Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em outubro de 2026
Para saber como vender em janeiro no comércio, comece em dezembro: guarde parte das vendas de fim de ano, negocie com os fornecedores um prazo maior e planeje ações para a volta às aulas e a liquidação. Janeiro vende menos porque o cliente gasta com IPVA, IPTU, material escolar e a fatura das compras de Natal.
Resposta rápida:
- Janeiro concentra IPVA, IPTU e material escolar, e o consumidor corta outras compras.
- Separe em dezembro uma reserva das vendas de Natal para cobrir janeiro.
- Negocie com o fornecedor o vencimento das compras para depois do mês fraco.
- Venda o que janeiro pede: volta às aulas e liquidação do estoque parado.
- Se o caixa descasar por poucas semanas, capital de giro de curto prazo pode cobrir a diferença.
Por que janeiro vende menos no comércio?
Janeiro vende menos no comércio por causa da sazonalidade do varejo: dezembro é o pico do ano, e no mês seguinte o consumidor tem menos dinheiro livre. Janeiro é um mês fraco para o comércio todos os anos, e o lojista que sabe disso se prepara antes.
O tamanho da queda aparece nos números oficiais. Segundo o IBGE, na Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), série sem ajuste sazonal, o volume de vendas do varejo caiu cerca de 19% de dezembro de 2025 para janeiro de 2026 (2026). A conta é nossa, sobre o índice do IBGE, e o mesmo tombo aconteceu em 2024 e em 2025.
Atenção ao ler a notícia: o IBGE também divulga a variação com ajuste sazonal, que retira de propósito o efeito do Natal. Por isso a manchete pode mostrar alta em janeiro enquanto o caixa da sua loja mostra queda. Para planejar, o que importa é a série sem ajuste.
Parte da queda vem de dezembro ser inflado pelas festas. A outra parte vem do bolso do cliente, que em janeiro paga contas que não aparecem no resto do ano:
- IPVA, imposto estadual sobre veículos, com calendário de cada estado.
- IPTU, imposto municipal sobre imóveis, com calendário de cada prefeitura.
- Material escolar, uniforme e matrícula da volta às aulas.
- Fatura do cartão com as compras parceladas de dezembro.
Quem separa o dinheiro da casa do dinheiro da loja enxerga melhor esse mês. Se a dúvida for crédito para você, pessoa física, o guia de empréstimo pessoal explica as modalidades. Este artigo trata do caixa da empresa.
Como preparar o caixa para janeiro, ainda em dezembro?
Para preparar o caixa para janeiro, o lojista usa dezembro, quando o dinheiro entra, para guardar reserva, empurrar vencimentos e listar as despesas do mês fraco. São três frentes, e cada uma cabe numa tarde de planejamento.
O controle do dia a dia é assunto do fluxo de caixa do MEI. Aqui fica só o recorte de janeiro.
Reserve parte das vendas de fim de ano
A reserva funciona melhor como regra fixa: um percentual de cada venda de dezembro vai para uma conta separada da empresa, que não se mexe até janeiro. Separar no dia da venda evita a sensação de sobra que o caixa cheio de dezembro dá.
O percentual depende da sua margem e da queda que a sua loja costuma ter. Olhe o faturamento de janeiro do ano passado contra as despesas fixas e calcule a diferença. Essa diferença é o tamanho mínimo da reserva.
Renegocie prazo com o fornecedor
Renegociar prazo com o fornecedor significa jogar o vencimento das compras de dezembro para fevereiro, quando o movimento volta. O melhor momento para pedir é na hora do pedido de fim de ano, quando você compra mais e tem poder de negociação.
Leve argumentos concretos: volume da compra, tempo de relacionamento e histórico de pagamento em dia. Um boleto que vence em 15 de fevereiro, e não em 15 de janeiro, vale quase tanto quanto dinheiro novo no caixa.
Monte o calendário das despesas de janeiro
O calendário de despesas de janeiro reúne, numa folha só, tudo o que vence no mês e quanto custa. O DAS do MEI vence no dia 20 de cada mês, segundo o gov.br; confira a data no boleto.
O DAS-MEI acompanha o salário mínimo, porque a parte do INSS é 5% dele (Lei nº 8.212/1991, art. 21). Em 2026, com salário mínimo de R$ 1.621,00 (Decreto nº 12.797/2025), o DAS do comércio ficou em R$ 82,05, segundo a Receita Federal (2026). Confira o valor da guia de cada mês no PGMEI, antes de fechar a previsão de janeiro.
| Despesa | Quem paga | Vencimento em janeiro | Onde conferir |
|---|---|---|---|
| DAS-MEI | Empresa (MEI) | Dia 20; valor conforme a guia | PGMEI, no gov.br |
| IPVA | Cliente e, se o veículo for da loja, a empresa | Varia por estado | Secretaria da Fazenda do estado |
| IPTU | Cliente e, se o imóvel for da loja, a empresa | Varia por município | Prefeitura |
| Material escolar | Cliente | Concentrado antes da volta às aulas | Efeito nas vendas da loja |
IPVA e IPTU são, pela Constituição Federal, arts. 155 e 156, impostos estadual e municipal. Em boa parte dos estados e municípios o primeiro vencimento cai nos primeiros meses do ano, mas cada ente tem seu calendário.
DAS atrasado: atraso gera multa e juros, e a guia atualizada sai no PGMEI. Se a guia de dezembro ficou para trás, regularize antes de janeiro e inclua o valor no calendário de despesas, para não somar um problema ao mês fraco.
Como aumentar as vendas em janeiro no comércio?
Para aumentar as vendas em janeiro no comércio, venda o que o mês pede: produtos de volta às aulas, liquidação do estoque parado e recompra de quem já comprou no Natal. Lutar contra o calendário custa caro; aproveitar o que ele empurra custa menos.
Volta às aulas
A volta às aulas é a principal demanda do mês para papelaria, calçados, roupas, bolsas e até mercadinho de bairro. Montar kits por série, abrir pré-venda ainda em dezembro e fazer parceria com escolas próximas antecipa a receita e reduz a incerteza de janeiro.
Liquidação de janeiro e queima de estoque
A liquidação de janeiro transforma estoque parado em dinheiro no caixa. Comece pelo que está há mais tempo na prateleira e confira a margem antes de dar desconto: vender abaixo do custo só troca um problema por outro.
Como dimensionar a compra de fim de ano é tema do guia de estoque para o Natal. Em janeiro, a sobra dele vira matéria-prima da queima de estoque.
Cliente da base e pagamento claro
Cliente da base é quem já comprou na sua loja e confia nela. Uma mensagem com novidade ou condição de janeiro custa pouco e tende a trazer mais retorno que anúncio para desconhecido. Deixe as formas de pagamento claras e evite empurrar parcelamento longo para cliente já apertado: o calote volta para você.
| Ação | Para que tipo de comércio | Quando começar | O que medir |
|---|---|---|---|
| Kits de volta às aulas | Papelaria, calçados, roupas | Pré-venda em dezembro | Ticket médio |
| Liquidação de janeiro | Qualquer loja com estoque parado | Primeira semana de janeiro | Giro do estoque e margem |
| Contato com a base | Loja com cadastro de clientes | Logo depois do Natal | Recompra |
| Parceria com escola | Comércio de bairro | Novembro e dezembro | Vendas por indicação |
Exemplo com valores ilustrativos. Uma loja de bairro vende R$ 30.000 em dezembro e reserva 10%, ou seja, R$ 3.000. Em janeiro vende R$ 18.000 e tem R$ 20.000 de despesas fixas, mais o DAS do mês. A reserva cobre a diferença de R$ 2.000 e o DAS, e sobra fôlego se a compra do fornecedor ficou para fevereiro.
E se o caixa não fechar em janeiro?
Se o caixa não fechar em janeiro, o primeiro passo é descobrir se o problema é descasamento temporário ou prejuízo. Descasamento é quando a despesa vence antes de a venda entrar, mas o mês, somado, fecha. Prejuízo é quando a conta não fecha nem no fim do mês.
Para o descasamento, siga uma ordem que protege o caixa:
- Use a reserva separada em dezembro.
- Peça mais prazo ao fornecedor antes do vencimento.
- Corte ou adie compras que não vão girar em janeiro.
- Considere crédito de curto prazo só para a diferença que sobrar.
Crédito serve para atravessar algumas semanas, nunca para tapar prejuízo recorrente, porque os juros aumentam a conta. Se a loja precisa de fôlego, o capital de giro para MEI do Juca é um limite que cai por Pix na conta da empresa, depois da aprovação, com fatura semanal: pagou, o limite volta. Atraso gera juros, multa e mora conforme o contrato.
Antes de contratar: compare o CET (Custo Efetivo Total, que soma juros, tarifas e impostos) e confira se a venda que vai pagar a fatura já está prevista. Crédito sem venda prevista vira dívida nova.
Checklist: como vender em janeiro sem apertar o caixa
Este checklist resume como vender em janeiro no comércio sem apertar o caixa, na ordem do calendário. Comece em outubro ou novembro, quando ainda dá tempo de negociar prazo, e termine em janeiro, com a liquidação e o contato com a base. Marque cada item conforme avançar, e revise o plano no fim de dezembro, com o resultado das vendas de Natal em mãos.
- Compare janeiro do ano passado com as despesas fixas, em novembro.
- Negocie prazo para fevereiro no pedido de fim de ano.
- Separe um percentual fixo de cada venda de dezembro.
- Abra a pré-venda de volta às aulas antes do Natal.
- Monte o calendário de DAS, IPVA e IPTU do negócio.
- Liquide o estoque parado na primeira semana de janeiro.
- Avise a base de clientes sobre as ofertas do mês.
- Avalie crédito de curto prazo só se sobrar descasamento.
Perguntas frequentes
Liquidação de janeiro vale a pena para o pequeno comércio?
Vale quando o produto está parado há meses e o desconto ainda cobre o custo. O dinheiro que volta paga despesas do mês fraco e abre espaço para mercadoria nova. Se o desconto passa da margem, a liquidação gera faturamento, mas não gera caixa.
Quando começar a se preparar para janeiro?
O ideal é começar em outubro ou novembro, quando você faz os pedidos de fim de ano e ainda tem poder para negociar prazo. Em dezembro entra a reserva das vendas. Janeiro fica para executar o plano, não para inventá-lo.
Para comparar as outras modalidades de crédito para a empresa, veja as linhas de crédito para CNPJ.
No Juca, o dinheiro cai no Pix
- Antecipação do FGTS no Pix: receba hoje parcelas do saque-aniversário.
- Consignado CLT no Pix: crédito com desconto em folha para quem tem carteira assinada.
- Empréstimo para negativado no Pix: simule mesmo com o nome restrito.
- Antecipação de Salário no Pix: parte do salário antes do dia do pagamento.
- Pix Parcelado: Pix na hora com o limite do cartão, em até 12x na fatura.
- Empréstimo pessoal no Pix: de R$ 500 a R$ 2.500, também para autônomo e aposentado.
- Empréstimo para MEI no Pix: capital de giro que cai na conta da empresa, com fatura semanal.
- Empréstimo na conta de luz no Pix: de R$ 400 a R$ 4.000, em até 24x na conta de luz.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria financeira ou contábil. Condições, limites e aprovação variam por instituição e dependem de análise de crédito. O Juca (JUCA INTERMEDIACOES E SERVICOS LTDA, CNPJ 48.225.686/0001-45) atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras; no empréstimo para MEI, o crédito é concedido pela BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A., CNPJ 34.337.707/0001-00.
Fontes
- IBGE: Pesquisa Mensal de Comércio, tabela 8880 (SIDRA)
- Gov.br: Como pagar o DAS do MEI
- Receita Federal: Valores do DAS-MEI em 2026
- Planalto: Lei nº 8.212/1991
- Planalto: Decreto nº 12.797/2025, salário mínimo
- Planalto: Constituição Federal, arts. 155 e 156
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ) e Correspondente Bancário certificado Febraban (FBB100), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Ver todos os artigos.