Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em outubro de 2026
A diferença entre Drex e Pix é que o Pix é um meio de pagamento instantâneo que você já usa, e o Drex é um projeto do Banco Central para uma infraestrutura de moeda e ativos digitais. O Drex não substitui o Pix e, até outubro de 2026, o Banco Central não o abriu ao público.
Resposta rápida:
- O Pix é pagamento instantâneo e já funciona para qualquer pessoa com conta.
- O Drex é um projeto do Banco Central testado em piloto, sem uso pelo público.
- O Drex não vai substituir o Pix, porque os dois têm funções diferentes.
- O Banco Central não anunciou venda de Drex ao público, então oferta de Drex merece desconfiança.
O que é o Drex?
O que é Drex? É a moeda digital soberana do Banco Central do Brasil (BC), o que se chama de CBDC (Central Bank Digital Currency, moeda digital emitida por banco central). Segundo o documento de referência do Banco Central (2023), ele foi “anteriormente chamado de Real Digital”.
Por isso tanta gente ainda procura por drex real digital: Real Digital era o nome de trabalho do projeto até 2023, quando o BC o renomeou para Drex. O Fórum Real Digital, criado em março de 2023 para reunir o mercado, passou a se chamar Fórum Drex.
O piloto do Drex usou DLT (Distributed Ledger Technology, registro distribuído, a família de tecnologias do blockchain) numa plataforma de código aberto chamada Hyperledger Besu. A ideia era testar quatro coisas:
- Tokenização: transformar um ativo, como um título, em registro digital negociável.
- Contratos inteligentes: regras que se executam sozinhas quando a condição combinada acontece.
- Programabilidade: dinheiro e ativos que seguem essas regras automaticamente.
- Privacidade: proteger os dados de quem negocia dentro da plataforma.
O desenho original tinha duas camadas. O Drex de atacado seria a moeda do BC entre instituições. O Drex de varejo seriam depósitos bancários tokenizados, e o acesso do público viria pelo app do banco, como já acontece com o Pix.
O Drex não é criptomoeda nem stablecoin. Criptomoeda não tem emissor central, e stablecoin é emitida por empresa privada fora da regulação bancária. O Drex é CBDC: o emissor é o próprio Banco Central, e a versão de varejo nasceria de instituições reguladas.
Qual a diferença entre Drex e Pix?
A diferença entre Drex e Pix está na função: o Pix move dinheiro que já existe na sua conta, em segundos, e o Drex foi pensado como plataforma para registrar e negociar moeda e ativos digitais com regras programadas. Para entender a engrenagem do lado de cá, veja como funciona o Pix.
A tabela resume a diferença entre Drex e Pix nos pontos que mais aparecem nas dúvidas.
| Item | Pix | Drex |
|---|---|---|
| O que é | Pagamento instantâneo | Projeto de moeda e ativos digitais (CBDC) |
| Quem criou | Banco Central do Brasil | Banco Central do Brasil |
| Para que serve | Transferir e pagar na hora | Negociar ativos tokenizados com regras programadas |
| Situação hoje | Em uso desde 2020 | Projeto, sem uso pelo público |
| Tecnologia | Sistema centralizado do BC | Piloto em DLT, depois revisto pelo BC |
| Programabilidade | Não é o foco | Contratos inteligentes no centro do projeto |
| Custo para pessoa física | Gratuito para enviar e receber transferências | Não se aplica, não há uso público |
| Posso usar hoje? | Sim, pelo app do banco | Não |
O Pix já faz parte da vida de quase todo mundo. Segundo os dados abertos do Banco Central, foram mais de 7 bilhões de transações Pix só em setembro de 2026.
A gratuidade também tem regra. Pelo regulamento do Pix, a pessoa física não paga para enviar nem para receber transferências; recebimento com finalidade de compra pode ser cobrado.
O Drex vai substituir o Pix?
Não, o Drex não vai substituir o Pix. Quem pergunta se o drex vai substituir o pix costuma imaginar uma troca de sistema, mas o Banco Central trata os dois como coisas distintas, com funções diferentes.
Num discurso de maio de 2025, o diretor do BC Renato Gomes descreveu o Pix como sistema público de pagamentos já em uso, que pode até servir de infraestrutura para liquidar operações com ativos tokenizados. Ou seja, o Pix aparece como base, não como algo a ser trocado.
O Drex também não substitui o dinheiro em espécie. A Secom publicou, em janeiro de 2025, a checagem Drex não substituirá dinheiro em espécie, e notas e moedas seguem valendo normalmente.
Para o trabalhador, nada muda: o Pix continua funcionando como hoje, e o dinheiro em espécie também segue valendo.
O Drex foi cancelado? A situação atual do drex real digital
O Drex mudou de rumo depois do piloto e não tem data de lançamento ao público. Notícias de 2025 falam em pausa ou encerramento do piloto, mas não localizamos comunicado do Banco Central com essa decisão. A situação do drex real digital, pelo que o BC publicou nos documentos oficiais, é esta:
- Março de 2023: começa o ambiente de testes e nasce o Fórum Real Digital, segundo o documento de referência do BC.
- 2023: o projeto Real Digital é renomeado para Drex, conforme o mesmo documento.
- Outubro de 2024: o relatório da fase 1 encerra o primeiro piloto, com instituições selecionadas, e aponta limitações nas soluções de privacidade testadas.
- Maio de 2025: no discurso do diretor do BC, a fase 2 segue em andamento, com foco em ativos usados como garantia.
O ponto que travou o projeto foi a privacidade. No discurso de maio de 2025, o BC informou que o seu sistema de liquidação de grandes valores processa 300 transações por segundo, o Drex sem proteção de privacidade 150, e o Drex com a solução de privacidade testada menos de 10.
O BC chamou isso de trilema: privacidade, escala e programabilidade não couberam juntas. Por isso, segundo o mesmo discurso, o foco de curto prazo passou a ser usar a infraestrutura existente, sem compromisso com DLT em larga escala.
Na prática, o objetivo de tokenizar ativos e rodar contratos programáveis foi repensado depois do piloto, e o próprio BC passou a falar em usar primeiro a infraestrutura que já existe. Quem quiser acompanhar deve olhar o site do Banco Central, que é a fonte que muda primeiro.
Sobre a data, até outubro de 2026 não encontrei data de lançamento ao público divulgada pelo Banco Central. Previsões que circulam na internet vêm de participantes do mercado ou da imprensa, não do BC.
É possível comprar Drex? Cuidado com golpes
Não é possível comprar Drex: até outubro de 2026, o Banco Central não abriu o Drex ao público nem anunciou venda a pessoas físicas. O projeto foi testado em ambiente restrito, com instituições selecionadas pelo BC, e não existe app oficial do Drex.
Como o nome aparece no noticiário, ofertas de “comprar” ou “converter” para Drex merecem desconfiança. Golpistas costumam usar assunto em alta para dar ar de novidade oficial, com promessa de acesso antecipado a uma moeda do governo. Este é um jeito simples de checar uma oferta de Drex:
- Lembre que o BC não abriu o Drex ao público até a data desta conferência.
- Desconfie de app, link ou pessoa que venda Drex ou peça Pix para converter.
- Confira a informação diretamente no site do Banco Central, o bcb.gov.br.
- Registre reclamação no seu banco e no BC se já transferiu dinheiro.
Atenção: nenhum banco precisa de Pix seu para liberar acesso a uma moeda do Banco Central. Pedido de pagamento antecipado para “ativar” qualquer produto é sinal clássico de fraude.
O que isso muda para você hoje
A diferença entre Drex e Pix, na prática, é que só o Pix faz parte do seu dia a dia. O Pix continua sendo o caminho do dinheiro rápido, gratuito para transferências de pessoa física, e não há motivo para mudar nada por causa do Drex.
Você não precisa abrir conta nova, trocar de banco nem baixar aplicativo para acompanhar o assunto. Se o Drex chegar ao varejo um dia, o desenho original previa o acesso pelo app do banco que você já usa, e o Banco Central avisaria pelos canais oficiais antes de qualquer abertura.
Se você precisa de dinheiro agora, vale comparar o CET (Custo Efetivo Total, que soma juros, tarifas e impostos) antes de contratar. No Juca, o empréstimo pessoal no Pix vai de R$ 500 a R$ 2.500, depende de análise e mostra o CET na tela antes da assinatura.
No Juca, o dinheiro cai no Pix: o empréstimo pessoal no Pix, de R$ 500 a R$ 2.500, cai em até 10 minutos depois da aprovação e da assinatura. O CET completo aparece na tela antes de você assinar.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria financeira. Taxas, prazos e condições variam por instituição e dependem de análise de crédito. O Juca (JUCA INTERMEDIACOES E SERVICOS LTDA, CNPJ 48.225.686/0001-45) atua como correspondente bancário de Instituições Financeiras parceiras; o empréstimo pessoal é concedido por BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A., CNPJ 34.337.707/0001-00.
Fontes
- Banco Central do Brasil: Drex, referências básicas (nov/2023)
- Banco Central do Brasil: Relatório do Piloto Drex, Fase 1
- Banco Central do Brasil: Discurso de Renato Gomes, Digital Money Summit (20/05/2025)
- Banco Central do Brasil: Dados abertos do Pix, estatísticas de transações
- Banco Central do Brasil: Pix e Regulamento do Pix
- Secom: Brasil contra Fake: Drex e dinheiro em espécie (jan/2025)
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ) e Correspondente Bancário certificado Febraban (FBB100), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Ver todos os artigos