Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em novembro de 2026
O primeiro passo para reduzir a conta de luz do comércio é ler a fatura: quantos kWh você consome, qual é a tarifa e qual bandeira vale no mês. Em novembro de 2026 a bandeira da ANEEL é verde, sem acréscimo; na mais cara, a vermelha patamar 2, são R$ 0,07877 por kWh. Depois ataque o que mais gasta, quase sempre a refrigeração e o ar-condicionado. Só então pense em trocar equipamento ou gerar a própria energia.
Resposta rápida:
- A fatura mostra o consumo em kWh, a tarifa (TUSD mais TE), a bandeira, os tributos e a COSIP.
- Em novembro de 2026 a bandeira é verde, sem acréscimo, segundo a ANEEL.
- Em minimercados, a refrigeração responde por cerca de 25% do custo de energia, segundo o Sebrae.
- Hábito e manutenção custam pouco. Trocar equipamento só vale com a conta de retorno feita antes.
- Gerar a própria energia segue a Lei nº 14.300/2022, que mudou a compensação de créditos.
A energia é uma das despesas fixas mais pesadas de mercearia, loja, salão e lanchonete. Cortar outras despesas, como aluguel, fornecedor e folha, é assunto do guia sobre como reduzir custos do pequeno negócio. Aqui o foco é só a conta de luz: o que cada linha da fatura significa, o que mais gasta e quais mudanças compensam.
Neste guia:
- Conta de luz comercial alta? Comece lendo a fatura
- Como funcionam as bandeiras tarifárias para empresas?
- Quais equipamentos mais gastam energia em um comércio?
- Como economizar energia no comércio sem gastar muito
- Mudar de tarifa ou de grupo faz sentido?
- Vale a pena energia solar para pequeno comércio?
- Checklist mensal da conta de luz do comércio
- Perguntas frequentes
Conta de luz comercial alta? Comece lendo a fatura
Uma conta de luz comercial alta quase sempre tem a explicação impressa na própria fatura. Antes de comprar qualquer equipamento, separe as últimas faturas e veja de onde vem o valor: consumo, tarifa, bandeira e tributos. Corte de custo é uma das partes do guia de como administrar um pequeno negócio.
A maior parte das lojas pequenas está no grupo B, que reúne quem é atendido em tensão abaixo de 2,3 kV, e o comércio usa a tarifa do subgrupo B3, segundo a Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021. A ANEEL é a Agência Nacional de Energia Elétrica, que regula o setor.
Estes são os campos que mais pesam na fatura do comércio:
- Consumo em kWh: a energia usada no mês. kWh é quilowatt-hora, mil watts usados por uma hora.
- TUSD: Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição, que paga a rede que leva a energia.
- TE: Tarifa de Energia, que paga a energia gerada.
- Bandeira tarifária: acréscimo por kWh quando gerar energia fica mais caro.
- Tributos: ICMS estadual, PIS/Pasep e Cofins federais, calculados por dentro da tarifa.
- COSIP: Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública, cobrada pelo município na fatura.
A tarifa que a ANEEL homologa não inclui tributos. Por isso o preço do kWh na sua fatura é maior que o número homologado, e as alíquotas mudam por estado e por município. Use sempre o valor que aparece na sua conta.
Se a fatura subiu sem o kWh subir, a causa costuma ser bandeira, reajuste da tarifa ou tributo. Se o kWh subiu, o problema está dentro da loja, e é nele que você tem mais controle.
Um aviso para não confundir as coisas: o empréstimo na conta de luz do Juca é crédito da pessoa física, cobrado na conta de luz no CPF, e não serve para a conta da empresa.
Como funcionam as bandeiras tarifárias para empresas?
As bandeiras tarifárias funcionam igual para empresa e para casa: são um sinal de preço que a ANEEL define todo mês. A cor diz se gerar energia está barato ou caro, e o acréscimo entra por kWh na conta da distribuidora. Segundo a ANEEL, a bandeira não cria custo novo, só mostra o custo real da geração.
| Bandeira | Acréscimo por kWh | Quando é acionada | Quanto soma em 1.000 kWh |
|---|---|---|---|
| Verde | R$ 0,00 | Geração favorável | R$ 0,00 |
| Amarela | R$ 0,01885 | Geração menos favorável | R$ 18,85 |
| Vermelha patamar 1 | R$ 0,04463 | Geração mais cara | R$ 44,63 |
| Vermelha patamar 2 | R$ 0,07877 | Geração ainda mais cara | R$ 78,77 |
A última coluna é só o acréscimo da bandeira, sem tributos. Uma loja que gasta 1.000 kWh por mês paga R$ 78,77 a mais na vermelha patamar 2, antes de ICMS, PIS e Cofins.
Em novembro de 2026 a bandeira é verde. A ANEEL anunciou em 30/10/2026 que a verde, em vigor desde outubro, continua em novembro, com mais chuva nas regiões das principais hidrelétricas.
Na prática, a bandeira não muda o que você faz na loja, mas muda quanto vale cada kWh economizado. Nos meses de vermelha, a mesma medida de economia rende mais.
Quais equipamentos mais gastam energia em um comércio?
Os equipamentos que mais gastam energia em loja são os que somam potência alta e muitas horas ligados: refrigeração, ar-condicionado e aparelhos que esquentam, como forno, chapa e secador. A conta é sempre a mesma: potência em kW vezes horas por dia vezes dias no mês dá o consumo em kWh.
Segundo o Sebrae, os sistemas de refrigeração respondem, em média, por 25% do custo de energia de minimercados e mercearias, em material publicado em 2022.
O peso de cada aparelho muda com o tipo de negócio:
- Mercearia e minimercado: freezer, geladeira expositora e câmara fria, ligados 24 horas.
- Loja de roupa ou de varejo: ar-condicionado e iluminação da vitrine.
- Lanchonete: chapa, forno elétrico, fritadeira e a refrigeração dos insumos.
- Salão de beleza: secador, chapinha, aquecedor de água e ar-condicionado.
A tabela abaixo usa valores ilustrativos para mostrar a conta. Não existe potência nacional oficial por equipamento: a potência real está na etiqueta do seu aparelho, a ENCE do Inmetro, e a tarifa é a da sua fatura. Aqui ela foi fixada em R$ 1,00 por kWh só para facilitar.
| Equipamento | Potência e uso | kWh/mês | Custo/mês a R$ 1,00/kWh |
|---|---|---|---|
| Chapa elétrica | 3.000 W, 4 h/dia | 360 kWh | R$ 360,00 |
| Ar-condicionado | 1.200 W, 8 h/dia | 288 kWh | R$ 288,00 |
| Secador de cabelo | 1.900 W, 4 h/dia | 228 kWh | R$ 228,00 |
| Forno elétrico | 2.000 W, 3 h/dia | 180 kWh | R$ 180,00 |
| Freezer horizontal | 400 W, compressor ligado metade do dia | 144 kWh | R$ 144,00 |
| 10 lâmpadas fluorescentes | 40 W cada, 12 h/dia | 144 kWh | R$ 144,00 |
| 10 lâmpadas LED | 18 W cada, 12 h/dia | 64,8 kWh | R$ 64,80 |
Os dois últimos itens mostram o efeito de uma troca simples: a mesma iluminação cai de 144 para 64,8 kWh. Em compensação, a chapa e o ar-condicionado gastam muito porque somam potência alta e uso longo.
Para descobrir o peso de cada aparelho na sua loja, anote a potência da etiqueta e as horas de uso, e use a calculadora da conta de luz, que faz a conta aparelho por aparelho.
Como economizar energia no comércio sem gastar muito
Gastando pouco, a economia de energia no comércio começa pelo hábito e pela manutenção, antes de qualquer equipamento novo. Essas medidas custam pouco ou nada e atacam justamente a refrigeração e o ar-condicionado, que mais pesam.
Estas são as medidas de baixo custo que valem para quase todo comércio:
- Troque a borracha da porta do freezer quando ela não vedar mais.
- Faça o degelo no prazo do fabricante, porque gelo acumulado força o compressor.
- Afaste o freezer da parede, do sol e de fornos para o motor respirar.
- Regule o ar-condicionado em temperatura moderada e feche portas e janelas.
- Limpe os filtros do ar com a frequência indicada no manual.
- Troque por LED as lâmpadas que ficam acesas o dia inteiro.
- Use timer no letreiro e na vitrine para desligar fora do horário.
- Desligue da tomada o que não precisa ficar ligado à noite.
Armadilha comum: desligar o freezer à noite para economizar. O alimento perde temperatura, o compressor trabalha mais para recuperar de manhã e você arrisca perder mercadoria. Freezer fica ligado; o que se ajusta é a vedação, o degelo e o lugar dele.
A conta de retorno da troca de equipamento
Trocar um aparelho velho só compensa se a economia mensal pagar a troca num prazo que faça sentido para o seu negócio. A fórmula é simples: retorno em meses é igual ao preço da troca dividido pela economia por mês.
Veja um exemplo com valores ilustrativos. O freezer da tabela gasta 144 kWh por mês. Suponha que um modelo novo, com etiqueta mais eficiente, gaste 84 kWh por mês para o mesmo uso. A economia é de 60 kWh por mês, ou R$ 60,00 a R$ 1,00 por kWh.
Se o freezer novo custa R$ 3.000,00, o retorno leva 50 meses (R$ 3.000 dividido por R$ 60). Se a troca custasse R$ 1.800,00, cairia para 30 meses. Confira a escala da etiqueta do aparelho que você vai comprar antes de decidir.
Para fazer essa conta na sua loja, siga estes passos:
- Separe as 12 últimas faturas de energia.
- Anote o kWh e a bandeira de cada mês.
- Liste os equipamentos com potência da etiqueta e horas de uso.
- Rode a calculadora para ver quanto cada um custa.
- Ataque primeiro o que mais gasta.
O que a loja economiza na luz entra no caixa todo mês. Para acompanhar esse efeito, registre a conta de energia no fluxo de caixa do MEI.
Mudar de tarifa ou de grupo faz sentido?
Mudar de tarifa pode fazer sentido para o comércio do grupo B, mas só se o consumo se concentra fora do horário de ponta. Mudar de grupo, por outro lado, não é escolha: o grupo A é para quem recebe energia em tensão de 2,3 kV ou mais, segundo a REN ANEEL nº 1.000/2021.
A opção para o pequeno comércio é a Tarifa Branca. Pela página da ANEEL sobre a Tarifa Branca, podem aderir consumidores do grupo B das classes residencial, rural e B3, que inclui comércio e serviços. Nos dias úteis, ela tem três preços: ponta, mais cara; intermediário; e fora de ponta, mais barato. Fim de semana e feriado nacional são sempre fora de ponta.
A adesão é pedida à distribuidora, e dá para voltar à tarifa convencional. Uma loja que funciona no horário de ponta, como lanchonete no começo da noite, tende a pagar mais. Os horários dos postos mudam por distribuidora, então confira com a sua antes de pedir.
O mercado livre de energia, em que a empresa escolhe o fornecedor, ainda não é opção para o pequeno comércio de baixa tensão. Qualquer abertura futura depende de regulamentação, então acompanhe o site da ANEEL e o aviso da sua distribuidora.
Vale a pena energia solar para pequeno comércio?
Energia solar para comércio vale a pena quando a conta de retorno fecha com as regras atuais da Lei nº 14.300/2022, que ficaram menos generosas a cada ano. Pela Lei nº 14.300/2022, a energia que sobra vira crédito no sistema de compensação, e esse crédito vale por 60 meses.
O ponto que mais mudou é o pagamento do chamado fio B, a parte da tarifa que remunera a rede de distribuição. Quem entrou depois do prazo de transição paga uma fatia crescente dele sobre a energia compensada. A Lei prevê 60% em 2026, 75% em 2027, 90% em 2028 e a regra plena a partir de 2029.
A Lei também traz formatos que interessam ao pequeno negócio:
- Microgeração: sistema de até 75 kW, faixa que atende a maioria das lojas.
- Autoconsumo remoto: gerar num endereço e compensar em outro da mesma empresa, na mesma distribuidora.
- Geração compartilhada: participar de consórcio, cooperativa ou condomínio que gera energia.
- Direito adquirido: quem pediu acesso dentro do prazo da Lei mantém a regra antiga até 2045.
Antes de assinar, peça a proposta com a geração estimada em kWh e faça você a conta: economia mensal com o fio B do ano, dividida pelo preço do sistema. Desconfie de percentual de economia que não mostra a conta.
Se a troca do freezer, do ar ou a entrada do solar pede dinheiro da empresa, o crédito certo é no CNPJ, e não no seu nome. O Juca tem capital de giro no CNPJ para MEI, ME e EPP, que cai por Pix na conta da empresa, com fatura semanal. Há análise do CNPJ e do CPF do titular, e o custo completo aparece antes da assinatura.
Precisa de capital de giro para trocar equipamento? No Juca o crédito é no CNPJ, cai por Pix na conta da empresa e é pago em fatura semanal. Juros, multa e mora em caso de atraso seguem o contrato. Simule o empréstimo para MEI.
Checklist mensal da conta de luz do comércio
O checklist mensal mantém a economia de pé depois das primeiras mudanças. Reserve alguns minutos no dia em que a fatura chega:
- Compare o kWh com o mesmo mês do ano anterior.
- Confira a bandeira do mês no site da ANEEL.
- Verifique a vedação e o gelo dos freezers.
- Limpe os filtros do ar-condicionado se o manual pedir.
- Confirme que timers e letreiros desligam no horário.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre tarifa residencial e comercial?
A tarifa residencial é a do subgrupo B1 e a comercial é a do subgrupo B3, os dois no grupo B de baixa tensão. Cada subgrupo tem tarifa homologada própria pela ANEEL, conforme a REN nº 1.000/2021. Por isso o preço do kWh de uma loja pode ser diferente do de uma casa na mesma rua.
No Juca, o dinheiro cai no Pix
- Antecipação do FGTS no Pix: adiante parcelas do saque-aniversário sem desconto no salário.
- Consignado CLT no Pix: crédito com desconto em folha para quem tem carteira assinada.
- Empréstimo para negativado no Pix: simule mesmo com o nome sujo.
- Antecipação de Salário no Pix: até R$ 150 na hora depois da aprovação.
- Pix Parcelado: use o limite do cartão de crédito e pague em até 12x na fatura.
- Empréstimo pessoal no Pix: de R$ 500 a R$ 2.500, também para autônomo e aposentado.
- Empréstimo para MEI no Pix: capital de giro que cai na conta da empresa, com fatura semanal.
- Empréstimo na conta de luz no Pix: de R$ 400 a R$ 4.000, em até 24x na conta de luz.
Em todos os produtos, o dinheiro é liberado na hora depois da aprovação.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria energética ou financeira. Os valores de equipamentos e tarifas são ilustrativos; confira a etiqueta do seu aparelho e a sua fatura. Condições de crédito variam por instituição e dependem de análise. O Juca atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras; no empréstimo para MEI, a credora é a BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A., CNPJ 34.337.707/0001-00.
Fontes:
- ANEEL: Bandeiras tarifárias
- ANEEL: ANEEL anuncia bandeira verde para vigorar em novembro
- ANEEL: Tarifa Branca
- Presidência da República: Lei nº 14.300/2022
- Sebrae: Comércio de bens perecíveis: minimercados e mercearias (2022)
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ) e Correspondente Bancário certificado Febraban (FBB100, Correspondente Bancário Completo), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Veja todos os artigos do Tom.