de ICMS e R$ 5,00 de ISS (2026). O INSS é 5% do salário mínimo de R$ 1.621,00, fixado pelo Decreto nº 12.797/2025. Assim, comércio e indústria pagam R$ 82,05; serviços, R$ 86,05; comércio com serviços, R$ 87,05.
O valor é fixo por regra legal. A Lei Complementar nº 123/2006, art. 18-A, permite ao MEI recolher em valores fixos mensais, independentemente da receita do mês. Por isso o DAS não vai para o divisor da fórmula: num mês de 100 vendas ou de 300, ele é o mesmo, e só o rateio por unidade muda. Como o INSS do DAS é 5% do salário mínimo, o valor muda quando o mínimo é reajustado, e a precificação precisa ser refeita.
Já a microempresa (ME) e a empresa de pequeno porte (EPP) no Simples Nacional pagam um percentual sobre a receita bruta, pelas alíquotas dos Anexos da mesma lei (art. 18). Nesse caso, o imposto vai para o divisor, ao lado da maquininha e da margem.
O teto do MEI também pesa no preço. Segundo a Lei Complementar nº 123/2006, art. 18-A, § 1º, o faturamento máximo é R$ 81.000 por ano. Preço mais alto aproxima o MEI desse limite com o mesmo número de vendas, então vale acompanhar o faturamento acumulado do ano.
O DAS também define o ponto de equilíbrio, que é o número de vendas que paga todos os custos fixos do mês. Na caneca, cada unidade deixa R$ 9,84 de margem de contribuição (R$ 32,12 − R$ 21,00 de custo variável − R$ 1,28 de maquininha). Dividindo R$ 682,05 por R$ 9,84, dá 69,3: são 70 canecas por mês antes de sobrar qualquer margem.
Para acompanhar semana a semana se as vendas chegam a esse número, use o fluxo de caixa do MEI.
E se você vende serviço?
Quem vende serviço calcula o preço de outro jeito, porque o principal custo é a hora de trabalho e o pró-labore, e não a mercadoria. A lógica de somar custos fixos e dividir pelos percentuais continua, mas a unidade de venda passa a ser a hora. Para essa conta, veja o guia de quanto cobrar por hora, que trata das horas vendáveis, do descanso e dos impostos de quem presta serviço.
Lembre que o DAS de serviços é diferente, com R$ 5,00 de ISS no lugar do ICMS. Se preferir chegar ao número direto, a calculadora de taxa horária faz a conta com os seus dados de renda desejada, despesas e horas disponíveis no mês.
Para comparar as outras modalidades de crédito para a empresa, veja as linhas de crédito para CNPJ.
Se o preço está certo mas falta capital de giro para comprar estoque, o Juca tem o empréstimo para MEI: crédito no CNPJ que cai por Pix na conta da empresa, com fatura semanal. A análise considera o CNPJ e o CPF do titular, e as condições aparecem antes de você assinar. Simule e compare com o que a sua margem comporta.
Este conteúdo é educacional e não constitui oferta de crédito nem consultoria contábil ou financeira. Os valores do exemplo são ilustrativos. Condições de crédito variam conforme a instituição e a análise de crédito. O Juca atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras; no empréstimo para MEI, a instituição credora é a BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A., CNPJ 34.337.707/0001-00.
Fontes
- Receita Federal: valores do DAS do MEI em 2026 (Simples Nacional)
- Planalto: Decreto nº 12.797/2025, salário mínimo de 2026
- Planalto: Lei Complementar nº 123/2006, Estatuto da Microempresa
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ) e Correspondente Bancário certificado Febraban (FBB100, Correspondente Bancário Completo), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Veja mais artigos do autor.