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BC regula crédito no Pix parcelado a partir de 2027

O Banco Central criou regras para o Pix parcelado, válidas a partir de 01/07/2027. Veja o que muda para quem paga e para os bancos que oferecem.
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Cliente consulta o celular antes de pagar por um eletrodoméstico em uma loja.

O Banco Central criou regras para o crédito oferecido na hora de pagar um Pix, o chamado Pix parcelado. A Resolução BCB nº 603 foi aprovada pela Diretoria Colegiada em 23/10/2026 e muda o Regulamento do Pix. As regras valem a partir de 01/07/2027 para quem paga e para quem oferece esse crédito.

Resposta rápida:

  • O BC criou regras próprias para o crédito contratado junto com um Pix, válidas a partir de 01/07/2027.
  • Elas afetam quem paga com Pix parcelado e os bancos e instituições que oferecem esse crédito.
  • Até lá nada muda. Antes de parcelar, confira os encargos e o valor total no app.

O que mudou

A partir de 01/07/2027, o crédito oferecido durante um Pix passa a seguir uma seção própria do Regulamento do Pix, criada pela Resolução BCB nº 603/2026, que altera a Resolução BCB nº 1/2020. O crédito é contratado no mesmo momento do Pix, e o pagador escolhe se financia parte do valor ou o valor inteiro. O limite é o próprio valor do Pix: a norma proíbe financiar mais do que isso. Quem recebe continua recebendo na hora e integralmente, seja qual for o número de parcelas que o pagador escolheu.

O pagamento é feito em uma ou mais parcelas, com encargos financeiros e as despesas previstas em contrato, e o contrato tem de prever os encargos de mora em caso de atraso. A resolução não fixa taxa, teto de juros nem número máximo de parcelas. Se as parcelas forem cobradas em fatura de conta pós-paga, esse saldo não pode entrar no crédito rotativo da fatura.

Quem é afetado

A resposta curta: quem paga um Pix e quer parcelar, e as instituições que oferecem esse crédito. Pela norma, a oferta é feita pela instituição de pagamento do pagador, que precisa ser autorizada pelo BC como provedora de conta transacional, e o crédito é concedido por instituição financeira autorizada. A instituição não é obrigada a oferecer o produto e pode limitá-lo a clientes que cumpram os critérios dela. O limite segue a política de crédito de cada instituição e pode ser exclusivo ou dividido com outros produtos.

Há uma trava de segurança: a oferta exige autorização prévia do pagador, que só começa a valer 24 horas depois de dada. Essa autorização pode ser retirada a qualquer momento, com efeito imediato. Também fica proibido oferecer o crédito em Pix agendado e em Pix Saque ou Pix Troco.

Contexto (o que valia antes)

Hoje cada instituição define as condições do próprio Pix parcelado: prazo, taxa e forma de cobrança. O nosso guia sobre Pix parcelado: como funciona explica como esse produto funciona hoje. A nova resolução padroniza parte das regras: os apps de pessoa física terão de mostrar uma área com os créditos contratados no Pix e um simulador. As informações da contratação também terão de ser apresentadas de forma clara, com medidas de educação financeira.

Se o Pix for devolvido, inclusive pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), o valor devolvido vai inteiro para quitar o crédito, total ou parcialmente, sem que o cliente precise pedir. A medida chega na mesma semana em que o BC e o CMN mudaram outras regras para o cliente, como as do consentimento no Open Finance.

O que fazer agora

Por enquanto, nada muda: as regras só valem a partir de 01/07/2027, e até lá vale o que cada instituição já pratica. Se você usa ou pensa em usar o Pix parcelado, confira no app os encargos, o valor de cada parcela, o total a pagar e o que acontece em caso de atraso. Parcelar um Pix é contratar um empréstimo, e as parcelas pesam no orçamento dos próximos meses. Compare com outras formas de crédito antes de decidir.

Este conteúdo é informativo e educacional e não é oferta de crédito nem consultoria financeira. As condições variam conforme a instituição e a análise de crédito. O Juca atua como correspondente bancário de instituições financeiras parceiras.

Tom Cerginer é Correspondente Bancário certificado pela Febraban (FBB100) e escreve sobre crédito, FGTS e direitos do trabalhador no blog do Juca.

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