Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em novembro de 2026
Quando as vendas caem, leve ao locador uma proposta por escrito com números: quanto o faturamento caiu, quanto o aluguel pesa na receita e o que você oferece em troca. A Lei do Inquilinato permite fixar novo valor por acordo a qualquer tempo (art. 18), mas o locador não é obrigado a aceitar.
Resposta rápida:
- Locador e inquilino podem fixar novo aluguel a qualquer momento, desde que os dois concordem.
- Calcule quanto o aluguel pesa no faturamento antes de pedir qualquer desconto.
- Proponha redução temporária, carência ou troca de índice, sempre por escrito.
- A ação revisional na Justiça só cabe após 3 anos de contrato ou do último acordo.
- Se a conta não fechar, mudar para um ponto menor ou dividir o espaço são saídas possíveis.
Neste guia:
- O proprietário é obrigado a negociar o aluguel?
- Qual índice usar para reajustar o aluguel, IGP-M ou IPCA?
- Quanto pedir para reduzir aluguel comercial
- Como renegociar aluguel da loja por escrito: modelo de proposta
- Alternativas quando o desconto não sai
- O que fazer se o proprietário recusar a proposta?
- Perguntas frequentes
O aluguel do ponto costuma ser o maior custo fixo de uma loja, e é o primeiro que aperta quando o movimento cai. Antes de negociar, vale separar o caixa da empresa do caixa da pessoa: misturar os dois leva muito lojista a cobrir o aluguel com um empréstimo pessoal, o que transfere o problema da loja para o orçamento da família.
Este guia trata só do aluguel. Para o corte de despesas como um todo, veja como reduzir custos no pequeno negócio. O texto é educativo e não substitui a orientação de um advogado no seu caso.
O proprietário é obrigado a negociar o aluguel?
O proprietário não é obrigado a negociar o aluguel comercial. A Lei do Inquilinato, Lei nº 8.245/1991, permite que locador e locatário fixem, de comum acordo, um novo valor ou mudem a cláusula de reajuste (art. 18), sem prazo mínimo. A palavra-chave é acordo: se o dono do imóvel disser não, o contrato continua valendo.
A mesma lei prevê caminhos judiciais, mas com condições. A ação revisional (art. 19) só pode ser pedida depois de 3 anos de vigência do contrato ou do último acordo, para ajustar o aluguel ao preço de mercado. A ação renovatória (art. 51) protege o ponto comercial, o chamado fundo de comércio, quando o contrato acaba.
Há ainda o art. 317 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002). Ele permite que o juiz corrija o valor de uma prestação quando, por motivo imprevisível, surge desproporção manifesta. Queda de vendas, por si só, não garante essa correção, e o pedido depende de processo.
| Dispositivo | O que permite | Quando vale |
|---|---|---|
| Lei 8.245/1991, art. 18 | Novo valor ou nova cláusula de reajuste por acordo | A qualquer tempo, se os dois concordarem |
| Lei 8.245/1991, art. 19 | Revisão judicial ao preço de mercado | Após 3 anos do contrato ou do último acordo |
| Lei 8.245/1991, art. 51 | Ação renovatória do contrato | Contrato escrito, prazo determinado, 5 anos somados e 3 anos no mesmo ramo |
| Código Civil, art. 317 | Correção judicial por desproporção imprevisível | Fato imprevisível, mediante pedido ao juiz |
Atenção ao prazo da renovatória: pelo art. 51, §5º, o direito se perde se a ação não for proposta entre 1 ano e 6 meses antes do fim do contrato em vigor. Se o seu contrato está perto de vencer, converse com um advogado antes de negociar.
Qual índice usar para reajustar o aluguel, IGP-M ou IPCA?
O índice de reajuste do aluguel é o que está escrito no contrato, e só muda por acordo entre as partes (art. 18). Muitos contratos comerciais usam o IGP-M; outros usam o IPCA. Quando um índice sobe bem mais que o outro, pedir a troca é um argumento concreto na hora de renegociar.
O IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) é calculado pela FGV IBRE e pesa muito preço no atacado. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é calculado pelo IBGE e é a inflação oficial do país, medida no consumo das famílias.
Segundo a FGV, o IGP-M acumulou 5,24% em 12 meses até outubro de 2026 (FGV IBRE, 2026). Segundo o IBGE, o IPCA acumulou 4,58% em 12 meses até setembro de 2026 (IBGE/SIDRA, tabela 1737, 2026).
| Índice | Quem calcula | Acumulado 12 meses | Mês de referência |
|---|---|---|---|
| IGP-M | FGV IBRE | 5,24% | Outubro de 2026 |
| IPCA | IBGE | 4,58% | Setembro de 2026 |
Os meses de referência são diferentes porque cada instituto divulga numa data. A diferença entre os dois muda de mês para mês, então confira o número da data do seu reajuste antes de levar o argumento ao locador. Se o seu índice estiver acima do outro, a proposta pode pedir a troca para os próximos reajustes.
Quanto pedir para reduzir aluguel comercial
Um pedido de redução com chance de acordo sai de uma conta: aluguel dividido pelo faturamento mensal. Esse percentual mostra quanto da receita vai para o ponto. Quando as vendas caem e o aluguel fica igual, o peso sobe, e é essa diferença que você leva para a mesa.
Não existe percentual oficial de desconto “de mercado”. O número certo é o que a sua loja aguenta pagar, medido no seu próprio fluxo de caixa MEI ou da empresa. Para chegar a ele, siga estes passos:
- Some o faturamento dos últimos 3 a 6 meses e tire a média.
- Compare com a média do mesmo período antes da queda.
- Divida o aluguel pelas duas médias para ver o peso antes e depois.
- Calcule qual aluguel devolveria o peso ao patamar anterior.
- Defina uma proposta entre esse valor e o atual, com prazo.
Exemplo ilustrativo (valores fictícios, só para mostrar a conta): uma loja faturava R$ 20.000 por mês e pagava R$ 3.000 de aluguel, ou 15% da receita. O faturamento caiu para R$ 15.000, e o mesmo aluguel passou a pesar 20%.
| Cenário | Faturamento mensal | Aluguel | Aluguel % da receita |
|---|---|---|---|
| Antes da queda | R$ 20.000 | R$ 3.000 | 15% |
| Depois da queda | R$ 15.000 | R$ 3.000 | 20% |
| Meta para voltar a 15% | R$ 15.000 | R$ 2.250 | 15% |
| Proposta realista | R$ 15.000 | R$ 2.400 | 16% |
Para voltar aos 15%, o aluguel teria de cair para R$ 2.250, uma redução de R$ 750 (25%). Um pedido mais fácil de aceitar seria R$ 2.400 por 6 meses, com volta escalonada ao valor cheio. O locador perde menos, e você ganha fôlego enquanto as vendas se recuperam.
Como renegociar aluguel da loja por escrito: modelo de proposta
Na renegociação do aluguel da loja, a proposta escrita vale mais que a conversa de corredor. Ela mostra os números, fixa prazo e contrapartida e vira prova do que foi pedido. Conversar antes ajuda, mas o pedido formal é o que o locador ou a imobiliária leva para decidir.
Antes de escrever, junte os documentos que sustentam o pedido:
- Contrato de locação, com a cláusula de reajuste e o prazo.
- Faturamento dos últimos 12 meses, por mês.
- Extratos ou relatórios da maquininha que comprovem a queda.
- Comprovantes de aluguel pago em dia, se houver.
- Índice do contrato e o índice alternativo, com fonte.
- Valores de pontos parecidos na região, se você tiver.
Depois, siga este mini passo a passo:
- Junte os números e calcule o peso do aluguel.
- Redija a proposta com valor, prazo e contrapartida.
- Envie com comprovante de recebimento, como e-mail com confirmação ou carta registrada.
- Formalize o acordo em aditivo assinado pelas duas partes.
Modelo de proposta (copie e adapte):
[Cidade], [data].
Prezado(a) [nome do locador ou da imobiliária],
Sou locatário(a) do imóvel situado em [endereço], pelo contrato firmado em [data], com aluguel atual de R$ [valor].
Nos últimos [número] meses, o faturamento da loja caiu de R$ [valor médio anterior] para R$ [valor médio atual], conforme relatórios anexos. Com isso, o aluguel passou de [X]% para [Y]% da receita.
Com base no art. 18 da Lei nº 8.245/1991, proponho o aluguel de R$ [valor proposto] por [número] meses, a partir de [mês], com retorno escalonado ao valor atual em [prazo].
Em contrapartida, ofereço [manter o contrato até data / pagar em dia com antecedência / assumir pequenos reparos].
Esta proposta é válida até [data]. Aceita, peço formalizarmos em aditivo contratual.
Atenciosamente, [nome, CPF ou CNPJ, telefone].
Se o imóvel é administrado por imobiliária, a proposta vai para ela, que repassa ao proprietário. Peça sempre que a resposta venha por escrito. Acordo só de boca não protege nenhum dos lados se houver discordância depois.
Alternativas quando o desconto não sai
Quando o locador recusa um desconto direto, ainda há alternativas que mexem no aluguel sem baixar o valor do contrato. Muitas vezes o proprietário prefere ajustar a forma de pagamento a perder o inquilino e ficar com o imóvel vazio. Estas são as mais usadas:
Carência de aluguel e escalonamento
A carência de aluguel adia parte do pagamento por alguns meses, para pagar depois. O escalonamento reduz agora e sobe por etapas até o valor cheio. Os dois aliviam o caixa no período ruim sem que o locador perca o total.
Aluguel percentual sobre faturamento
No aluguel percentual, parte do valor vira um percentual do faturamento, às vezes com um mínimo fixo. O locador divide o risco e o ganho da recuperação. Exige transparência nos números, então combine como o faturamento será comprovado.
Sublocação, cessão ou dividir o espaço
Dividir o ponto com outro negócio reduz o seu custo. Mas a sublocação e a cessão dependem de consentimento prévio e escrito do locador (Lei 8.245/1991, art. 13). Sem essa autorização, sublocar pode descumprir o contrato.
Mudar para um ponto menor
Se o espaço ficou grande para o movimento atual, mudar pode ser a melhor conta. Devolver o imóvel antes do prazo gera multa rescisória, que pelo art. 4º da lei é proporcional ao tempo de contrato já cumprido. Confira a cláusula antes de decidir.
O aluguel é só uma frente. Vale também negociar com fornecedores prazos e preços. E, se nenhuma conta fecha, avalie com calma quando fechar uma empresa antes de acumular dívida.
Crédito para pagar aluguel atrasado é último recurso, porque troca uma conta por outra com juros. Se a empresa precisar de capital de giro, use crédito no CNPJ, não no seu CPF, e compare o CET (Custo Efetivo Total, que soma juros, tarifas e impostos) antes de assinar.
Capital de giro para a sua empresa
O empréstimo para MEI do Juca é um limite de capital de giro no CNPJ, para MEI, ME e EPP: o dinheiro cai por Pix na conta da empresa, com fatura semanal, e o limite volta conforme você paga. A análise considera o CNPJ e o CPF do titular e pode recusar ou liberar um limite menor. Em caso de atraso, há juros, multa e mora conforme o contrato. Compare o CET antes de contratar.
O que fazer se o proprietário recusar a proposta?
Se o proprietário recusar a proposta, o caminho é escalar aos poucos, do mais barato ao mais caro. A Justiça é a última etapa, porque leva tempo, custa dinheiro e o resultado não é garantido. Siga esta ordem:
- Peça o motivo da recusa e faça uma contraproposta menor ou mais curta.
- Ofereça outra forma de alívio, como carência ou troca de índice.
- Envie notificação formal registrando o pedido e a situação da loja.
- Se o contrato tem mais de 3 anos sem acordo, avalie a ação revisional com advogado.
A ação revisional de aluguel ajusta o valor ao preço de mercado, que pode ficar acima ou abaixo do atual. Por isso, antes de entrar com o pedido, procure um advogado para avaliar custos, prazo e chances no seu caso concreto.
Perguntas frequentes
Posso pedir carência ou desconto nos primeiros meses?
Sim, carência ou desconto nos primeiros meses pode ser pedido tanto na assinatura quanto durante o contrato, porque a lei permite acordo a qualquer tempo. O locador não é obrigado a aceitar. O pedido tem mais chance quando vem com prazo definido, valor de retorno e alguma contrapartida, como manter o contrato por mais tempo.
Como negociar aluguel com imobiliária?
A negociação com imobiliária segue a mesma lógica, mas a imobiliária só intermedia: quem decide é o proprietário. Envie a proposta por escrito à imobiliária, peça que ela repasse ao dono e responda também por escrito. Guarde todas as mensagens, e formalize o que for aceito em aditivo assinado.
Preciso de advogado para renegociar o aluguel?
Para um acordo amigável, não é obrigatório: locador e inquilino podem assinar um aditivo ao contrato por conta própria. Já para ação revisional, renovatória ou qualquer disputa na Justiça, o advogado é necessário. Pedir uma leitura do aditivo antes de assinar costuma custar pouco e evita cláusulas desfavoráveis.
No Juca, o dinheiro cai no Pix
- Antecipação do FGTS no Pix: antecipe parcelas do saque-aniversário com o saldo do FGTS.
- Consignado CLT no Pix: parcelas descontadas direto da folha de pagamento.
- Empréstimo para negativado no Pix: simule mesmo com o nome restrito.
- Antecipação de Salário no Pix: até R$ 150 na hora após a aprovação, com limite que sobe com o histórico.
- Pix Parcelado: use o limite de um ou mais cartões de crédito e pague em até 12x na fatura.
- Empréstimo pessoal no Pix: de R$ 500 a R$ 2.500, também para autônomo e aposentado.
- Empréstimo para MEI no Pix: capital de giro que cai na conta da empresa, com fatura semanal.
- Empréstimo na conta de luz no Pix: de R$ 400 a R$ 4.000, em até 24x na conta de luz.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito, consultoria financeira nem consultoria jurídica; para decisões sobre contrato de locação ou ação judicial, procure um advogado. Condições de crédito variam por instituição e dependem de análise. O Juca atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras; no empréstimo para MEI, a instituição credora é a BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A., CNPJ 34.337.707/0001-00.
Fontes
- Planalto: Lei nº 8.245/1991, Lei do Inquilinato
- Planalto: Lei nº 10.406/2002, Código Civil
- FGV IBRE: IGP-M de outubro de 2026
- IBGE: SIDRA, tabela 1737, IPCA acumulado em 12 meses
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ) e Correspondente Bancário certificado Febraban (FBB100), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Ver todos os artigos.