Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em novembro de 2026
O Acredita no Primeiro Passo é o programa do governo federal, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), que facilita microcrédito para famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico que querem abrir ou manter um pequeno negócio. Os juros têm teto ligado à Selic, e a contratação é feita em instituições credenciadas pelo programa.
Resposta rápida:
- Quem pode pedir: famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico, com dados atualizados.
- Receber Bolsa Família não é requisito do programa, segundo a portaria do público.
- O teto dos juros é a Selic mais até 2% ao ano, prefixado na contratação.
- Valor, prazo e análise de crédito são definidos por cada instituição credenciada.
- O Juca não oferece nem intermedeia o Acredita no Primeiro Passo.
Informações conferidas em 02/11/2026 no gov.br/mds. As regras do programa mudam por portaria, e a lista de instituições credenciadas é atualizada com frequência. Antes de pedir, confira a página oficial do programa.
Neste guia
Acredita no Primeiro Passo quem pode pedir?
O Acredita no Primeiro Passo é destinado a famílias de baixa renda, em situação de vulnerabilidade, inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). É o que diz a Portaria MDS nº 1.081/2025, que define o público do programa. A modalidade é o microcrédito para MEI e para pequenos negócios, em versão do governo.
A mesma portaria dá foco a territórios de alta vulnerabilidade e prioridade a alguns grupos. Quem tem prioridade no atendimento:
- Pessoas com deficiência.
- Mulheres empreendedoras.
- Jovens.
- Pessoas negras.
- Populações tradicionais e ribeirinhas.
Sobre a idade, a página do programa no MDS informa que podem participar pessoas de 16 a 65 anos com os dados atualizados no CadÚnico. As leis e portarias do programa não fixam essa faixa, então cada instituição pode ter exigências próprias na análise de crédito.
O programa atende tanto quem já tem negócio quanto quem quer começar, inclusive como MEI (microempreendedor individual). A Portaria MDS nº 1.092/2025 prevê plano de negócio no CPF ou no CNPJ do MEI. Para entender a formalização, as obrigações e o limite de faturamento, veja o guia do MEI.
Quem recebe Bolsa Família pode pedir o Acredita?
Receber o Bolsa Família não é requisito do programa. A portaria do público exige o CadÚnico, e o benefício não aparece nem como condição nem como prioridade.
O Bolsa Família tem uma Regra de Proteção, que mantém parte do benefício por um período quando a renda da família sobe. Como o MDS trata o efeito do crédito e do novo negócio sobre o benefício, esta página não afirma: pergunte no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) do seu município antes de contratar.
Acredita no Primeiro Passo como funciona na prática
O Acredita no Primeiro Passo funciona como uma ponte: o MDS define as regras, credencia instituições e oferece garantia, e as instituições emprestam o dinheiro. O programa foi criado pela Lei nº 14.995/2024, que também criou o fundo garantidor das operações.
A modalidade é o microcrédito produtivo orientado: um agente acompanha o empreendedor, ajuda no plano de negócio e avalia a necessidade real de crédito. Ou seja, a orientação vem antes do dinheiro.
A garantia vem do FGO Acredita (Fundo de Garantia de Operações), previsto na Lei nº 14.995/2024, e o contratante não paga comissão por essa garantia. Atenção: o FGO protege a instituição, não o tomador. Se você atrasar, a dívida continua sendo sua, e a instituição cobra em nome próprio.
Segundo o MDS, o microcrédito urbano do Acredita somou mais de R$ 2,84 bilhões contratados até maio de 2026, para 335,46 mil empreendedores inscritos no CadÚnico (MDS, 2026).
E a Portaria MDS nº 1.167/2026? Ela não mudou público, valor, prazo nem juros. A portaria aprovou um plano de fiscalização das instituições credenciadas, para monitorar e avaliar as operações do programa (DOU, 2026).
| Item | Regra | Fonte |
|---|---|---|
| Quem pode | Famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico | Portaria MDS nº 1.081/2025 |
| Idade | 16 a 65 anos, com CadÚnico atualizado | Página do programa no MDS |
| Valor por operação | Definido pela instituição na análise | Instituição credenciada |
| Juros (teto) | Selic + até 2% a.a., prefixada | Portaria MDS nº 1.079/2025 |
| Garantia | FGO Acredita, sem comissão para o tomador | Lei nº 14.995/2024 |
| Onde contratar | Instituições credenciadas | MDS |
Quais são os juros do microcrédito Acredita?
Os juros do microcrédito Acredita têm um teto: a taxa anual prefixada não pode passar da Selic mais 2%, apurada na data de cada operação. A regra está na Portaria MDS nº 1.079/2025, que estabelece o limite máximo da taxa.
Ou seja, não é uma taxa fixa igual para todos. A instituição pode cobrar menos que o teto, mas não mais, se quiser participar do programa e usar a garantia do FGO. Quatro pontos práticos sobre os juros do Acredita no Primeiro Passo:
- Taxa prefixada: fica travada no dia da contratação.
- Base anual: o teto é expresso em % ao ano, não ao mês.
- Selic variável: quem contrata em datas diferentes pode ter tetos diferentes.
- CET no contrato: o custo final aparece no contrato, com tarifas e tributos.
Segundo o Banco Central, a Selic meta estava em 13,75% a.a. em novembro de 2026 (BCB, série SGS 432). Com essa Selic, o teto ficaria em 15,75% a.a. para uma operação contratada em 02/11/2026 (conta nossa, não da norma).
O CET (Custo Efetivo Total) é a soma de juros, tarifas e impostos de um empréstimo. É ele que mostra quanto o crédito custa de verdade, então compare o CET anual informado pela instituição com esse teto antes de assinar.
Cuidado com os números que circulam. Taxas como 0,7% ou 0,8% ao mês aparecem em reportagens de 2024 e em programas de outros bancos. Elas não estão nas normas do Acredita. Vale o que está na portaria e no seu contrato.
Onde pedir o Acredita no Primeiro Passo: passo a passo
O Acredita no Primeiro Passo é pedido diretamente numa das instituições credenciadas pelo MDS, não num site único do governo. A lista oficial de instituições credenciadas reúne bancos públicos, agências de fomento e organizações de microcrédito.
Estar na lista significa poder ofertar, não que todas estejam com linha aberta na sua cidade. O pedido segue, em geral, esta ordem:
- Confira se o seu CadÚnico está atualizado no CRAS ou no órgão do seu município.
- Consulte a lista de credenciadas no site do MDS e veja quem atende sua região.
- Procure a instituição e pergunte quais documentos ela exige para a análise.
- Participe da orientação com o agente de crédito e monte o plano do negócio.
- Leia a proposta: CET anual, número de parcelas, valor da parcela e total a pagar.
- Assine só se a parcela couber no caixa do negócio sem apertar a família.
A Portaria MDS nº 1.092/2025 prevê que o plano de negócio considere a necessidade de crédito, o endividamento e o fluxo de caixa. A página do programa também aponta as Salas do Empreendedor do Sebrae como apoio para essa etapa.
Crédito é dívida, mesmo com garantia do governo. Pegue só o valor que o plano justifica. Se o negócio ainda não vende, uma parcela mensal pode virar problema, e o atraso gera juros, multa e cobrança da instituição.
BNDES para MEI: linhas pelos bancos repassadores
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) não costuma emprestar direto ao pequeno negócio. No apoio indireto, instituições financeiras parceiras fazem a intermediação: assumem o risco, pedem a documentação, analisam a viabilidade e negociam condições e garantias, segundo a página Como solicitar do BNDES.
Para MEI, o BNDES tem o BNDES Crédito Digital, contratado pelo app ou internet banking de um banco parceiro, com mínimo de R$ 1.000 por operação. A taxa final soma a parte do BNDES, o custo financeiro e a do banco, então só o contrato mostra o CET. Cada banco decide se adere, e o BNDES informa que não credencia consultores como intermediários.
Não se enquadrou no Acredita?
Quem não está no CadÚnico ou não encontrou linha aberta tem outros caminhos. O Procred 360, também criado pela Lei nº 14.995/2024, é voltado a MEIs e microempresas e funciona com outras regras.
Outra opção é crédito no CNPJ fora de programas do governo. No Juca, o empréstimo para MEI é um limite de capital de giro que cai por Pix na conta da empresa, com fatura semanal: pagou, o limite volta. Atende MEI, ME e EPP, inclusive negativados, com análise do CNPJ e do CPF do titular, que pode recusar ou liberar limite menor. O Juca não oferece nem intermedeia o Acredita no Primeiro Passo, e são produtos diferentes.
Precisa de capital de giro para o CNPJ? Veja como funciona o empréstimo para MEI no Pix e simule. As condições completas aparecem antes da assinatura.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria financeira. Condições, taxas e aprovação variam por instituição e dependem de análise de crédito. O Acredita no Primeiro Passo é um programa do governo federal, sem relação com o Juca. O Juca (JUCA INTERMEDIACOES E SERVICOS LTDA, CNPJ 48.225.686/0001-45) atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras e não é instituição financeira; no empréstimo para MEI, o crédito é concedido pela BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A., CNPJ 34.337.707/0001-00.
Fontes
- Diário Oficial da União: Lei nº 14.995, de 10 de outubro de 2024
- MDS: Portaria MDS nº 1.079/2025 (teto de juros)
- MDS: Portaria MDS nº 1.081/2025 (público do programa)
- Diário Oficial da União: Portaria MDS nº 1.092/2025
- Diário Oficial da União: Portaria MDS nº 1.167/2026
- MDS: Programa Acredita no Primeiro Passo
- MDS: Instituições credenciadas
- MDS: Acredita movimenta R$ 16,44 bilhões em crédito no país
- Banco Central do Brasil: Série SGS 432, Selic meta
- BNDES: Como solicitar financiamento
- BNDES: BNDES Crédito Digital
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ) e Correspondente Bancário certificado Febraban (FBB100, Correspondente Bancário Completo), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Veja todos os artigos do autor.