Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em outubro de 2026.
A melhor maquininha de cartão para MEI é a que deixa mais dinheiro no seu caixa, não a de menor taxa anunciada. Some a taxa de cada modalidade, o aluguel ou o preço do aparelho e o custo de receber antes. Numa venda de R$ 100, a diferença entre as modalidades pode passar de R$ 5 (taxas ilustrativas).
Resposta rápida:
- Compare quanto sobra em cada venda, e não a taxa que aparece no anúncio.
- Pergunte qual é a taxa depois da promoção e por quanto tempo a promoção vale.
- O prazo de recebimento muda o seu caixa: o débito costuma cair antes do crédito.
- O aluguel mensal pesa mais para quem vende pouco no cartão.
- O limite atual do MEI é de R$ 81 mil de faturamento por ano, pela LC 123/2006.
Neste guia
Quem vende para o público quase sempre precisa aceitar cartão. A dúvida não é se vale ter uma maquininha, mas qual delas cobra menos do seu jeito de vender. Este guia mostra os critérios e a conta, sem indicar marca: o Juca não vende maquininha, então o texto não tem lado.
O que é uma maquininha de cartão para MEI e como ela cobra
A maquininha de cartão para MEI é o aparelho que recebe pagamentos de débito, crédito e, em muitos modelos, Pix. Ela cobra principalmente uma porcentagem de cada venda, chamada MDR (Merchant Discount Rate, a taxa de desconto do lojista). Mas o MDR não é o único custo do contrato.
Antes de comparar ofertas, liste todas as formas de cobrança que aparecem no contrato:
- MDR por transação: a porcentagem descontada de cada venda, diferente para débito, crédito à vista e crédito parcelado.
- Aluguel ou mensalidade: valor fixo por mês, que você paga vendendo muito ou pouco.
- Preço do aparelho: quando a máquina é comprada, o custo é pago uma vez.
- Antecipação: taxa extra para receber o crédito antes do prazo normal.
- Tarifa de cancelamento ou estorno: cobrada em algumas operações desfeitas.
- Multa de devolução: aparece em contratos com fidelidade.
Somar essas linhas é o que transforma a taxa anunciada no custo real de vender no cartão. Uma taxa baixa com aluguel alto pode sair mais cara que uma taxa média sem mensalidade.
MEI pode usar maquininha com CPF?
Sim, o MEI pode usar maquininha com CPF, e muitas operadoras aceitam cadastro de pessoa física. O ponto fraco é misturar o dinheiro da empresa com o seu. Com uma conta PJ (conta de pessoa jurídica, aberta no CNPJ), fica fácil saber quanto o negócio faturou e quanto sobrou. O guia do MEI explica a formalização, o DAS e as obrigações do CNPJ.
MEI precisa ter maquininha de cartão?
Não, nenhuma regra obriga o MEI a ter maquininha de cartão. A decisão é de negócio. O custo de não aceitar cartão é a venda que não acontece: o cliente que não tem dinheiro na mão, ou que quer parcelar, compra em outro lugar. Vale comparar a taxa que você pagaria com as vendas que perderia sem a máquina.
Taxas de maquininha no débito e no crédito: quanto sobra de uma venda de R$ 100
As taxas de maquininha mudam conforme a modalidade: o débito costuma ser a mais barata e o crédito parcelado a mais cara. Para saber quanto cai na sua conta, use uma fórmula simples: líquido = venda × (1 − taxa). Numa venda de R$ 100 com taxa de 3%, sobram R$ 100 × 0,97 = R$ 97,00.
A tabela abaixo aplica a fórmula a uma venda de R$ 100 em cada modalidade. As taxas foram escolhidas só para mostrar a conta.
Taxas ilustrativas, não são de nenhuma empresa: confira as do seu contrato.
| Modalidade | Taxa ilustrativa | Líquido da venda | Quando costuma cair |
|---|---|---|---|
| Débito | 1,00% (R$ 1,00) | R$ 99,00 | dia seguinte |
| Crédito à vista | 3,00% (R$ 3,00) | R$ 97,00 | cerca de 30 dias |
| Crédito à vista com antecipação | 4,50% (R$ 4,50) | R$ 95,50 | dia seguinte |
| Crédito parcelado em 6x (lojista) | 6,00% (R$ 6,00) | R$ 94,00 | 1 parcela por mês |
| Pix na maquininha | 0,50% (R$ 0,50) | R$ 99,50 | na hora |
Entre o débito e o parcelado em 6x, a diferença é de R$ 5,00 na mesma venda de R$ 100 (R$ 99,00 contra R$ 94,00). Se metade do seu faturamento vem parcelada, essa diferença se repete em cada venda e pesa no fim do mês.
Para refazer a conta com os seus números, siga quatro passos:
- Peça à operadora a tabela de taxas permanente de cada modalidade, por escrito.
- Aplique a fórmula ao seu ticket médio, que é o valor médio de cada venda.
- Some o aluguel do mês dividido pelo número de vendas no cartão.
- Compare o resultado entre duas ou três propostas, com o mesmo ticket médio.
Taxa promocional ou taxa permanente
A taxa promocional é a taxa reduzida dos primeiros meses de contrato, e o salto depois dela é a armadilha mais comum. Imagine um crédito à vista a 1,99% por três meses, que depois passa a 3,49% (números ilustrativos). Numa venda de R$ 100, o líquido cai de R$ 98,01 para R$ 96,51, R$ 1,50 a menos por venda. Com R$ 3.000 por mês no crédito, são R$ 45,00 a menos todo mês.
Antes de assinar: pergunte qual é a taxa no 4º mês e se ela depende de faturar um valor mínimo. Promoção que exige meta de vendas volta à taxa cheia no mês em que você vende menos.
Prazo de recebimento: maquininha que recebe na hora ou em 30 dias?
O prazo de recebimento é o tempo entre a venda e o dinheiro na sua conta, e ele muda o fluxo de caixa do MEI tanto quanto a taxa. Não existe prazo fixado em norma: é prática de mercado, definida no contrato. Em geral, o débito costuma cair no dia seguinte e o crédito em cerca de 30 dias.
Os formatos mais comuns de recebimento são estes:
- D+1: o dinheiro cai no dia útil seguinte à venda, comum no débito.
- D+30: o crédito à vista cai cerca de 30 dias depois, no formato mais comum.
- Na hora: o Pix cai em segundos; no cartão, o recebimento na hora costuma embutir antecipação.
- Parcelado lojista: você recebe uma parcela por mês, no mesmo ritmo em que o cliente paga.
A maquininha que recebe na hora no cartão de crédito quase sempre está antecipando o seu dinheiro, e a antecipação tem preço. Na tabela acima, o crédito à vista sai de R$ 97,00 para R$ 95,50 quando é antecipado: R$ 1,50 a mais por venda só para receber antes.
O problema é a antecipação automática, que vem ligada por padrão em alguns contratos e aparece somada à taxa de crédito, sem destaque.
Pergunte com estas palavras: “a minha taxa de crédito já inclui antecipação? Posso desligar e receber no prazo normal?”. Se receber em 30 dias não aperta o seu caixa, desligar costuma sair mais barato. Para entender como esse custo é calculado e quando ele compensa, veja o texto sobre antecipação de recebíveis.
Maquininha sem aluguel ou alugada: qual compensa
A maquininha sem aluguel compensa para quem vende pouco no cartão, e a alugada compensa a partir de certo faturamento. Em geral, a máquina alugada cobra taxas menores, e a comprada cobra taxas maiores sem mensalidade. O ponto de virada sai de uma conta: aluguel mensal ÷ diferença de taxa = faturamento mínimo no cartão.
Veja um exemplo com números ilustrativos. A máquina alugada custa R$ 40 por mês e cobra 2,00% por venda. A comprada custa R$ 300 uma vez e cobra 3,00%. A diferença de taxa é de 1 ponto percentual.
| Opção | Custo fixo | Taxa ilustrativa | Faturamento mensal em que empata |
|---|---|---|---|
| Alugada | R$ 40,00 por mês | 2,00% | R$ 4.000,00 (R$ 40 ÷ 1%) |
| Comprada | R$ 300,00 uma vez | 3,00% | R$ 1.500,00 com o aparelho diluído em 12 meses |
Sem contar o aparelho, as duas empatam em R$ 4.000 por mês no cartão: a alugada paga R$ 40 + R$ 80 = R$ 120, e a comprada paga R$ 120 de taxa.
Contando o aparelho diluído em 12 meses (R$ 25 por mês), o empate cai para R$ 1.500: R$ 40 + R$ 30 = R$ 70 de um lado, R$ 25 + R$ 45 = R$ 70 do outro. Abaixo desse faturamento, a comprada sai mais barata.
O contrato da máquina alugada também precisa ser lido com atenção. Confira se há fidelidade, qual é a multa para devolver antes do prazo e se o aluguel é cobrado mesmo nos meses sem venda.
Qual maquininha escolher: checklist do MEI
Para saber qual maquininha escolher, o MEI compara oito critérios lado a lado, sempre com os números do próprio contrato. A melhor resposta para “qual a melhor maquininha” não é um nome: é a que vence nesses critérios para o seu volume e o seu tipo de venda.
Use esta lista para decidir qual maquininha escolher antes de assinar:
- Taxas por modalidade: débito, crédito à vista e parcelado, cada uma separada.
- Taxa depois da promoção: o valor permanente e as condições para manter a promocional.
- Prazo de recebimento: quando cada modalidade cai na sua conta.
- Antecipação automática: se vem ligada e quanto custa desligar.
- Pix na máquina: se aceita QR Code e qual tarifa cobra no recebimento.
- Conexão e bateria: chip 4G, Wi-Fi e quantas horas a bateria aguenta.
- Conta para receber: se o dinheiro vai para a sua conta PJ ou para uma conta da operadora.
- Bandeiras e vale-refeição: quais cartões aceita, importante para quem vende comida.
Quem trabalha na rua ou em feira deve olhar o item 6 com mais cuidado: chip 4G e bateria que dura o dia evitam a venda perdida por falta de sinal. Se a ideia é dispensar o aparelho e receber por aproximação no próprio telefone, o tema está no texto sobre maquininha no celular.
Maquininha com Pix: a tarifa do recebimento
A maquininha com Pix pode cobrar tarifa quando o Pix entra como pagamento de compra, e o valor e a forma de cobrança ficam no contrato. Por isso, pergunte à operadora quanto custa cada Pix recebido por QR Code e se há cobrança mínima mensal.
O Pix já é um meio forte de venda para empresas. Segundo o Banco Central, cerca de 46% das transações do Pix em setembro de 2026 foram de pessoas para empresas, de acordo com os dados abertos do Pix (2026). Os dados do mês ainda podem ser revisados.
Posso cobrar preço diferente no cartão?
Sim, o lojista pode cobrar preço diferente conforme o meio ou o prazo de pagamento. A Lei nº 13.455/2017 autoriza a diferenciação e anula a cláusula de contrato que a proíba. A mesma lei exige que o desconto por meio de pagamento seja informado de forma clara ao consumidor, então o preço de cada forma precisa estar visível.
Quando o cartão demora a cair: caixa, preço e capital de giro
Quando o cartão demora a cair, o MEI vende hoje e só recebe daqui a 30 dias, mas o fornecedor e o aluguel vencem antes. Esse descompasso no fluxo de caixa é temporário, e é o tipo de problema que o capital de giro resolve: o dinheiro cobre o intervalo até o recebível entrar.
O crédito não resolve margem negativa. Se a taxa da maquininha come todo o lucro da venda, pegar dinheiro emprestado só empurra o prejuízo para a frente. Nesse caso o problema é o preço, e o texto sobre como calcular preço de venda mostra como incluir a taxa do cartão na conta.
Faça o teste antes de buscar crédito: se você recebesse hoje tudo o que vendeu no cartão, as contas fechariam? Se sim, o problema é de prazo. Se não, é de preço ou de custo.
Quanto o MEI pode passar na maquininha por ano?
A maquininha não tem limite próprio: o limite é o faturamento do MEI, somando cartão, Pix e dinheiro. Pelo art. 18-A da Lei Complementar nº 123/2006, o limite atual é de R$ 81 mil de receita bruta por ano. A Lei Complementar nº 238/2026 prevê R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028.
A própria LC 238/2026, no art. 3º, condiciona a ampliação dos limites à previsão da renúncia de receita na lei orçamentária anual (LOA) dos exercícios de 2027 a 2029. Até lá, quem planeja crescer deve acompanhar o faturamento mês a mês para não passar do teto vigente.
Venda no cartão e caixa apertado no meio do mês? No Juca, o capital de giro no Pix para a sua empresa cai na conta do CNPJ, com fatura semanal: pagou, o limite volta. É para MEI, ME e EPP, inclusive negativados, com análise do CNPJ e do CPF do titular, que pode recusar ou liberar um limite menor. Liberado na hora depois da aprovação. Atraso gera juros, multa e mora conforme o contrato.
Perguntas frequentes
Existe maquininha sem mensalidade e sem aluguel?
Sim. Nesse modelo o MEI compra o aparelho uma vez e paga só a taxa de cada venda. Em troca, as taxas por transação costumam ser maiores que as da máquina alugada. Para quem fatura pouco no cartão, a soma tende a sair mais barata. Faça a conta do ponto de equilíbrio com os números do contrato.
MEI paga tarifa para receber Pix?
Pode pagar. Quando o Pix entra como pagamento de uma compra, caso do QR Code da maquininha, o banco ou a operadora pode cobrar uma tarifa. O valor e a forma de cobrança ficam no seu contrato, então peça a tabela por escrito antes de assinar.
Preciso de celular para usar a maquininha?
Depende do modelo. Algumas maquininhas funcionam sozinhas, com chip 4G ou Wi-Fi próprios, e não dependem de celular. Outras se conectam ao telefone por Bluetooth para passar a venda. Antes de comprar, confira no contrato ou na ficha do aparelho como ele se conecta e o que precisa para funcionar.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria financeira, contábil ou jurídica. As taxas e os prazos citados são ilustrativos. Condições, taxas e limites variam por instituição e dependem de análise de crédito. O Juca (JUCA INTERMEDIACOES E SERVICOS LTDA, CNPJ 48.225.686/0001-45) atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras, nos termos da Resolução CMN nº 3.954/2011, e não é instituição financeira. O crédito para empresa é concedido pela BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A., CNPJ 34.337.707/0001-00.
Fontes
- Planalto: Lei Complementar nº 123/2006, art. 18-A
- Planalto: Lei Complementar nº 238/2026
- Planalto: Lei nº 13.455/2017
- Banco Central do Brasil: Dados abertos do Pix, estatísticas de transações (setembro de 2026)
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ) e Correspondente Bancário certificado pela Febraban (FBB100, Correspondente Bancário Completo), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Ver todos os artigos do autor.