Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em setembro de 2026
Empréstimo no cartão de crédito é o nome de dois produtos diferentes. No empréstimo no cartão, o banco do cartão libera um crédito pessoal numa linha separada, que em geral não usa o limite de compras, e cobra as parcelas na fatura. No Pix no cartão de crédito, o limite do cartão vira dinheiro na conta: ele consome o limite, e as parcelas também vêm na fatura. O Pix Parcelado do Juca é do segundo tipo.
Resposta rápida:
- Nos dois, as parcelas vêm na fatura do cartão.
- O empréstimo do banco do cartão em geral não ocupa o limite de compras; o Pix no cartão ocupa.
- O empréstimo só existe no banco que emitiu o cartão; o Pix no cartão funciona com cartões de outros bancos.
- Os dois cobram juros e IOF: compare pelo CET, não só pela taxa.
Neste guia:
- Empréstimo no cartão ou Pix no cartão: a diferença
- Como funciona o empréstimo no cartão de crédito
- Como funciona o Pix no cartão de crédito
- Diferença entre empréstimo no cartão e rotativo
- Quanto custa: juros, IOF e o teto da Lei 14.690/2023
- Exemplo: quanto você paga
- Vale a pena? E qual dos dois escolher
- Perguntas frequentes
Empréstimo no cartão ou Pix no cartão: a diferença
A diferença entre empréstimo no cartão e Pix no cartão é o que acontece com o seu limite. No empréstimo, o banco do cartão abre uma linha de crédito à parte, e o limite de compras continua livre. No Pix no cartão, é o próprio limite que vira dinheiro, e ele fica ocupado até você pagar as parcelas.
O que os dois têm em comum é a cobrança: as parcelas aparecem na fatura do cartão, junto com as compras do mês. Por isso, para quem olha só a fatura, eles parecem a mesma coisa. Para o seu orçamento, não são.
| Item | Empréstimo no cartão | Pix no cartão de crédito |
|---|---|---|
| Usa o limite de compras? | Em geral não: é uma linha separada | Sim: o limite vira dinheiro |
| Onde paga | Parcelas na fatura do cartão | Parcelas na fatura do cartão |
| Quem oferece | Só o banco que emitiu o cartão | Empresas que processam o cartão, com cartões de vários bancos |
| Como o dinheiro chega | Depósito na conta | Pix na conta |
| Análise | Do banco, com oferta pré-aprovada | Da empresa que faz o Pix, sobre o limite disponível |
| Custo | Juros e IOF, no CET do contrato | Juros e IOF, no CET da operação |
Seu banco não ofereceu empréstimo no cartão? Com o Pix Parcelado do Juca, você usa o limite de um ou mais cartões de crédito e recebe o dinheiro por Pix, na hora depois da aprovação, pagando em até 12x na fatura.
Como funciona o empréstimo no cartão de crédito
O empréstimo no cartão de crédito é um crédito pessoal que o banco emissor oferece a quem já tem o cartão dele, quase sempre como oferta pré-aprovada no aplicativo. O valor cai na conta corrente ou poupança, e as parcelas são lançadas na fatura, mês a mês.
A vantagem é o limite: como é uma linha à parte, você continua comprando com o cartão normalmente. Há bancos em que só o valor da parcela do mês ocupa o limite, e não o empréstimo inteiro. Essa regra muda de um banco para outro e fica no contrato, então vale conferir antes de assinar.
A limitação é que ele só existe no banco do cartão. Se o seu banco não fez a oferta, não há como contratar. E os juros são os do crédito pessoal daquele banco, informados no CET antes da contratação. As outras modalidades fora do cartão estão no guia de empréstimo pessoal.
E o saque no crédito?
O saque no crédito é outra coisa: você tira dinheiro no caixa eletrônico usando o limite do cartão. Os juros começam a correr no dia do saque, sem o prazo sem juros das compras, e há IOF de operação de crédito, pelo art. 7º do Decreto nº 6.306/2007. Costuma ser a forma mais cara de tirar dinheiro do cartão.
Como funciona o Pix no cartão de crédito
O Pix no cartão de crédito transforma o limite disponível em dinheiro na sua conta. A operação é lançada no cartão como uma compra parcelada, e o valor cai como Pix. Isso consome o limite: o valor usado fica ocupado e vai sendo liberado conforme as parcelas são pagas.
Como não depende de oferta do banco, funciona com cartões de outras instituições. Em troca, você reduz o limite que teria para as compras e para uma emergência, e isso precisa entrar na conta.
É isso que o Pix Parcelado do Juca faz. O Pix sai na hora depois da aprovação, usando o limite de um ou mais cartões de crédito conectados pelo Open Finance, o sistema regulado pelo Banco Central do Brasil que permite compartilhar dados bancários com a sua autorização. Os limites podem ser somados num único Pix, pago em até 12x na fatura. O passo a passo está em como funciona o Pix Parcelado, e o anúncio do produto em Pix Parcelado no Juca.
Há juros e há IOF, e os dois entram no CET, o Custo Efetivo Total, que soma juros, impostos e tarifas. É esse número que você compara com as outras opções.
Quer ver quanto custaria para você? Simule o Pix Parcelado pelo site e confira o CET, as parcelas e o total antes de assinar.
Diferença entre empréstimo no cartão e rotativo
A diferença entre empréstimo no cartão e rotativo é o contrato. O empréstimo tem valor, parcelas fixas e CET definidos antes. O rotativo não é contratado: ele acontece sozinho quando você paga menos que o total da fatura, e o saldo restante passa a render juros.
O rotativo tem prazo curto. Pela Resolução CMN nº 4.549/2017, o saldo só fica no rotativo até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, o emissor precisa oferecer o parcelamento da fatura.
Na prática, o que muda entre as duas coisas:
- Contratação: o empréstimo é pedido e assinado; o rotativo entra automaticamente.
- Parcelas: o empréstimo tem parcelas fixas; o rotativo cresce com juros sobre o saldo.
- Prazo: o rotativo dura até a fatura seguinte; o empréstimo tem prazo definido.
- Transparência: o empréstimo mostra o CET antes; o rotativo mostra o custo depois, na fatura.
O parcelamento da fatura é o passo seguinte ao rotativo: o saldo em aberto é dividido em parcelas com juros próprios. Ele parece um empréstimo, mas nasce de uma dívida já existente. Por isso o empréstimo no cartão, feito antes de a fatura apertar, costuma ser mais previsível que deixar o saldo cair no rotativo.
Quanto custa: juros, IOF e o teto da Lei 14.690/2023
O empréstimo no cartão custa juros mais IOF, e no cartão os juros estão entre os mais altos do mercado. Segundo o Banco Central do Brasil, a taxa média do rotativo do cartão para pessoa física foi de 15,02% a.m. (equivalente a aproximadamente 435% a.a.) em julho de 2026, pela série SGS 25477.
Segundo o Banco Central do Brasil, a taxa média do parcelado do cartão foi de 9,26% a.m. (cerca de 190% a.a.), pela série SGS 25478, e a do crédito pessoal não consignado, de 6,42% a.m. (cerca de 111% a.a.), pela série SGS 25464 (julho de 2026). As médias mostram a distância entre as modalidades, e a taxa de cada pessoa depende da análise de crédito.
Existe um limite legal para o rotativo e o parcelado da fatura. A Lei nº 14.690/2023 fixou que juros e encargos dessas duas modalidades não podem passar de 100% do valor original da dívida. O detalhe fica no guia de juros do cartão de crédito.
Para ver quanto uma fatura cresce no rotativo, use a calculadora de juros do cartão rotativo.
O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de pessoa física é de 0,38% fixo mais 0,0082% ao dia, com teto de cerca de 3,38% ao ano, pelo art. 7º do Decreto nº 6.306/2007. O teto é a alíquota diária por 365 dias somada ao adicional fixo.
| Item | Regra | Fonte |
|---|---|---|
| IOF pessoa física | 0,38% + 0,0082% ao dia, teto de cerca de 3,38% ao ano | Decreto nº 6.306/2007, art. 7º |
| Teto de juros | Até 100% da dívida original no rotativo e no parcelado da fatura | Lei nº 14.690/2023 |
| Prazo do rotativo | Até o vencimento da fatura seguinte | Resolução CMN nº 4.549/2017 |
| Taxa média do rotativo | 15,02% a.m. / cerca de 435% a.a. (julho de 2026) | BCB, SGS 25477 |
| Taxa média do parcelado | 9,26% a.m. / cerca de 190% a.a. (julho de 2026) | BCB, SGS 25478 |
Exemplo: quanto você paga
Um empréstimo de R$ 2.000 em 12 parcelas no cartão, pela taxa média do crédito pessoal não consignado, sai por cerca de R$ 244 por mês e R$ 2.929 no total. O exemplo usa a média do Banco Central de 6,42% a.m. (julho de 2026, SGS 25464), porque ela é pública.
A conta segue três passos. Os juros de 6,42% a.m. definem a parcela. O IOF, de cerca de R$ 43, é descontado do valor que cai na conta. Como você recebe menos e paga a mesma parcela, o custo real sobe, e é isso que o CET mostra.
| Item | Valor | Como sai |
|---|---|---|
| Valor contratado | R$ 2.000,00 | Pedido do cliente |
| IOF | cerca de R$ 43,00 | 0,38% + 0,0082% ao dia |
| Valor liberado na conta | cerca de R$ 1.957,00 | Contratado menos IOF |
| Parcelas | 12 de R$ 244,07 | Juros de 6,42% a.m. |
| Total a pagar | R$ 2.928,84 | 12 x R$ 244,07 |
| CET | cerca de 6,83% a.m. (cerca de 121% a.a.) | Juros mais IOF |
Valores exclusivamente ilustrativos, não representam oferta. A taxa real depende da instituição e da análise de crédito, e o CET completo aparece antes da assinatura.
Atenção: se a parcela do cartão atrasar, o valor em aberto entra no rotativo. A média do rotativo foi de 15,02% a.m. em julho de 2026, mais que o dobro da taxa usada no exemplo.
Vale a pena? E qual dos dois escolher
Empréstimo no cartão ou Pix no cartão valem a pena quando a fatura está sob controle e o dinheiro resolve um gasto pontual. Deixam de fazer sentido quando o cartão já é a fonte do problema, porque a nova dívida entra no mesmo lugar da antiga.
Entre os dois, a escolha costuma passar por três perguntas:
- O seu banco ofereceu o empréstimo? Se não, o Pix no cartão é o caminho que sobra dentro do cartão.
- Você precisa do limite livre? Se o cartão é a sua reserva para emergência, o empréstimo que não ocupa o limite pesa menos.
- Qual CET é menor? Taxa baixa com IOF e tarifas altas pode sair mais cara. Compare o CET das duas propostas.
Pode não valer a pena usar nenhum dos dois nestes casos:
- Rotativo ativo: você já pagou só o mínimo e a dívida está crescendo.
- Renda comprometida: a fatura passa de cerca de 30% da sua renda mensal.
- Parcela sem folga: a parcela depende de uma renda que ainda não chegou.
- Dívida para pagar dívida: o dinheiro cobriria outra fatura do cartão.
O limite de 30% não é lei nem regra do Banco Central do Brasil. É uma referência prudencial: acima disso, qualquer imprevisto tende a empurrar a fatura para o rotativo. Quem já está nessa situação encontra o passo a passo em dívida no cartão de crédito.
Para quem é CLT, existem alternativas que costumam custar menos. O consignado CLT, o Crédito do Trabalhador, tem a parcela descontada em folha e um teto de juros definido pelo governo. A antecipação do saque-aniversário do FGTS usa o saldo do fundo como garantia, sem parcela no orçamento do mês. A comparação direta está em cartão ou crédito do trabalhador: o que pesa menos.
Vai usar o limite do cartão? Simule o Pix Parcelado pelo site e veja o CET, as parcelas e o total antes de contratar. Tem carteira assinada? Compare também com o Crédito do Trabalhador e com a antecipação do FGTS.
Simular o Pix Parcelado · Simular o Crédito do Trabalhador · Simular a antecipação do FGTS
Perguntas frequentes
Empréstimo no cartão de crédito usa o limite de compras?
Depende de qual produto. O empréstimo oferecido pelo banco do cartão em geral é uma linha separada e não usa o limite de compras; em alguns bancos, só a parcela do mês ocupa o limite. O Pix no cartão de crédito usa o limite: o valor fica ocupado até as parcelas serem pagas.
Pix no cartão de crédito é empréstimo?
Na prática, funciona como um: você recebe o dinheiro agora e paga depois, em parcelas com juros e IOF. A diferença é que o dinheiro sai do limite do cartão, e não de uma linha de crédito nova, e por isso ele pode ser feito com cartões de outros bancos.
O que acontece se não pagar a fatura?
O valor não pago entra no rotativo até a fatura seguinte e depois precisa ser parcelado, com juros e IOF. Os juros e encargos dessas modalidades são limitados a 100% da dívida original pela Lei nº 14.690/2023. Com o atraso, o emissor pode cobrar multa e registrar a dívida nos birôs de crédito.
Empréstimo no cartão de crédito aumenta o score?
Nenhum empréstimo garante aumento de score. O score é calculado por empresas privadas, os birôs de crédito, com critérios próprios. Pagar as parcelas em dia entra no seu histórico de pagamento, que costuma ser um dos fatores considerados, e atrasos pesam contra.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria financeira. Taxas, prazos e condições variam por instituição e dependem de análise de crédito. O Juca (JUCA INTERMEDIAÇÕES E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 48.225.686/0001-45) atua como Correspondente Bancário nos termos da Resolução CMN nº 3.954/2011, e não é instituição financeira; quem origina o crédito são Instituições Financeiras autorizadas pelo Banco Central.
Fontes
- Presidência da República: Lei nº 14.690/2023
- Diário Oficial da União: Resolução CMN nº 4.549/2017
- Presidência da República: Decreto nº 6.306/2007 (IOF)
- Banco Central do Brasil: SGS 25477, taxa média do rotativo do cartão PF
- Banco Central do Brasil: SGS 25478, taxa média do parcelado do cartão PF
- Banco Central do Brasil: SGS 25464, taxa média do crédito pessoal não consignado
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ) e Correspondente Bancário certificado pela Febraban (FBB100), trabalha há 4 anos com produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Ver todos os artigos