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Juros semanais para mensal: como converter a taxa

Juros semanais para mensal: veja a fórmula de juros compostos, a tabela de equivalência e como ler o CET. Compare as ofertas e simule o seu caso.
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Pessoa compara períodos em uma agenda e um calendário usando uma calculadora.

Para converter juros semanais para mensal, use a fórmula de juros compostos: taxa mensal = (1 + taxa semanal)^(30/7) − 1. Uma taxa ilustrativa de 2% por semana equivale a cerca de 8,86% ao mês, e não a 8%. A diferença existe porque os juros de cada semana também rendem juros nas semanas seguintes.

Resposta rápida:

  • A fórmula mensal é (1 + i semanal)^(30/7) − 1, porque um mês de 30 dias tem cerca de 4,29 semanas.
  • Multiplicar a taxa semanal por 4 subestima o custo, porque essa é a conta de juros simples.
  • A fórmula anual é (1 + i semanal)^(365/7) − 1, e o resultado cresce muito rápido.
  • Para comparar ofertas, use o CET, que soma juros, tarifas, tributos e seguros.

Muita oferta de capital de giro para pequeno negócio chega com a taxa em base semanal, e a comparação com uma taxa mensal não é direta. As modalidades e os requisitos ficam no guia de empréstimo para CNPJ. Aqui o assunto é só a conta: como transformar a taxa semanal em mensal e anual, e como comparar as duas formas de pagar.

Por que a taxa semanal parece menor do que é

A taxa semanal parece menor porque a periodicidade muda o tamanho do número. Periodicidade é o intervalo a que a taxa se refere: semana, mês ou ano. Um número como 2% soa barato, mas ele vale para sete dias e se repete mais de quatro vezes por mês.

O segundo efeito é a capitalização. Capitalização é a incorporação dos juros ao saldo devedor: os juros da primeira semana entram na dívida, e os da segunda semana incidem sobre esse saldo maior. Ao final do mês, o custo passa da simples soma das taxas semanais.

Isso também explica a diferença entre taxa nominal e efetiva. A taxa nominal é a que aparece escrita na oferta, numa periodicidade que não coincide com a de capitalização. A taxa efetiva é o custo que de fato incide no período, já com os juros sobre juros.

Na prática, quem lê “2% por semana” e pensa “8% ao mês” erra para baixo. O erro parece pequeno num mês, mas cresce rápido quando o prazo se alonga.

Armadilha comum: comparar uma taxa semanal com uma taxa mensal sem converter. Os dois números só podem ser comparados quando estão na mesma periodicidade.

Como converter juros semanais em mensais?

Para saber como converter juros semanais em mensais, aplique juros compostos: some 1 à taxa semanal, eleve ao número de semanas do mês e subtraia 1. Com a convenção de mês comercial de 30 dias, o expoente é 30/7, cerca de 4,29 semanas.

A fórmula, escrita por extenso, é: taxa mensal = (1 + taxa semanal)^(30/7) − 1. A taxa sempre entra na forma decimal, então 2% vira 0,02.

Dá para fazer a conta na calculadora científica do próprio celular, em poucos passos:

  1. Digite a taxa semanal em decimal e some 1: com 2%, fica 1,02.
  2. Use a tecla de potência (x^y) e eleve a 4,2857, que é 30 dividido por 7.
  3. Subtraia 1 do resultado: 1,08857 − 1 = 0,08857.
  4. Multiplique por 100 para ler em porcentagem: cerca de 8,86% ao mês.

Quem prefere não fazer a conta à mão pode usar a calculadora de juros compostos do blog, que aplica a mesma lógica a outros períodos e valores.

Qual expoente usar: 30/7, 52/12 ou 4?

O expoente escolhido é uma convenção de cálculo, não uma regra legal. Há três formas comuns de contar as semanas do mês, e cada uma dá um resultado um pouco diferente para a taxa ilustrativa de 2% por semana:

  • Expoente 30/7 (cerca de 4,29): mês comercial de 30 dias, resultado de 8,86% ao mês.
  • Expoente 52/12 (cerca de 4,33): ano de 52 semanas dividido em 12 meses, resultado de 8,96% ao mês.
  • Expoente 4: mês de exatamente 4 semanas, resultado de 8,24% ao mês.
  • Multiplicação simples por 4: conta de juros simples, resultado de 8% ao mês.

Neste artigo o padrão é 30/7, porque o mês comercial de 30 dias é o mais usado em matemática financeira. O importante é usar a mesma base ao comparar duas ofertas.

Tabela: juros semanais para mensal e anual

A tabela de juros semanais para mensal e anual abaixo mostra a taxa equivalente semanal mensal de quatro taxas genéricas. Os valores são ilustrativos e não representam oferta de nenhuma instituição.

Juros semanais para mensal e anual: taxas equivalentes (valores ilustrativos, não representam oferta; anual calculado com 365/7 semanas)
Taxa semanal Proporcional (×4) Mensal equivalente (30/7) Anual equivalente (365/7)
1% a.s. 4% a.m. 4,36% a.m. 68,01% a.a.
1,5% a.s. 6% a.m. 6,59% a.m. 117,35% a.a.
2% a.s. 8% a.m. 8,86% a.m. 180,83% a.a.
3% a.s. 12% a.m. 13,51% a.m. 367,06% a.a.

A coluna do meio expõe a diferença entre taxa proporcional x taxa equivalente. A taxa proporcional apenas multiplica a taxa pelo número de semanas, como nos juros simples. A taxa equivalente produz o mesmo custo final no período, porque considera os juros compostos.

O salto fica claro na conversão de juros semanal para anual. Uma taxa de 2% por semana vira cerca de 180,83% ao ano, mais do que o dobro do que a multiplicação por 52 sugeriria (104%). Para chegar ao anual, a fórmula é (1 + taxa semanal)^(365/7) − 1.

A base de 365 dias foi escolhida por coerência com o CET. Segundo o Conselho Monetário Nacional, o CET deve ser expresso como taxa percentual anual e calculado em dias corridos (Resolução CMN nº 4.881/2020, art. 4º, 2020).

Parcela semanal ou mensal: qual sai mais caro?

A parcela semanal ou mensal sai mais cara conforme o prazo e o ritmo de devolução do dinheiro, não só conforme a taxa. Com a mesma taxa equivalente, quem paga toda semana devolve o principal mais cedo e, por isso, paga menos juros no total.

O exemplo abaixo é exclusivamente ilustrativo e não representa oferta. São R$ 1.000 emprestados, pela tabela Price, nas duas formas de pagamento. A opção mensal usa a taxa equivalente exata de 2% por semana, cerca de 8,86% ao mês.

Parcela semanal x mensal com juros semanais para mensal equivalentes (exemplo exclusivamente ilustrativo, não representa oferta)
Modalidade Taxa e parcelas Valor da parcela Total pago e prazo
A: parcela semanal 2% a.s., 8 parcelas R$ 136,51 R$ 1.092,08 em 56 dias
B: parcela mensal 8,86% a.m., 2 parcelas R$ 567,37 R$ 1.134,74 em 60 dias

Nas duas opções o valor liberado é de R$ 1.000. A opção A termina com R$ 42,66 a menos de custo, mesmo com a taxa equivalente igual. O motivo é que a parcela semanal amortiza a dívida desde a primeira semana, e o saldo sobre o qual os juros incidem cai mais cedo.

Cuidado com a comparação: os prazos do exemplo são diferentes (56 e 60 dias), e prazos diferentes distorcem o total pago. Uma comparação justa usa o mesmo prazo e o CET de cada proposta.

A frequência de pagamento também precisa combinar com o caixa da empresa. Quem vende todo dia, como o comércio, costuma receber em ritmo compatível com a parcela semanal; quem recebe uma vez por mês pode ter dificuldade com ela. Como funciona essa rotina está explicado no artigo sobre empréstimo com pagamento semanal.

Como ler o CET, custo efetivo total

O CET, custo efetivo total, é a taxa que reúne todo o custo de uma operação de crédito, e é ele que deve ser comparado entre ofertas. Segundo o Conselho Monetário Nacional, o cálculo considera amortizações, juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas vinculadas à operação (Resolução CMN nº 4.881/2020, art. 3º, 2020).

A mesma resolução obriga as instituições a informar o CET antes da contratação e a apresentar o demonstrativo de cálculo (art. 7º). A regra vale para pessoas naturais, inclusive empresários individuais, e para microempresas e empresas de pequeno porte nos termos da Lei Complementar nº 123/2006. Nesse grupo estão o MEI, a ME e a EPP. A norma é do Conselho Monetário Nacional e a supervisão das instituições é do Banco Central do Brasil.

Ao receber uma proposta com taxa semanal, vale conferir:

  • Confira se o CET aparece na proposta, sempre em taxa anual.
  • Converta a taxa semanal para a mesma periodicidade antes de comparar.
  • Veja no demonstrativo o valor em reais de cada tarifa, tributo e seguro.
  • Compare propostas com o mesmo prazo, porque prazos diferentes mudam o total.
  • Some as parcelas e confira o total a pagar informado no contrato.

No empréstimo para MEI do Juca, o capital de giro cai por Pix na conta da empresa, e as condições aparecem antes de assinar, com o CET para você comparar com outras propostas. Atraso gera juros, multa e mora conforme o contrato, então vale conferir o fluxo de caixa antes de contratar.

Capital de giro para a empresa, no Pix. Veja as condições do empréstimo para MEI do Juca: as condições aparecem antes de assinar, e o dinheiro é liberado na hora depois da aprovação.

Simule o empréstimo para MEI

Este conteúdo é educacional e não constitui oferta de crédito nem consultoria financeira. As taxas e os exemplos deste artigo são ilustrativos. As condições variam conforme a instituição e a análise de crédito. O Juca (JUCA INTERMEDIACOES E SERVICOS LTDA, CNPJ 48.225.686/0001-45) atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras, nos termos da Resolução CMN nº 3.954/2011; no empréstimo para MEI, o crédito é concedido pela BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A., CNPJ 34.337.707/0001-00.

Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ) e Correspondente Bancário certificado pela Febraban (FBB100), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Veja os artigos do autor.

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