Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em novembro de 2026
Frete grátis compensa quando o custo do frete cabe na margem de contribuição do pedido e ainda deixa o lucro mínimo que você precisa. A conta tem três passos: somar produto, taxas, imposto, embalagem e frete, comparar com o preço e escolher entre embutir, exigir pedido mínimo ou cobrar.
Resposta rápida:
- Frete grátis nunca é grátis: alguém paga, e quase sempre quem paga é a margem do lojista.
- Compensa se a margem de contribuição cobre o frete e ainda sobra o lucro mínimo.
- Pedido mínimo = (frete + lucro desejado) ÷ margem de contribuição em %.
- Com margem baixa, produto pesado ou cliente distante, cobrar o frete costuma proteger mais o lucro.
- Acompanhe ticket médio e margem por pedido por duas semanas antes de fixar a regra.
Neste guia:
Frete grátis é realmente grátis?
O frete grátis não é realmente grátis: a transportadora ou os Correios cobram pela entrega de qualquer jeito. O que muda é quem paga. Para o cliente, a entrega some da conta. Para o lojista, ela vira um custo que precisa sair de algum lugar.
Na prática, existem três caminhos. O lojista pode tirar o frete da própria margem, o que reduz o lucro de cada venda. Pode embutir o frete no preço do produto, e aí o cliente paga sem ver.
O terceiro caminho é vender num marketplace que banca parte do frete em algum programa próprio, em troca das regras e comissões da plataforma.
Quem paga o frete grátis, portanto, depende da política que você escolhe. A pergunta certa não é “devo oferecer frete grátis?”, e sim “quanto do frete a minha margem aguenta e em que condição?”. A resposta sai de uma conta feita pedido a pedido, mostrada abaixo ao centavo.
Um ponto que pesa no pequeno varejo: segundo o Sebrae, 28,1% dos pequenos negócios que vendem online usam marketplaces (Radar Mercado Digital, 2026). Os demais vendem só por canais próprios, como loja virtual, Instagram ou WhatsApp, e decidem a política de frete sozinhos.
Frete grátis compensa para o vendedor?
Frete grátis compensa para o vendedor quando o ganho em vendas supera o custo do frete que ele passa a pagar. O ganho vem de mais gente finalizando a compra e de pedidos maiores. O custo aparece direto na margem de cada pedido enviado.
Os ganhos mais citados pelo varejo são estes:
- Conversão: frete cobrado no fim do carrinho é motivo comum de desistência.
- Carrinho abandonado: sem surpresa no fechamento, menos clientes saem sem comprar.
- Ticket médio: o valor médio por pedido sobe quando há um mínimo a atingir.
- Comparação: o cliente compara o preço final, e frete grátis simplifica essa comparação.
Do outro lado ficam os custos. O frete cresce com distância, peso e volume, e muitas transportadoras cobram pelo peso cubado, que considera o tamanho da caixa e não só o peso na balança. Produto leve e volumoso pode custar mais caro para enviar do que parece.
Há ainda a devolução. Pelo Código de Defesa do Consumidor, a Lei nº 8.078/1990, art. 49, quem compra fora do estabelecimento pode desistir em 7 dias a partir do recebimento. Essa logística reversa gera custo de envio de volta, que precisa entrar na conta como risco.
Como calcular frete grátis sem perder margem
A conta do frete grátis sem perder margem parte da margem de contribuição do pedido: preço menos todos os custos que só existem porque a venda aconteceu. Margem de contribuição é o que sobra de cada venda para pagar as despesas fixas e formar o lucro.
Siga estes passos para cada produto:
- Anote o preço de venda que o cliente vê.
- Subtraia o custo do produto, o que você pagou ao fornecedor.
- Subtraia a comissão de marketplace, se vender num.
- Subtraia o imposto sobre a venda, conforme o seu regime tributário.
- Subtraia a taxa de pagamento, da maquininha, do cartão ou do Pix.
- Subtraia a embalagem e, por último, o frete que você vai bancar.
Atenção a uma confusão comum: markup e margem não são a mesma coisa. Markup é quanto você soma ao custo; margem é quanto sobra do preço. Para revisar a diferença, veja o guia de markup e margem de lucro.
No exemplo abaixo, os valores são ilustrativos e não representam a comissão de nenhum marketplace real. O imposto de 4% simula um regime com alíquota sobre a receita, como uma empresa do Simples Nacional fora do MEI.
| Item | Valor (R$) | % do preço |
|---|---|---|
| Preço de venda | R$ 120,00 | 100,00% |
| Custo do produto | R$ 50,00 | 41,67% |
| Comissão ilustrativa (14%) | R$ 16,80 | 14,00% |
| Imposto ilustrativo, regime não-MEI (4%) | R$ 4,80 | 4,00% |
| Taxa de pagamento ilustrativa (3%) | R$ 3,60 | 3,00% |
| Embalagem | R$ 3,00 | 2,50% |
| Margem antes do frete | R$ 41,80 | 34,83% |
| Frete pago pelo lojista | R$ 22,00 | 18,33% |
| Margem final com frete grátis | R$ 19,80 | 16,50% |
O frete grátis cortou a margem do pedido de R$ 41,80 para R$ 19,80, mais da metade. Com esse número na mão, a decisão deixa de ser intuição.
E se você é MEI? O DAS-MEI é um valor fixo por mês, não um percentual da venda (Simples Nacional, comunicado de 02/01/2026): R$ 82,05 para comércio e indústria em 2026.
Nesse caso, troque os 4% pelo DAS rateado. Com 50 pedidos no mês, dá R$ 1,64 por pedido, e a margem antes do frete sobe para R$ 44,96.
Embutir no preço, pedido mínimo ou frete pago: qual dá mais margem?
Entre embutir o frete no preço, exigir pedido mínimo ou cobrar o frete, o frete pago preserva mais margem por pedido, e o pedido mínimo costuma equilibrar margem e conversão. Embutir mantém a margem em reais, mas deixa o produto mais caro na vitrine.
| Cenário | Preço ao cliente | Margem por pedido (R$) | Margem (%) |
|---|---|---|---|
| Frete pago pelo cliente (R$ 22) | R$ 142,00 | R$ 41,80 | 29,44% |
| Frete embutido no preço | R$ 147,85 | R$ 41,80 | 28,27% |
| Pedido mínimo, 2 unidades | R$ 240,00 | R$ 61,60 | 25,67% |
| Frete grátis sem condição | R$ 120,00 | R$ 19,80 | 16,50% |
Em todos os cenários, o frete de R$ 22,00 custa o mesmo. No frete pago, o cliente reembolsa o valor. O exemplo supõe que comissão e taxa não incidem sobre o frete cobrado à parte, o que pode não valer no seu canal.
Embutir o frete no preço
Embutir o frete no preço significa recalcular o preço para que a margem em reais continue a mesma. Como comissão, imposto e taxa somam 21% do preço, o novo preço sai de (50 + 3 + 22 + 41,80) ÷ 0,79, que dá R$ 147,85.
O risco é o produto parecer caro ao lado do concorrente. O passo a passo completo está em como calcular preço de venda.
Como calcular o valor mínimo para frete grátis?
O valor mínimo para frete grátis é o pedido a partir do qual a margem cobre o frete e ainda entrega o lucro que você quer. A fórmula é: pedido mínimo = (frete + lucro desejado) ÷ margem de contribuição em %.
No exemplo, (22 + 20) ÷ 34,8333% dá R$ 120,57. A conta usa a margem sem arredondar; com 34,83%, o resultado sobe uns centavos.
A fórmula vale bem para pedidos com mais unidades do mesmo produto e embalagem por unidade. Se a embalagem for uma só por pedido, a margem real fica um pouco acima do calculado.
| Lucro desejado | Frete | Pedido mínimo |
|---|---|---|
| R$ 10,00 | R$ 22,00 | R$ 91,87 |
| R$ 20,00 | R$ 22,00 | R$ 120,57 |
| R$ 30,00 | R$ 22,00 | R$ 149,28 |
Cobrar o frete e quando isso é a melhor escolha
Cobrar o frete é a melhor escolha quando a margem do produto é estreita ou quando o custo de envio varia muito de cliente para cliente. Mostre o valor cedo, antes do fechamento, para não surpreender.
A calculadora de preços e prazos dos Correios ajuda a estimar o envio por CEP, peso e dimensões.
Quando evitar o frete grátis
Evitar o frete grátis no pequeno negócio faz sentido quando o frete come mais da metade da margem de contribuição ou quando o custo de envio é imprevisível. Nesses casos, o frete grátis compensa só com condição, como pedido mínimo ou região limitada.
Os sinais mais claros de quando evitar frete grátis são:
- Margem baixa: o frete passa da metade da margem de contribuição do pedido.
- Produto pesado ou volumoso: o peso cubado encarece o envio além do previsto.
- Região distante: clientes longe custam mais e tornam a média imprevisível.
- Ticket baixo: pedido pequeno não tem margem para absorver nenhum frete.
- Devolução alta: produto que volta muito paga o frete duas vezes.
Uma saída intermediária é oferecer frete grátis só para algumas faixas de CEP ou só acima do mínimo calculado. Assim você mantém o argumento de venda onde ele cabe na margem.
E no marketplace e na entrega do bairro?
No marketplace, a política de frete grátis não é só sua: cada plataforma tem programa, comissão e pedido mínimo próprios, que mudam com frequência. Antes de aderir, confira a central oficial de vendedores.
Veja também como funciona vender em marketplace sendo MEI e quais são as taxas da Shopee para vendedor.
Na entrega própria, para clientes do bairro, a política pode ser mais simples: frete grátis dentro de um raio, taxa fixa por região, dia fixo de entrega ou retirada no local. Quanto custa entregar e quanto cobrar por isso é assunto para um guia à parte.
Um detalhe de caixa: o frete que o lojista paga sai antes de a venda ser recebida, e isso pesa no capital de giro de quem vende muito a prazo.
Se o frete adiantado aperta o caixa da empresa, o empréstimo para MEI do Juca é um limite de capital de giro que cai por Pix na conta da empresa, com fatura semanal.
Há análise do CNPJ e do CPF do titular, e o contrato prevê juros, multa e mora em caso de atraso.
Como saber se a regra deu certo?
A forma de saber se a regra de frete deu certo é comparar ticket médio e margem por pedido antes e depois da mudança, num teste de pelo menos duas semanas. Se as vendas subiram mas a margem total caiu, a regra está pagando para vender mais.
Acompanhe estes indicadores:
- Pedidos acima do mínimo: percentual que atinge o valor de frete grátis.
- Ticket médio: valor médio por pedido no período do teste.
- Margem por pedido: em reais, já descontado o frete pago.
- Taxa de devolução: pedidos que voltam e geram logística reversa.
Se o mínimo quase nunca é atingido, ele está alto demais para o seu público. Se quase todos o atingem sem esforço, talvez esteja baixo e você esteja dando frete a quem compraria de qualquer jeito.
Perguntas frequentes
Vale a pena comprar mais para ganhar frete grátis?
Comprar mais para ganhar frete grátis só vale a pena se o item extra for algo que você compraria de qualquer jeito. Se a diferença até o mínimo é maior que o próprio frete e o produto não era necessário, pagar o frete sai mais barato.
Qual o pedido mínimo para frete grátis na Shopee e no Mercado Livre?
O pedido mínimo para frete grátis na Shopee e no Mercado Livre é definido por cada plataforma e muda com frequência. O valor vigente deve ser conferido na central oficial de vendedores de cada marketplace, junto com as regras de adesão e de comissão.
No Juca, o dinheiro cai no Pix
- Antecipação do FGTS no Pix: adiante parcelas do saque-aniversário e receba na conta.
- Consignado CLT no Pix: crédito com desconto em folha para quem tem carteira assinada.
- Empréstimo para negativado no Pix: simule mesmo com o nome sujo.
- Antecipação de Salário no Pix: até R$ 150 na hora após a aprovação.
- Pix Parcelado: use o limite do cartão de crédito e pague em até 12x na fatura.
- Empréstimo pessoal no Pix: de R$ 500 a R$ 2.500, também para autônomo e aposentado.
- Empréstimo para MEI no Pix: capital de giro que cai na conta da empresa, com fatura semanal.
- Empréstimo na conta de luz no Pix: de R$ 400 a R$ 4.000, em até 24x na conta de luz.
Em todas as modalidades, o dinheiro cai por Pix depois da aprovação.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria contábil ou financeira. Os valores do exemplo são ilustrativos. As condições de crédito variam por instituição e dependem de análise. O Juca (JUCA INTERMEDIACOES E SERVICOS LTDA, CNPJ 48.225.686/0001-45) atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras e não é instituição financeira; no empréstimo para MEI, a instituição credora é a BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A., CNPJ 34.337.707/0001-00.
Fontes
- Simples Nacional: valores do DAS-MEI em 2026
- Câmara dos Deputados: Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078/1990
- Sebrae: Radar Mercado Digital 2026
- Correios: calculadora de preços e prazos
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ) e Correspondente Bancário certificado Febraban (FBB100, Correspondente Bancário Completo), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Veja os artigos do autor.