Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em novembro de 2026
Pix ou cartão para vender: no Pix o dinheiro cai na hora, e a pessoa física e o MEI em geral não pagam para receber uma transferência, mas o banco pode cobrar quando o Pix é pagamento de venda, conforme o contrato da conta. No cartão sai a taxa da maquininha, e no crédito o dinheiro costuma levar cerca de 30 dias. Numa venda de R$ 1.000, a diferença pode chegar a R$ 55 (exemplo ilustrativo).
Resposta rápida:
- O Pix cai na hora, e a tarifa para receber uma venda depende do contrato da sua conta.
- O débito cobra uma taxa menor e costuma cair em cerca de 1 dia útil.
- O crédito à vista cobra mais e costuma cair em cerca de 30 dias, salvo se você antecipar.
- A Lei 13.455/2017 permite cobrar preços diferentes conforme a forma de pagamento.
- O desconto no Pix precisa ser informado em local e formato visíveis ao cliente.
Este guia compara uma mesma venda em cinco formas de recebimento e mostra até onde um desconto no Pix ainda compensa.
Neste guia:
Qual é melhor para vender, Pix ou cartão?
Escolher entre Pix ou cartão para vender depende de três coisas: quanto sobra da venda, quando o dinheiro cai e como o cliente prefere pagar. O Pix costuma vencer nos dois primeiros critérios, e o cartão ganha no terceiro quando o cliente quer parcelar. As formas de receber estão também no guia de gestão do pequeno negócio.
O custo do cartão tem nome: MDR, sigla em inglês para taxa de desconto do lojista. É o percentual que sai de cada venda e é dividido entre o banco emissor do cartão do cliente, a bandeira e a credenciadora, a empresa dona da maquininha.
Essa taxa varia conforme o contrato, o faturamento e a bandeira. Pequeno negócio com pouco volume costuma pagar mais que um grande varejista, por isso os números deste guia são sempre ilustrativos.
O Pix tem outro peso no dia a dia: o cliente já está acostumado a pagar assim, e o dinheiro entra sem espera.
Se você ainda vai escolher o equipamento, o guia de maquininha de cartão para MEI explica tipos, aluguel e o que conferir no contrato.
Vale mais a pena receber no Pix ou cartão? A conta de uma venda de R$ 1.000
Vale mais a pena receber no Pix ou cartão quando se olha o valor líquido: numa venda de R$ 1.000, o Pix deixa o valor cheio na hora, e o cartão deixa menos e mais tarde. A tabela abaixo mostra quanto sobra de uma venda no cartão de crédito, no débito e no Pix.
| Forma | Taxa ilustrativa | Valor líquido | Quando cai |
|---|---|---|---|
| Pix (conta sem tarifa de recebimento) | 0% | R$ 1.000,00 | na hora |
| Débito | 1,5% | R$ 985,00 | cerca de 1 dia útil |
| Crédito à vista | 3,5% | R$ 965,00 | cerca de 30 dias |
| Crédito à vista antecipado | 3,5% + 1,5% | R$ 950,00 | em poucos dias |
| Crédito parcelado em 6x | 5,5% | R$ 945,00 | parcelas mensais |
Taxas meramente ilustrativas, de um pequeno negócio. A taxa real depende do contrato com a credenciadora, do faturamento e da bandeira. A antecipação de 1,5% foi calculada sobre os R$ 1.000.
A taxa da maquininha no débito, no crédito e no Pix pela maquininha aparece no extrato da credenciadora. Confira esse extrato antes de comparar com a tabela: a sua conta pode ser bem diferente.
O prazo de recebimento também custa dinheiro
O prazo de recebimento é um custo escondido. Na prática de mercado, o crédito costuma ser pago ao lojista em cerca de 30 dias, e o débito no dia útil seguinte. O prazo real está no seu contrato com a credenciadora.
Quem não pode esperar 30 dias paga para receber antes. No exemplo, 1,5% de antecipação somado aos 3,5% da venda leva o custo efetivo a 5% da venda. Como isso funciona e quem oferece está no guia de antecipação de recebíveis.
O custo fixo da maquininha dilui com o volume
O custo fixo da maquininha pesa mais em quem vende pouco. Se houver mensalidade, divida pelo número de vendas do mês para achar o custo real de cada uma.
| Vendas no mês | Mensalidade ilustrativa | Custo por venda |
|---|---|---|
| 20 vendas | R$ 50,00 | R$ 2,50 |
| 100 vendas | R$ 50,00 | R$ 0,50 |
| 300 vendas | R$ 50,00 | R$ 0,17 |
Para quem faz 20 vendas de R$ 50 por mês, R$ 2,50 por venda equivale a 5% a mais, além da taxa. Nesse caso, o Pix ganha com folga.
O Pix para MEI é gratuito?
O Pix para MEI costuma ser gratuito para enviar e receber transferências entre pessoas, mas não necessariamente para receber vendas. Segundo o Banco Central, o Pix é gratuito para pessoas físicas, e o banco pode definir tarifas em outros usos, como o recebimento de pagamento por empresas.
Na prática, a cobrança depende do tipo de conta, do QR Code usado e do que está escrito no contrato. Não existe um preço único: confira a tabela de tarifas do seu próprio banco, sem presumir que todo Pix de venda é de graça.
Microempresa (ME) e empresa de pequeno porte (EPP) são pessoas jurídicas, e por isso o banco pode cobrar pelo envio e pelo recebimento, conforme o contrato da conta.
Atenção ao Pix feito pela maquininha ou por QR Code da credenciadora. Ele pode ter taxa própria, cobrada pela credenciadora e não pelo banco.
Armadilha comum: achar que todo Pix é de graça. Para quem vende, a tarifa depende do tipo de conta, do QR Code usado e do contrato. Leia a tabela antes de fazer a conta da margem.
Desconto no Pix para cliente: até onde ele ainda compensa
O desconto no Pix para cliente compensa enquanto for menor que o custo total do cartão. A conta é simples: desconto máximo = taxa do cartão + custo de antecipar (ou o custo de esperar o prazo).
Se o crédito custa 3,5% e a antecipação mais 1,5%, um desconto de até cerca de 5% no Pix ainda empata com o cartão. Acima disso, você perde margem. A taxa entra no preço, e o guia de como calcular preço de venda mostra como.
Exemplo ilustrativo:
- Considere uma venda de R$ 200 no crédito, com taxa de 3,5% (R$ 7).
- Some a antecipação de 1,5% (R$ 3): sobram R$ 190.
- Ofereça no Pix 4% de desconto: o cliente paga R$ 192.
- Compare: no Pix você fica com R$ 2 a mais e recebe na hora.
Posso dar desconto para pagamento no Pix?
Sim, o lojista pode dar desconto para pagamento no Pix. A Lei nº 13.455/2017, art. 1º, autoriza diferenciar o preço conforme o prazo ou o instrumento de pagamento. E torna nula a cláusula de contrato que proíba isso.
A mesma lei incluiu o art. 5º-A da Lei nº 10.962/2004, que obriga o fornecedor a informar os descontos em local e formato visíveis. Quem descumpre fica sujeito às sanções do Código de Defesa do Consumidor.
E cobrar a taxa do cartão do cliente? A lei fala em preços diferentes, mas o texto do art. 5º-A trata de descontos. Os Procons tratam o acréscimo de modos diferentes, então o caminho seguro é o desconto no Pix, com o preço de cada forma informado antes do pagamento.
Pix ou maquininha para MEI: vale oferecer os dois?
Na dúvida entre Pix ou maquininha para MEI, oferecer os dois em geral vende mais. O Pix protege a margem, e o cartão segura o cliente que quer parcelar ou não tem saldo na conta.
Existe um meio-termo: o Pix parcelado. O cliente paga com o limite do cartão de crédito em até 12x na fatura, e você recebe um Pix na hora. No Juca, o cliente pode somar o limite de mais de um cartão pelo Open Finance.
Para quem vende pelo WhatsApp ou pelas redes, o link de pagamento resolve a venda a distância, no Pix ou no cartão.
Seu cliente quer parcelar? Com o Pix Parcelado do Juca, ele paga no cartão em até 12x e você recebe o Pix depois da aprovação. Veja como funciona.
E quando o dinheiro do crédito demora e falta caixa?
Quando o dinheiro do crédito demora e falta caixa, há duas saídas: antecipar os recebíveis, pagando a taxa, ou usar capital de giro no CNPJ. As duas têm custo, e vale comparar antes de decidir.
O empréstimo para MEI do Juca é um limite de capital de giro que cai por Pix na conta da empresa, e você usa como precisar. A fatura é semanal, e ao pagar o limite volta. É para MEI, ME e EPP, inclusive negativados.
Há análise do CNPJ e do CPF do titular, que pode recusar o pedido ou liberar um limite menor. Em caso de atraso, há juros, multa e mora conforme o contrato. Compare o custo com o da antecipação antes de contratar.
Falta caixa enquanto o cartão não paga? Simule o empréstimo para MEI do Juca: capital de giro que cai por Pix na conta da empresa depois da aprovação.
No Juca, o dinheiro cai no Pix:
- Antecipação do FGTS no Pix: receba o saque-aniversário adiantado.
- Consignado CLT no Pix: crédito com desconto em folha para quem tem carteira assinada.
- Empréstimo para negativado no Pix: simule mesmo com o nome restrito.
- Antecipação de Salário no Pix: até R$ 150 na hora depois da aprovação.
- Pix Parcelado: use o limite do cartão e pague em até 12x.
- Empréstimo pessoal no Pix: de R$ 500 a R$ 2.500, também para autônomo e aposentado.
- Empréstimo para MEI no Pix: capital de giro que cai na conta da empresa, com fatura semanal.
- Empréstimo na conta de luz no Pix: de R$ 400 a R$ 4.000, em até 24x na conta de luz.
Perguntas frequentes
Quanto a maquininha cobra por venda no crédito e no débito?
A maquininha cobra um percentual de cada venda, chamado MDR, que varia conforme o contrato com a credenciadora, o faturamento do negócio e a bandeira do cartão. O crédito costuma custar mais que o débito, e o parcelado mais que o crédito à vista. O valor exato aparece no extrato da credenciadora.
Preciso avisar o cliente sobre o desconto no Pix?
Sim. O desconto precisa estar em local e formato visíveis, como cartaz no caixa, etiqueta ao lado do preço ou aviso na página de venda. Assim o cliente sabe antes de escolher como pagar. Deixar de informar sujeita o lojista às sanções do Código de Defesa do Consumidor.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria financeira, jurídica ou contábil. Taxas, prazos e tarifas variam por instituição, por contrato e pela análise de crédito. As taxas usadas nos exemplos são ilustrativas. O Juca (JUCA INTERMEDIACOES E SERVICOS LTDA, CNPJ 48.225.686/0001-45) atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras. O Empréstimo para MEI e o Pix Parcelado são concedidos pela BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A., CNPJ 34.337.707/0001-00.
Fontes:
- Planalto: Lei nº 13.455/2017
- Planalto: Lei nº 10.962/2004, art. 5º-A
- Banco Central: Pix
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ) e Correspondente Bancário certificado Febraban (FBB100), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais.