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Ponto de equilíbrio: como calcular no seu negócio

Ponto de equilíbrio: veja como calcular em unidades e em reais, com exemplo de MEI e DAS 2026. Descubra quanto vender por dia e simule a sua conta.
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Empreendedora confere quantidade de marmitas e registros de pedidos.

O ponto de equilíbrio é o quanto o seu negócio precisa vender para pagar todos os custos, sem lucro e sem prejuízo. A conta é custos fixos ÷ margem de contribuição unitária. Num MEI que vende marmita a R$ 25, com R$ 1.252,05 de custos fixos (DAS-MEI 2026 incluído), são 93 marmitas por mês.

Resposta rápida:

  • A fórmula em unidades é custos fixos divididos por preço menos custo variável por unidade.
  • A fórmula em reais é custos fixos divididos pela margem de contribuição em porcentagem.
  • O DAS-MEI e a retirada do dono entram na conta como custos fixos.
  • Dividir o resultado mensal pelos dias trabalhados dá a meta de vendas por dia.

O que é o ponto de equilíbrio (break even point)

O ponto de equilíbrio, chamado em inglês de break even point, é o nível de vendas em que o faturamento cobre exatamente todos os custos do mês. Abaixo dele o negócio tem prejuízo. Acima dele, cada venda a mais gera lucro.

Para chegar nesse número, você precisa separar os gastos em dois grupos. Custos fixos são os que chegam todo mês, vendendo muito ou nada. Custos variáveis são os que só existem porque você vendeu, e crescem junto com cada unidade.

No dia a dia de um MEI, a separação costuma ficar assim:

  • Aluguel do ponto ou da cozinha: custo fixo.
  • DAS-MEI, o boleto mensal do MEI: custo fixo.
  • Celular e internet: custo fixo.
  • Ingredientes ou matéria-prima: custo variável.
  • Embalagem de cada pedido: custo variável.
  • Taxa da maquininha sobre cada venda: custo variável.

A taxa da maquininha é o custo que mais gente esquece. Ela é cobrada sobre cada venda no cartão, então entra no custo variável, e não nos fixos. Energia e gás ficam no meio do caminho: aqui tratamos como fixos para simplificar, mas quem tem forno ligado só quando há pedido pode tratar parte como variável.

Como calcular ponto de equilíbrio, passo a passo

Para calcular o ponto de equilíbrio, você soma os custos fixos do mês e divide pelo que sobra de cada venda depois dos custos variáveis. São quatro passos, e todos cabem numa folha de papel ou numa planilha simples.

Veja como calcular ponto de equilíbrio na ordem certa:

  1. Liste todos os custos fixos do mês, incluindo o DAS-MEI.
  2. Liste os custos variáveis de uma unidade vendida, incluindo a maquininha.
  3. Subtraia o custo variável do preço para achar a margem de contribuição unitária.
  4. Divida os custos fixos pela margem e arredonde o resultado para cima.

Se você faz essa conta e percebe que vende bastante e mesmo assim o dinheiro não sobra, o problema costuma estar num desses quatro números. O diagnóstico completo está no guia vendo mas não tenho lucro, que mostra onde o caixa vaza. Aqui o foco é a conta.

Qual a diferença entre ponto de equilíbrio e margem de contribuição?

A margem de contribuição é quanto cada venda deixa para pagar os custos fixos. O ponto de equilíbrio é quantas dessas vendas você precisa para pagar todos eles. Uma é o ingrediente da outra.

A margem de contribuição unitária sai em reais: preço de venda menos custo variável por unidade. Numa marmita de R$ 25,00 com R$ 11,45 de custo variável, sobram R$ 13,55 por marmita.

A margem de contribuição percentual sai em porcentagem: margem unitária dividida pelo preço. No mesmo exemplo, R$ 13,55 ÷ R$ 25,00 = 54,2%. Isso quer dizer que, de cada real vendido, 54,2 centavos vão para os custos fixos e, depois deles, para o lucro.

A margem percentual é útil quando você vende muitos produtos com preços diferentes, porque deixa trabalhar com faturamento em vez de unidades. O preço é tratado aqui como dado de entrada. Se você ainda não sabe quanto cobrar, comece pelo guia de formação de preço antes de calcular o ponto.

Como calcular o ponto de equilíbrio em unidades e em reais?

O ponto de equilíbrio em unidades é custos fixos ÷ margem de contribuição unitária, e o resultado é uma quantidade de produtos. O ponto de equilíbrio em reais é custos fixos ÷ margem de contribuição percentual, e o resultado é um faturamento mensal.

As duas contas medem a mesma coisa. Para converter uma na outra, multiplique as unidades pelo preço, ou divida o faturamento pelo preço. A pequena diferença que aparece vem do arredondamento da margem percentual.

Uma regra vale sempre: arredonde as unidades para cima. Se a conta dá 92,4 marmitas, você não vende 0,4 marmita. Com 92 o mês fecha no vermelho, então a meta é 93. O mesmo vale para a meta diária: 4,2 por dia vira 5.

Quanto preciso vender para pagar as contas por mês e por dia

Para saber quanto preciso vender para pagar as contas, aplique a fórmula a um caso real. No exemplo abaixo, um MEI de comércio vende marmita a R$ 25,00 e ainda não coloca a própria retirada na conta. O resultado é 93 marmitas por mês.

Exemplo de ponto de equilíbrio de um MEI que vende marmita a R$ 25,00
Item Valor
Ingredientes R$ 9,50
Embalagem R$ 1,20
Maquininha, 3% de R$ 25,00 (taxa ilustrativa) R$ 0,75
Custo variável por marmita R$ 11,45
Margem de contribuição unitária R$ 13,55 (54,2%)
Aluguel R$ 800,00
Energia e gás R$ 250,00
Celular e internet R$ 120,00
DAS-MEI comércio 2026 R$ 82,05
Custos fixos R$ 1.252,05
Ponto de equilíbrio 93 marmitas/mês, R$ 2.325,00 de faturamento, 5 por dia

A conta: R$ 1.252,05 ÷ R$ 13,55 = 92,4, arredondado para 93 marmitas. Em reais, R$ 1.252,05 ÷ 0,542 = R$ 2.310,06, e as 93 unidades somam R$ 2.325,00 de faturamento.

Para a meta diária, o exemplo usa uma premissa de 22 dias trabalhados no mês. Troque pelo seu número: quem trabalha de segunda a sábado tem por volta de 26. Com 22 dias, 93 ÷ 22 = 4,2, ou seja, 5 marmitas por dia.

A taxa de 3% da maquininha também é ilustrativa, não é taxa de mercado. Use a que aparece no extrato da sua máquina, que muda conforme débito, crédito e parcelamento.

Lucro-alvo: quanto vender para sobrar dinheiro

O lucro-alvo entra na conta somado aos custos fixos: (custos fixos + lucro desejado) ÷ margem de contribuição unitária. Assim a meta já inclui o que você quer que sobre no fim do mês, em vez de tratar o lucro como sobra do acaso.

No exemplo da marmita, para sobrarem R$ 1.000,00: (R$ 1.252,05 + R$ 1.000,00) ÷ R$ 13,55 = 166,2. São 167 marmitas por mês, ou 8 por dia em 22 dias.

Repare no efeito: o lucro de R$ 1.000,00 quase dobra a meta, que passa de 93 para 167 marmitas. Definir o lucro antes de vender ajuda a decidir se a meta cabe na sua capacidade de produção e no tempo que você tem.

Margem de segurança

A margem de segurança mostra quanto as suas vendas podem cair antes de o negócio entrar no prejuízo. A fórmula é (vendas atuais − ponto de equilíbrio) ÷ vendas atuais.

Se o MEI do exemplo vende hoje 120 marmitas por mês: (120 − 93) ÷ 120 = 22,5%. As vendas podem cair até 22,5% antes de o mês fechar no vermelho. Margem perto de zero é sinal de alerta.

Acompanhe esse número todo mês. Uma margem de segurança que encolhe de um mês para o outro avisa que o negócio está se aproximando do prejuízo, mesmo que o caixa ainda pareça tranquilo.

Ponto de equilíbrio do MEI com DAS e retirada do dono

O ponto de equilíbrio do MEI só é real quando inclui o DAS-MEI e a retirada do dono como custos fixos. Sem a retirada, a conta mostra quando o negócio empata, mas você trabalha de graça. Com ela, mostra quando o negócio também paga você.

O DAS-MEI é a guia mensal que reúne o INSS e os impostos do MEI. Segundo a Receita Federal, o DAS-MEI de comércio é R$ 82,05 e o de serviços é R$ 86,05 em 2026, conforme o comunicado do Simples Nacional de 02/01/2026. O comunicado publica as parcelas, e os totais da tabela são a soma delas.

DAS-MEI 2026 por atividade, para o cálculo do ponto de equilíbrio do MEI
Atividade INSS (5%) ICMS ou ISS Total mensal
Comércio ou indústria R$ 81,05 R$ 1,00 (ICMS) R$ 82,05
Serviços R$ 81,05 R$ 5,00 (ISS) R$ 86,05
Comércio e serviços R$ 81,05 R$ 1,00 + R$ 5,00 R$ 87,05

O INSS do MEI é 5% do salário mínimo, pelo art. 21, § 2º, II, a, da Lei nº 8.212/1991.

Segundo o Decreto nº 12.797/2025, o salário mínimo de 2026 é R$ 1.621,00, e 5% dá R$ 81,05. O ICMS de R$ 1,00 e o ISS de R$ 5,00 estão no art. 18-A da Lei Complementar nº 123/2006.

Agora a retirada. A retirada, ou pró-labore, é o que o dono tira do negócio para pagar as próprias contas. Para entrar no ponto de equilíbrio com pró-labore, ela vira mais uma linha de custo fixo. Quanto tirar é outra conversa, explicada no guia quanto tirar de salário no MEI.

Com uma retirada de R$ 2.500,00, os custos fixos da marmita sobem para R$ 3.752,05. A conta fica R$ 3.752,05 ÷ R$ 13,55 = 276,9, ou seja, 277 marmitas por mês. Em 22 dias, são 13 por dia, e não mais 5.

Atenção: o mesmo negócio passa de 93 para 277 marmitas quando o dono entra na conta. Quem calcula o ponto sem a própria retirada acha que está no lucro e, na prática, está bancando o negócio com o próprio trabalho.

Ponto de equilíbrio contábil, econômico e financeiro

O ponto de equilíbrio contábil, econômico e financeiro são três versões da mesma fórmula, que mudam só o que entra no numerador. A contábil é a que usamos até aqui. As outras duas acrescentam ou retiram um item dos custos fixos.

  • Contábil: custos fixos ÷ margem de contribuição unitária. Lucro zero no papel.
  • Econômico: (custos fixos + lucro mínimo esperado) ÷ margem de contribuição unitária. Inclui o retorno que o dinheiro investido deveria render.
  • Financeiro: (custos fixos − depreciação) ÷ margem de contribuição unitária. Olha só o que sai do caixa.

A depreciação é o desgaste dos equipamentos, como fogão e freezer, lançado aos poucos como custo. Ela pesa no resultado, mas não sai do bolso todo mês, e por isso o ponto financeiro fica abaixo do contábil. Para acompanhar o que entra e sai de verdade, o caminho é o fluxo de caixa do MEI.

Para a maioria dos MEIs, que têm poucos equipamentos, a versão contábil com a retirada dentro é a que mais ajuda a decidir.

O que fazer quando a empresa não atinge o ponto de equilíbrio?

Quando a empresa não atinge o ponto de equilíbrio, é preciso mexer em pelo menos uma das três variáveis da fórmula: custo fixo, custo variável ou preço. Vender mais ajuda, mas tem limite, e no MEI o limite tem número.

No exemplo com retirada, 277 marmitas × R$ 25,00 × 12 meses dão R$ 83.100,00 por ano. Em 2026, o teto do MEI é R$ 81.000,00 por ano, conforme o art. 18-A, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006. O ponto de equilíbrio passou do teto em 2,6%.

Passar do teto em até 20% (até R$ 97.200,00 em 2026) não é retroativo: o desenquadramento vale a partir de 1º de janeiro do ano seguinte, pelo art. 18-A, § 7º, III, “a”, da LC nº 123/2006. Confira o teto vigente a cada janeiro, porque a regra pode mudar.

Veja quatro alavancas recalculadas sobre o cenário com retirada, uma de cada vez:

Cenários para atingir o ponto de equilíbrio da marmita com retirada de R$ 2.500
Cenário Margem unitária Ponto (unidades/mês) Faturamento/ano
Base: fixos R$ 3.752,05, preço R$ 25,00 R$ 13,55 277 (13 por dia) R$ 83.100,00
Preço de R$ 28,00, maquininha R$ 0,84 R$ 16,46 228 (11 por dia) R$ 76.608,00
Aluguel R$ 300,00 menor, fixos R$ 3.452,05 R$ 13,55 255 (12 por dia) R$ 76.500,00
Ingredientes R$ 1,00 mais baratos R$ 14,55 258 (12 por dia) R$ 77.400,00

No cenário de preço, ingredientes e embalagem não mudam: só a maquininha sobe, porque é proporcional ao preço. Antes de reajustar, vale rever a conta do preço de venda com calma.

As quatro saídas para um ponto de equilíbrio alto, em resumo:

  • Subir o preço, conferindo se o cliente aceita o novo valor.
  • Cortar custo fixo, começando pelos maiores, como aluguel.
  • Baixar o custo variável negociando insumo e embalagem.
  • Mudar o mix, vendendo mais dos itens com maior margem.

Crédito não conserta margem: se cada venda dá prejuízo, pegar dinheiro emprestado só aumenta o rombo. O crédito pode fazer sentido para segurar o caixa enquanto o ajuste de preço ou de custo começa a valer, e nunca como solução para margem negativa.

Se o ajuste está feito e o que falta é capital de giro para atravessar as próximas semanas, o empréstimo para MEI do Juca libera um limite por Pix na conta da empresa, com fatura semanal. É para MEI, ME e EPP, sujeito a análise do CNPJ e do CPF do titular. Compare o CET com outras opções antes de decidir.

Perguntas frequentes

O ponto de equilíbrio é o mesmo que lucro zero?

Sim. No ponto de equilíbrio, o faturamento paga todos os custos fixos e variáveis e não sobra nada. Por isso a retirada do dono precisa estar nos custos fixos: sem ela, lucro zero significa que o dono trabalhou o mês inteiro sem receber nada pelo próprio trabalho.

Ponto de equilíbrio serve para empresas de serviços?

Serve. No serviço, a unidade costuma ser a hora ou o atendimento. O custo variável é o material gasto em cada atendimento, e os custos fixos incluem o DAS-MEI de serviços, de R$ 86,05 em 2026. O resultado diz quantas horas ou atendimentos por mês pagam as contas.

Serve para empresas com receita variável?

Serve, usando médias. Some os custos fixos e as vendas de três a seis meses e divida pelo número de meses. Se você vende produtos com margens diferentes, use a margem de contribuição percentual média do período, que já reflete o mix vendido.

Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria contábil ou financeira. Os exemplos usam premissas ilustrativas. As condições de crédito variam por instituição e dependem de análise de crédito. O Juca atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras; no empréstimo para MEI, a instituição credora é a BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A., CNPJ 34.337.707/0001-00.

Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção pela UFRJ e Correspondente Bancário certificado pela Febraban (FBB100, Correspondente Bancário Completo), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Ver todos os artigos

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