Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em setembro de 2026.
O golpe do falso advogado acontece quando alguém se passa pelo seu advogado ou pelo tribunal, diz que o dinheiro do seu processo foi liberado e pede uma “taxa”, “custas” ou “imposto” por Pix para soltar o valor. O TJDFT afirma que não cobra valores para liberar dinheiro de processos judiciais. Na dúvida, não pague.
Resposta rápida:
- O golpista usa dados reais do processo, porque a maioria dos processos judiciais é pública.
- O TJDFT informa que não cobra valores para liberar dinheiro de processos judiciais.
- Confirme ligando para o número do advogado que você já tinha, nunca para o da mensagem.
- Confira o registro do advogado no Confirma ADV, a ferramenta da OAB.
- Se já pagou, ligue para o seu banco, peça o MED do Pix e registre boletim de ocorrência.
Neste guia
- Como funciona o golpe do falso advogado?
- Golpe do processo judicial: as variações mais comuns
- Por que o golpista sabe dados reais do meu processo?
- Sinais de alerta do golpe do advogado no WhatsApp
- O tribunal cobra taxa para liberar dinheiro de processo?
- O que fazer se caí no golpe do Pix do falso advogado?
- Perguntas frequentes
Quem tem dinheiro a receber da Justiça, como uma ação trabalhista ou um precatório, virou alvo preferido dos golpistas. Esse dinheiro a receber também pode servir de base para o crédito com garantia judicial, e por isso o assunto aparece tanto nas conversas de quem espera o fim de um processo. Aqui o foco é um só: reconhecer o golpe e se proteger.
Como funciona o golpe do falso advogado?
O golpe do falso advogado funciona em etapas previsíveis: o golpista entra em contato fingindo ser seu advogado ou alguém do tribunal, anuncia que o dinheiro do processo saiu e cobra um valor por Pix para “liberar”. Depois do pagamento, some. Conhecer a sequência ajuda a interromper o golpe no começo.
Os passos que se repetem na maioria dos relatos são estes:
- Abordagem: mensagem no WhatsApp com nome, foto e dados do seu advogado de verdade.
- Prova falsa: o golpista cita o número do processo, a vara e o nome das partes.
- Boa notícia: ele diz que o valor foi liberado ou que saiu um alvará judicial.
- Cobrança: pede “taxa”, “custas” ou “imposto” por Pix para soltar o dinheiro.
- Pressão: avisa que o prazo vence hoje e que o valor volta se você demorar.
- Sumiço: depois do Pix, o número bloqueia você ou pede um segundo pagamento.
O alvará judicial é a ordem do juiz que autoriza o saque de um valor depositado em conta judicial. Ele é real, e é justamente por isso que o golpista fala dele. O que não bate é o pedido de dinheiro para que esse documento “saia”.
A força do golpe está na mistura de verdade e mentira. O nome do advogado é verdadeiro, o processo existe e às vezes você realmente tem um valor a receber. A única parte inventada é a cobrança, e ela chega embrulhada em informação correta.
Golpe do processo judicial: as variações mais comuns
O golpe do processo judicial muda de roupa conforme o tipo de ação, mas o núcleo é o mesmo: um valor que você espera receber e uma cobrança antecipada para liberá-lo. As variações mais frequentes envolvem precatório e pedidos de selfie ou vídeo para uma suposta validação de identidade.
Golpe da liberação de precatório
O precatório é a ordem de pagamento de uma dívida do poder público reconhecida pela Justiça. A RPV, Requisição de Pequeno Valor, é a versão para valores menores, paga em prazo mais curto. Quem espera um precatório costuma aguardar anos, e o golpista explora essa ansiedade.
No golpe da liberação de precatório, a mensagem oferece um “adiantamento” ou avisa que o pagamento foi antecipado, desde que você pague uma “taxa de liberação”. Outra versão finge ser um órgão público pedindo “atualização cadastral” com depósito. Para entender como acompanhar um precatório pelo caminho oficial, veja o guia para consultar precatório pelo CPF.
Golpe da selfie ou do vídeo
Nesta variação, o falso advogado pede uma selfie, um vídeo segurando o documento ou um código recebido por SMS para “validar” o recebimento. O objetivo não é o processo: é usar sua imagem e seus códigos para abrir contas, contratar crédito ou tomar seu WhatsApp.
- Selfie com documento: pode servir para passar em verificações de identidade em seu nome.
- Código por SMS: pode ser o código de ativação do seu WhatsApp em outro aparelho.
- Vídeo falando frases: pode alimentar montagens de voz e imagem.
- Foto do cartão: nunca tem relação com liberação de processo.
Por que o golpista sabe dados reais do meu processo?
O golpista sabe dados reais do seu processo porque, no Brasil, a regra é a publicidade dos atos processuais. Número, partes, advogados e andamento ficam, em geral, abertos para consulta. Por isso, dado verdadeiro não prova que a mensagem é verdadeira.
A Constituição Federal, art. 5º, LX, diz que a lei só pode restringir a publicidade dos atos processuais para proteger a intimidade ou o interesse social. O art. 93, IX, trata da publicidade dos julgamentos do Poder Judiciário.
A exceção é o segredo de justiça, previsto no Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), art. 189. Entram nele, por exemplo, casos de família e processos com dados protegidos pelo direito à intimidade. Fora dessas hipóteses, a consulta é aberta.
Os golpistas coletam essas informações de consultas públicas, muitas vezes de forma automatizada. Também há casos de uso de credenciais de advogados vazadas para entrar nos sistemas. Foi para fechar essa porta que o CNJ agiu.
Segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a autenticação em dois fatores passou a ser obrigatória para usuários externos do PJe, o Processo Judicial Eletrônico, desde novembro de 2025, justamente para combater o golpe do falso advogado (CNJ, 2025). Autenticação em dois fatores é a exigência de um segundo código, além da senha, para entrar no sistema.
Guarde esta frase: o golpista saber o número do seu processo não prova nada. Qualquer pessoa pode descobrir esse número. O que prova é o contato por um canal que você já conhecia antes da mensagem.
Sinais de alerta do golpe do advogado no WhatsApp
Os sinais de alerta do golpe do advogado no WhatsApp aparecem quase sempre juntos: número desconhecido, urgência e pedido de Pix. A OAB e os tribunais mantêm campanhas de alerta sobre o golpe, e o TJDFT publicou orientação específica sobre o tema em julho de 2026.
Desconfie de qualquer golpe advogado WhatsApp que traga um destes sinais:
- Número novo: o “advogado” diz que trocou de celular ou fala por um número secundário.
- Pix para pessoa física: a chave está no nome de alguém que não é o escritório nem o tribunal.
- CNPJ estranho: o recebedor é empresa sem relação com advocacia ou com o Judiciário.
- Urgência: prazo de horas, ameaça de perder o valor ou de o processo “voltar”.
- Pedido de sigilo: orientação para não ligar para o escritório nem comentar com ninguém.
- Erros no texto: termos jurídicos trocados, português ruim, documentos com aparência montada.
- Selfie ou código: pedido de foto, vídeo ou código recebido por SMS.
- Link para baixar alvará: arquivo ou site para “retirar” o documento.
| Situação | O que o golpista faz | O que o canal verdadeiro faz |
|---|---|---|
| Contato | Usa número novo e diz que trocou de celular | Atende no número que você já tinha salvo |
| Pagamento | Pede Pix para liberar o dinheiro | Não cobra por Pix para liberar alvará, segundo o TJDFT |
| Prazo | Exige pagamento em poucas horas | Explica o andamento e aceita que você confira |
| Confirmação | Pede para você não ligar para o escritório | Incentiva a checagem por outro canal |
| Identidade | Pede selfie, vídeo ou código por SMS | Não pede código de verificação do seu celular |
Muitos desses sinais valem também para outras fraudes financeiras, como falso empréstimo e boleto adulterado. Esses casos estão explicados no guia sobre como evitar golpes de crédito em mensagens e aplicativos.
O tribunal cobra taxa para liberar dinheiro de processo?
O tribunal não cobra taxa por Pix para liberar dinheiro de processo, pelo que afirma o TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios): “o TJDFT não cobra valores para cadastrar pessoas nem para liberar dinheiro de processos judiciais” (TJDFT, 29/07/2026).
Custas processuais existem, mas seguem regras próprias de cada tribunal, com guia oficial, e não chegam por mensagem pedindo Pix para soltar um valor. Se alguém disser que o tribunal cobra taxa para liberar dinheiro, trate como golpe até provar o contrário.
Para saber como saber se advogado é verdadeiro e se o valor saiu mesmo, siga estes passos antes de qualquer pagamento:
- Ligue para o número do advogado que você já tinha salvo, ou vá ao escritório.
- Confira o registro do advogado no Cadastro Nacional dos Advogados da OAB e no Confirma ADV.
- Consulte o processo no site oficial do tribunal, digitando o endereço você mesmo.
- Espere essas confirmações e não pague nada antes delas.
O Confirma ADV é a ferramenta da OAB que ajuda a confirmar se quem fala com você é mesmo o advogado registrado, e aparece no alerta do TJDFT. Para o terceiro passo, o caminho completo está no guia para consultar processo trabalhista pelo CPF.
Atenção: nunca use o telefone, o link ou o site que veio na própria mensagem suspeita para confirmar. Se a mensagem é falsa, o canal indicado nela também é.
O que fazer se caí no golpe do Pix do falso advogado?
Quem caiu no golpe do falso advogado deve agir o quanto antes: ligar para o próprio banco, pedir o MED do Pix, registrar boletim de ocorrência e avisar o advogado verdadeiro. A rapidez aumenta a chance de bloquear o valor na conta do golpista, mas não garante a devolução.
O MED, Mecanismo Especial de Devolução, é a regra do Pix criada pelo Banco Central para casos de fundada suspeita de fraude ou golpe. Ele é acionado pela sua própria instituição e não cobre desacordo comercial, arrependimento de compra nem Pix enviado por engano (Banco Central, Pix).
Siga esta ordem, sem pular etapas:
- Ligue para o seu banco pelo número oficial e peça a contestação pelo MED.
- Registre boletim de ocorrência, de preferência na delegacia online do seu estado.
- Avise o advogado verdadeiro e a OAB da sua seccional sobre o uso do nome dele.
- Guarde prints da conversa, número usado, chave Pix e comprovante do pagamento.
- Desconfie de quem promete recuperar o dinheiro mediante pagamento.
O boletim de ocorrência é o registro oficial do crime na polícia. Ele costuma ser pedido pelo banco na análise e ajuda a investigação. Leve o número do protocolo quando falar com a instituição.
O último passo merece cuidado. Depois do golpe, é comum aparecer alguém dizendo que “recupera Pix” por uma taxa. É um golpe em cima do golpe: a devolução pelo MED passa pelo seu banco e não depende de intermediário pago.
Sem falsas promessas: o MED não garante que o dinheiro volta. Se a conta do golpista já estiver vazia, pode não haver valor para devolver. Por isso a verificação antes de pagar protege mais que qualquer medida depois.
Perguntas frequentes
Dá para recuperar dinheiro enviado por Pix para golpista?
Às vezes, sim, mas não há garantia. O MED permite bloquear e devolver valores da conta que recebeu o Pix quando há fundada suspeita de golpe. A devolução depende de ainda existir saldo nessa conta, e por isso a contestação deve ser feita o quanto antes no seu banco.
Como saber se um advogado é verdadeiro (OAB)?
A OAB mantém o Cadastro Nacional dos Advogados, com consulta pública pelo nome ou pelo número de inscrição. O Confirma ADV complementa essa checagem. Estar inscrito, porém, não prova que a mensagem veio do advogado: o contato precisa ser confirmado por um canal que você já conhecia.
O que é o MED do Pix e como acionar?
O MED é o Mecanismo Especial de Devolução, criado pelo Banco Central para fraudes e golpes feitos por Pix. Quem aciona é você, pela sua própria instituição financeira, no aplicativo ou na central de atendimento oficial. Ele não vale para desacordo comercial nem para Pix enviado por engano.
O Juca nunca pede pagamento para liberar crédito. Comece sempre pelo site vemprojuca.com.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria jurídica ou financeira. Condições de crédito variam por instituição e dependem de análise de crédito. O Juca (JUCA INTERMEDIACOES E SERVICOS LTDA, CNPJ 48.225.686/0001-45) atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras, nos termos da Resolução CMN nº 3.954/2011, e não é instituição financeira.
Fontes
- TJDFT: Golpe do falso advogado: saiba como identificar a fraude e proteger-se (29/07/2026)
- CNJ: Em combate ao golpe do falso advogado, CNJ inicia autenticação em dois fatores para usuários do PJe
- OAB: Cadastro Nacional dos Advogados
- Banco Central: Pix
- Planalto: Constituição Federal, art. 5º, LX, e art. 93, IX
- Planalto: Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/2015, art. 189
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ) e Correspondente Bancário certificado Febraban (FBB100, Correspondente Bancário Completo), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Ver todos os artigos do autor.