Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em novembro de 2026
A diferença entre faturamento e lucro é simples: faturamento é tudo o que você vende, e lucro é o que sobra depois de pagar custo, taxas, imposto e despesas. Uma venda de R$ 1.000 pode deixar R$ 200 de lucro e, por causa do prazo da maquininha, R$ 0 no saldo bancário de hoje.
Resposta rápida:
- Faturamento é o total vendido, antes de descontar qualquer custo ou despesa.
- Lucro é o faturamento menos custos, taxas, imposto e despesas do negócio.
- Saldo bancário é o dinheiro que já caiu e depende do prazo de recebimento.
- No MEI, o limite anual soma o faturamento bruto, e não o lucro.
Neste artigo
| Conceito | O que é | Fórmula | Exemplo da venda |
|---|---|---|---|
| Faturamento bruto | Tudo o que foi vendido | Soma das vendas | R$ 1.000,00 |
| Faturamento líquido | Vendas que ficaram de pé | Bruto menos cancelamentos e descontos | R$ 1.000,00 |
| Lucro líquido | O que sobra de verdade | Faturamento menos todos os gastos | R$ 200,00 |
| Saldo bancário hoje | O que já caiu na conta | Recebido menos pago | R$ 0,00 (a venda cai em 30 dias) |
Qual a diferença entre faturamento e lucro?
A diferença entre faturamento e lucro está no que é descontado. O faturamento mede quanto o negócio vendeu. O lucro mede quanto o negócio ganhou depois de pagar tudo o que a venda custou. Esses dois números são a base do guia de como administrar um pequeno negócio.
Os dois números andam juntos, mas um não garante o outro. Dá para faturar muito e ter lucro pequeno, ou até prejuízo, quando o custo come quase toda a venda.
Existem quatro conceitos que vale separar. Estas são as fórmulas de cada um:
- Faturamento bruto: soma de todas as vendas do período, sem desconto nenhum.
- Faturamento líquido: faturamento bruto menos vendas canceladas, devoluções e descontos dados ao cliente.
- Lucro bruto: faturamento líquido menos o custo direto da mercadoria ou do material.
- Lucro líquido: lucro bruto menos taxas, imposto e despesas fixas do negócio.
Faturamento líquido não é lucro. Ele só tira o que não chegou a ser venda de fato. Custo, taxa de maquininha, imposto e despesas continuam lá dentro, e só saem no cálculo do lucro.
Outra confusão comum é misturar o dinheiro da pessoa com o da empresa. O lucro é da empresa até você decidir retirar uma parte. Quando a necessidade é da pessoa, o caminho é outro, como um empréstimo pessoal; quando é do caixa do negócio, a conta deste artigo é a que importa.
Faturamento alto significa lucro alto?
Faturamento alto não significa lucro alto. O lucro depende da margem de cada venda e do peso dos custos fixos e variáveis. Um negócio que vende muito com margem apertada pode lucrar menos do que outro que vende pouco com margem boa.
Custos variáveis são os que crescem junto com a venda: material, mercadoria, embalagem, frete e taxa de maquininha. Custos fixos são os que existem mesmo sem vender nada: aluguel, internet, contador, celular, o DAS do MEI.
Vender mais só melhora o resultado quando cada venda paga o próprio custo variável e ainda sobra algo para os fixos. Se a margem de uma venda é negativa, vender o dobro dobra o prejuízo.
Isso explica por que tem gente que vê o movimento crescer e o dinheiro não aparecer. Um desconto agressivo, uma taxa de parcelamento ou o frete pago pelo lojista podem transformar uma venda boa em venda que dá prejuízo.
Se o seu caso é exatamente esse, de vender bem e não ver o resultado, o diagnóstico das causas está no guia vendo mas não tenho lucro. Aqui, o próximo passo é abrir uma venda linha por linha.
Uma venda do orçamento até o dinheiro na conta
Uma venda de R$ 1.000 no cartão de crédito mostra, na prática, a diferença entre faturamento e lucro. O exemplo abaixo é ilustrativo: um MEI de comércio que faz 20 vendas por mês e tem R$ 6.318 de despesas fixas mensais.
Para o imposto, o DAS de 2026 de comércio e indústria é de R$ 82,05 por mês, segundo o Portal do Empreendedor (2026): R$ 81,05 de INSS, que é 5% do salário mínimo, mais R$ 1 de ICMS. Segundo o Decreto nº 12.797/2025, o salário mínimo de 2026 é de R$ 1.621.
Estes são os passos da venda, do orçamento até o dinheiro na conta:
- Feche o orçamento: o cliente aceita pagar R$ 1.000 no crédito à vista.
- Compre o material: R$ 450 saem do caixa antes da entrega.
- Passe na maquininha: a taxa ilustrativa de 3% desconta R$ 30.
- Reserve a parte do DAS: R$ 82,05 do mês divididos por 20 vendas dão R$ 4,10.
- Rateie as despesas fixas: R$ 6.318 divididos por 20 vendas dão R$ 315,90.
- Calcule o lucro: sobram R$ 200 de lucro líquido nesta venda.
- Decida a retirada: o dono pode retirar o lucro, ou parte dele, como retirada de lucro.
- Espere o prazo de recebimento: no exemplo, o dinheiro da maquininha cai 30 dias depois (prazo ilustrativo; varia por contrato).
| Etapa | Valor (R$) | Quanto sobra (R$) | Quando sai ou entra no caixa |
|---|---|---|---|
| Venda (faturamento bruto) | R$ 1.000,00 | R$ 1.000,00 | Entra em 30 dias |
| Material | R$ 450,00 | R$ 550,00 | Sai no dia da compra |
| Taxa de maquininha (3%) | R$ 30,00 | R$ 520,00 | Descontada no repasse |
| Parte do DAS | R$ 4,10 | R$ 515,90 | Sai no vencimento do DAS |
| Despesas fixas rateadas | R$ 315,90 | R$ 200,00 | Saem ao longo do mês |
| Lucro líquido | R$ 200,00 | R$ 200,00 | Disponível depois que a venda cai |
Repare no descasamento. O material saiu do caixa no primeiro dia, e os R$ 970 da maquininha só entram 30 dias depois. Durante esse mês, a venda existe no faturamento, existe no lucro e não existe no saldo.
Atenção: se o dono retira os R$ 200 antes de a venda cair, ele tira do caixa um dinheiro que ainda não entrou. Retirada de lucro só fecha quando o recebimento já aconteceu.
Faturamento, lucro e saldo bancário: por que o saldo engana
Faturamento, lucro e saldo bancário são três números diferentes, e o saldo é o que mais engana. O saldo mostra só o que entrou e saiu até hoje. Ele não sabe o que ainda vai cair nem o que já está comprometido.
O primeiro motivo é o prazo de recebimento. Venda no crédito costuma cair dias depois, e venda parcelada cai aos poucos, parcela por parcela. O faturamento conta a venda inteira no dia; o saldo recebe em pedaços.
O segundo motivo são as contas que já estão dentro do saldo. Se o fornecedor vence semana que vem, aquele dinheiro parece livre, mas tem dono. Um saldo de R$ 3.000 com R$ 2.500 de boletos a pagar vale R$ 500.
O terceiro motivo é misturar a conta pessoal com a da empresa. Quando a compra do mercado e o material saem do mesmo lugar, o saldo deixa de dizer qualquer coisa sobre o negócio. Também não dá mais para saber se houve lucro.
Os três motivos explicam por que um negócio lucrativo pode ficar sem dinheiro no meio do mês. O problema não é falta de lucro, é o tempo entre pagar e receber. Esse intervalo é o que se chama de necessidade de capital de giro.
Para enxergar esse tempo com antecedência, o instrumento é o fluxo de caixa do MEI, que registra entradas e saídas pela data em que acontecem. Aqui basta guardar a regra: lucro é resultado, saldo é momento.
Faturamento bruto e líquido no MEI: o que conta no limite
Na diferença entre faturamento bruto e líquido no MEI, o limite anual olha a receita bruta. Pela Lei Complementar nº 123/2006, art. 18-A, §1º, o MEI pode faturar hoje até R$ 81.000 por ano, e esse teto soma as vendas, não o lucro. A Lei Complementar nº 238/2026 prevê R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028, condicionado à lei orçamentária (art. 3º).
A mesma lei, no art. 3º, §1º, define receita bruta como o produto da venda de bens e serviços. Só ficam fora as vendas canceladas e os descontos incondicionais. Custo, taxa de maquininha, imposto e despesa não são descontados.
Na prática, a venda do exemplo soma R$ 1.000 no limite, mesmo tendo deixado só R$ 200 de lucro. Quem fatura R$ 81 mil e lucra R$ 15 mil já chegou ao teto.
O DAS também não acompanha o lucro: é um valor fixo por mês, que não sobe nem desce com o resultado. Os detalhes do teto e do que acontece ao passar dele estão no guia do limite do MEI.
Como saber se a empresa está lucrando?
O teste de lucro é dividir o lucro líquido pelo faturamento. O resultado é a margem de lucro, em percentual. Na venda do exemplo, R$ 200 ÷ R$ 1.000 dá 20% de margem: de cada real vendido, sobram 20 centavos.
Faça a conta do mês, não só de uma venda. Some o faturamento, desconte os custos variáveis e os fixos, e veja o que sobra. Se a margem for negativa ou muito baixa, o problema está no preço ou nos custos, e não no volume.
Importante: margem boa com saldo zerado não é prejuízo, é prazo. Margem negativa com saldo cheio é prejuízo que ainda não apareceu.
Se a margem ficou abaixo do que precisa, o ajuste começa pela formação do preço, explicada no guia de markup e margem de lucro.
Quando o negócio lucra, mas o dinheiro demora a cair, o descasamento de prazo pode ser coberto com capital de giro. Antes de contratar, vale comparar o custo do crédito com a margem da venda que ele vai financiar.
Capital de giro para o CNPJ. No Juca, o crédito para MEI, ME e EPP cai por Pix na conta da empresa, com fatura semanal: pagou, o limite volta. O dinheiro cai por Pix depois da aprovação, e as condições aparecem na tela antes de assinar.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre receita, lucro e faturamento?
Receita é todo dinheiro que a empresa ganha, inclusive o que não vem da venda principal, como juros de aplicação ou aluguel de um equipamento. Faturamento é a parte da receita que vem das vendas emitidas. Lucro é o que sobra da receita depois de descontar todos os custos e despesas.
Qual a diferença entre lucro e margem de lucro?
Lucro é um valor em reais: quanto sobrou depois de pagar tudo. Margem de lucro é um percentual: quanto do faturamento virou lucro. R$ 200 de lucro numa venda de R$ 1.000 é margem de 20%. A margem permite comparar meses e produtos de tamanhos diferentes.
No Juca, o dinheiro cai no Pix
- Antecipação do FGTS no Pix: adiante o saque-aniversário sem parcela no mês.
- Consignado CLT no Pix: parcelas descontadas na folha, para quem tem carteira assinada.
- Empréstimo para negativado no Pix: simule mesmo com o nome sujo.
- Antecipação de Salário no Pix: até R$ 150 na hora depois da aprovação.
- Pix Parcelado: Pix com o limite do cartão, em até 12x na fatura.
- Empréstimo pessoal no Pix: de R$ 500 a R$ 2.500, também para autônomo e aposentado.
- Empréstimo para MEI no Pix: capital de giro que cai na conta da empresa, com fatura semanal.
- Empréstimo na conta de luz no Pix: de R$ 400 a R$ 4.000, em até 24x na conta de luz.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria financeira, contábil ou tributária. Os valores do exemplo são ilustrativos. As condições de crédito variam por instituição e dependem de análise de crédito, que pode recusar o pedido. O Juca (JUCA INTERMEDIACOES E SERVICOS LTDA, CNPJ 48.225.686/0001-45) atua como correspondente bancário nos termos da Resolução CMN nº 3.954/2011, e não é instituição financeira. O crédito para MEI é concedido pela BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A., CNPJ 34.337.707/0001-00. Em caso de atraso, incidem juros, multa e mora conforme o contrato.
Fontes
- Planalto: Lei Complementar nº 123/2006 (art. 3º, §1º, e art. 18-A, §1º)
- DOU: Lei Complementar nº 238/2026 (limite do MEI a partir de 2027)
- Planalto: Decreto nº 12.797/2025 (salário mínimo de 2026)
- Portal do Empreendedor: Pagamento da contribuição mensal do MEI (DAS)
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ) e Correspondente Bancário certificado Febraban (FBB100), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Veja os artigos do autor.